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domingo, 26 de janeiro de 2020

What´s new in the Pinhão river valley

EN/PT

The Wine & Soul wine tourism, in Vale de Mendiz


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In the center of the village of Vale de Mendiz, the Wine & Soul iconic wine cellar wall.

    In fact, it isn't exactly a novelty for those more attentive and demanding connoisseurs and oenophiles, but well worth noting here, as it is an essential place in the region quality wine tourism itineraries and in the Douro and Port wine route. Located in the heart of the Pinhão river valley, Wine & Soul's latest challenge and certainly also a necessary complement to reinforce the company's identity, communication and image.

    Wine & Soul is a small wine producer from the Douro, an independent family company created in 2001 by the couple of producers and oenologists Sandra Tavares da Silva and Jorge Serôdio Borges who, dispite its recent history, are currently responsible for the prestigious and internationally recognized wines and very rightly with its own place among the best wines made in the Douro region and the country.

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The Wine & Soul visit center and office, in the first floor of the building next to the wine cellar.
    
    In those early years, Wine & Soul acquired an old Port wine warehouse in the center of Vale de Mendiz village in the middle of the Pinhão river valley, about 6km away upstream from Pinhão village (following the N322-3 national road). The building is today the company main center of activity and, over the years, it has been carefully recovered, renovated and extended integrating today the D.O.C. wine cellar (the Port wine cellar is located today at Quinta da Manoella not too far upstream in the valley), the wine making center and the house of the lagares, the house office and now, after an adequate restoration and adaptation of the space in the first floor of the building adjacent to the wine cellar, this new area for receiving visitors.

    This new phase that started at the end of July 2019, with the creation of the room designed to receive visitors and guests and all those interested in discovering and expanding their knowledge or getting to know the producer, the detail of the areas and procedures related to wine production, and of course to know and taste the house wines, the special characteristics of the vineyards and the importance and influence of the surrounding extraordinary landscape, feel the wine ambiances and to know the peculiarities of the viticulture and oenology. As a complement and always dependent on prior reservation there is the possibility of light meals being prepared and served to accompany the house wines.


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What really distinguishes...
    From the first moment, a different attitude is perceived, the opposite of the typical type of touristic impersonal visits so common among the big wine producers of the region (but not only) with its monochordic tone guides and monologues artificially communicated, the tourist groups and the limited counted time of visits... anyway, very distant from these scenarios, which are more and more the rule, here one feels that the aim is to propose a more personalized and dedicated experience, didactic and enriching, with its own time and without urgency, but a natural commitment to bring visitors closer and promote a more emotional connection with the house, the brand, the excellent wines that are born here and the Douro wine region.

    For now, with just over 5 months since opening to visitors, the comment of Paula Santos Silva, the responsible for the Wine & Soul enotourism, refers the experience has been very positive and the visitors are mostly foreigners visiting the region, about 90%, but also house costumers, wine distributors in other countries and sommeliers mainly from the U.S.A., the U.K and Scandinavia who make a point of getting to know the special origin of the wines.

    But Wine & Soul has other projects planned for the future: now under approval and soon in Pinhão, a house for guest accomodation,, and at Quinta da Manoella the preparation of the quinta house for visits and Port wine specific tastings is planned.

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The view over the Pinhão valley

Where?

Wine & Soul: headquarters, wine cellar and visitor reception center
Avenida Júlio de Freitas, Vale de Mendiz
5085-101 Pinhão
info@wineandsoul.com
enoturismo@wineandsoul.com
Telf.: +351 254 738 076  mob.: +351 93 616 14 08
geographic coordinates: latitude 41º13'18.06''N and longitude 7º31'59.61''O
wineandsoul.com


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O que há de novo no vale do Pinhão?
O enoturismo da Wine & Soul, em Vale de Mendiz

    Na realidade não será propriamente uma novidade para os conhecedores e enófilos mais atentos e exigentes, porém um acontecimento digno de registo por se tratar de um local incontornável nos itinerários do enoturismo de qualidade na região e nas rotas dos vinhos do Douro e Porto. No coração do vale do rio Pinhão, o mais recente desafio da Wine & Soul e certamente também um complemento necessário para reforçar a identidade, a comunicação e a imagem da empresa.

    A Wine & Soul é um pequeno produtor do Douro, uma empresa familiar criada em 2001, pelo casal de produtores e enólogos Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges e que, apesar da história recente, são actualmente responsáveis pela produção de vinhos de prestígio reconhecidos internacionalmente e muito justamente com um lugar próprio entre os melhores vinhos que se fazem na região do Douro e no país.

    Nesses primeiros anos, a Wine & Soul adquiriu um velho armazém de vinho do Porto, no centro da povoação vinhateira de Vale de Mendiz, localizada em pleno vale do rio Pinhão, a cerca de 6km. a montante da vila do Pinhão (seguindo pela estrada nacional N322-3). Este edifício constituí hoje o principal centro de actividade da empresa e, ao longo dos anos tem vindo a ser progressiva e cuidadosamente recuperado, renovado e alargado, integrando hoje o centro de vinificação, a adega dos vinhos D.O.C. Douro da casa (por sua vez a adega dos vinhos do Porto está localizada na Quinta da Manoella, não muito distante a montante no vale), a casa dos lagares, os escritórios e agora este novo espaço para receber visitantes e convidados, após a recuperação e adequação do espaço no 1.º piso do edifício contíguo à adega.

    Esta nova fase, iniciada em finais de Julho de 2019, com a abertura deste espaço especifico destinado a receber os visitantes e todos os interessados em alargar os conhecimentos, descobrir ou conhecer um pouco melhor este produtor e provar os seus vinhos, os espaços e os procedimentos ligados à produção dos diferentes vinhos da casa, as vinhas e as suas características específicas e a influência da extraordinária paisagem natural envolvente, os ambientes do vinho e os pormenores da viticultura e enologia. Como complemento, e sempre com reserva prévia, existe a possibilidade de serem servidas refeições leves como pretexto para acompanhar a prova dos vinhos da casa.

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O que distingue realmente...
    Desde o primeiro momento que se percebe uma atitude diferente, o oposto do género típico de visitas mais turísticas e impessoais características dos grandes produtores (mas não só), do tom monocórdico dos guias e dos monólogos decorados e debitados artificialmente, dos grupos e da pressa do tempo contado... enfim, longe destes cenários que são cada vez mais a regra, aqui percebe-se uma experiência mais pessoalizada e dedicada, didáctica e enriquecedora, com tempo e sem urgências, com um empenho natural em aproximar os visitantes e promover uma ligação mais emocional com a casa, com os vinhos que aqui nascem e a região.

    Por agora, com pouco mais de 5 meses passados desde a abertura, o comentário de Paula Santos Silva, responsável pelo enoturismo, refere que a experiência tem sido muito positiva e que os visitantes têm sido na grande maioria estrangeiros de visita à região, cerca de 90%, mas também clientes da casa, distribuidores dos vinhos da empresa noutros países e sommeliers (dos E.U.A., Reino Unido e Escandinávia) que fazem questão de conhecer a origem dos vinhos aqui produzidos.

    Mas prevê-se que os projectos da Wine & Soul não fiquem por aqui, existem outros planos para o futuro: brevemente no Pinhão, encontra-se em fase de aprovação um local para alojamento de hóspedes, uma "Guest House", na Quinta da Manoella está pensado a preparação do local para visitas e provas especificas dos vinhos do Porto da casa. 

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Onde?

Wine & Soul: o centro de actividade, centro de visitas e adega
Rua Júlio de Freitas, Vale de Mendiz
5085-101 Pinhão
info@wineandsoul.com
enoturismo@wineandsoul.com
Telf.: 254 738 076  Telm.: 96 616 14 08
Coordenadas geográficas: latitude 41º13'18.06''N e longitude 7º31'59.61''O
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©Hugo Sousa Machado




segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Douro 2019 harvest field work 2

    The last days of the 2019 harvest at the Wine & Soul winery (the producer of "Pintas" Port wine and "Pintas", "Guru", "Quinta da Manoella" and "Manoella" DOC Douro wines), in Vale de Mendiz, Pinhão river valley (Cima Corgo Douro sub-region) and the last days of the house team ininterrupted and arduous work since last August.

                                                                                                                                         PtoPwine archive
The "remains of the day".
After emptying the lagares (granite treading tanks), the remaining solid masses (a mixture of wine, grape skins and pips) are ready for the final pressing process.

                                                                                                                                         PtoPwine archive
                                                                                                     
Preparing the old and reliable traditional basket wine press, determinant for the quality of the wine extracted.
                                                                                                           
                                                                                                                                         PtoPwine archive
The recent Port wine produced, in stainless steel vats awaits the transfer to the port  wine cellar large wood vats, at Quinta da Manoella.

                                                                                                                                         PtoPwine archive

Some of the french oak "Seguin Moreau" barrels dry after being washed, and prepared to start a new cicle ageing the Wine & Soul DOC Douro red wines.

©Hugo Sousa Machado

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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Douro, o relatório da vindima 2018


    Foi mais um ano incaracterístico, difícil e desafiante no Douro
    2018 foi mais um ano atípico no Douro. Considerando os últimos anos, poderíamos definir como regra, anos irregulares e incaracterísticos. Na realidade, foi um ano vitícola com muitas dificuldades, que teve como principais características: períodos frequentes de chuva intensa e prolongada, tempestades localizadas de granizo, a grande pressão do míldio e os efeitos de uma onda de calor. Porém, ao que parece, a qualidade das uvas foi boa ou mesmo, como relatam alguns produtores da região, extraordinária.

    Acompanhemos então este ano vitícola no Douro.

    Depois de um longo ciclo de seca, extrema e severa em muitos casos, logo a seguir às vindimas de 2017, que foram muito antecipadas, como aqui demos conta em Douro, o relatorio da vindima 2017, o tempo quente e sem chuva continuou ainda durante todo o mês de Outubro 2017. Em Novembro surgiu finalmente alguma chuva, que trouxe algum alívio à falta de água nas vinhas e no geral a todas as culturas mas que, no entanto, foi em pouca quantidade e insuficiente. Os valores de precipitação registados continuaram abaixo da média em toda a região do Douro até Março de 2018. No caso específico das videiras, são plantas com um sistema radicular profundo e com um porte pequeno, que conseguem suportar bastante bem o stress hídrico.

    O Inverno

    O Inverno foi frio e seco, com alguma pouca e insuficiente chuva.

    A Primavera

    Com o início da Primavera, surgiu finalmente chuva intensa e abundante, que permitiu a reposição das reservas de água no solo e foi essencial para ultrapassar os anteriores períodos de calor e seca. Nos meses de Março, Abril e Maio de 2018, os níveis de precipitação foram aproximadamente o dobro da média para esta época do ano.

    Para além de extremamente chuvosa, foi também na Primavera que surgiram as primeiras dificuldades do ano, durante um período mais frio, com chuva forte e intensa, a 28 de Maio, irrompe uma intempérie de trovoada e granizo. O solo foi incapaz de absorver uma tão grande quantidade de água em tão pouco tempo, o que provocou deslizamento de terras e queda de taludes (as estradas entre Alijó, Sabrosa e Pinhão foram cortadas). Esta tempestade provocou estragos, prejuízos significativos e perdas em algumas vinhas, sobretudo na sub-região do Cima Corgo, nos concelhos de Alijó e Sabrosa, na vila do Pinhão e área circundante, em Provesende e Vale de Mendiz.
    Alguns dos produtores da região registaram perdas totais e parciais de colheitas. Entre algumas das quintas afectadas temos a Quinta do Junco (The Fladgate Partnership), Quinta do Noval, Quinta do Bonfim, Quinta da Cavadinha e Quinta de la Rosa.

    Refira-se, como nota, que estes fenómenos de tempestades localizadas de granizo têm ocorrido com cada vez mais frequência no Douro

    O tempo instável, a forte chuva do final do mês de Maio e as temperaturas mais baixas, coincidiram com a fase do abrolhamento da videira(1) e a floração tardia, teve como consequência, graves perdas e o atraso do ciclo vegetativo da videira entre 2 a 3 semanas.
    Seguiu-se ainda chuva nas primeiras semanas de Junho e a instabilidade meteorológica, com chuva constante e até bastante tarde e os elevados teores de humidade originaram as condições ideais para o aparecimento do míldio(2), excepcionalmente agressivo este ano, que atacou as videiras e provocou em muitos casos grandes perdas na produção. O míldio significou também um acréscimo de custos para os produtores, tanto nos tratamentos adicionais para combater a doença, como anteriormente para a cicatrização das marcas nas videiras que foram mais atingidas pelo granizo.


Na Quinta do Passadouro, Vale de Mendiz, no vale do rio Pinhão

     O Verão

    Os meses de Junho e Julho caracterizaram-se por alguma instabilidade climática, com muita chuva ainda em Junho. O verão chegou, inicialmente com temperaturas amenas e inferiores ao habitual, o que manteve o atraso do ciclo vegetativo.

    Mas, com a chegada do mês de Agosto, o clima alterou-se, com períodos de grande calor e temperaturas superiores à média. No início de Agosto registaram-se temperaturas superiores a 40ºC nas sub-regiões do Cima Corgo e Douro Superior (em alguns casos superiores a 45ºC) e uma onda de calor que causou fenómenos de escaldão em muitas vinhas, com as vinhas e castas mais sensíveis e com menor resistência ao intenso calor, a sofrerem mais. O dia 4 de Agosto foi o dia mais quente do séc. XXI e, de acordo com os dados do IPMA(3), o mês de Agosto foi o segundo mais quente dos últimos 88 anos.

    Todavia, o bom tempo de Julho, Agosto e Setembro, que foram meses quentes e secos, permitiu regularizar a maturação das uvas e o mês de Setembro quente contribuiu para uma aceleração do amadurecimento.

    A Vindima

    Foi uma vindima tardia, determinada ainda pelo atraso do ciclo vegetativo da vinha, que acabou por determinar que a vindima se realizasse mais tarde do que o habitual na região. Este atraso, de cerca de duas semanas nas fases de desenvolvimento da videira, abrolhamento, floração e pintor, foi generalizado em toda a região demarcada do Douro. Como referimos, as temperaturas mais altas durante a fase de maturação das uvas permitiram alguma recuperação do ciclo fenológico.

    Toda a vindima decorreu com bom tempo, bastante quente, com temperaturas máximas altas, superiores a 30ºC (de acordo com os dados do IPMA, o mês de Setembro foi o mais quente desde que existem registos), com os dias quentes mas com noites mais frescas que influenciaram a qualidade final das uvas e do vinho.

    A vindima terminou, na maioria dos casos, entre a segunda e terceira semana de Outubro, que coincidiu com a chegada das primeiras chuvas de Outono.

     A produção

    Todas as dificuldades deste ano vitícola - as condições climatéricas irregulares, o granizo, a pressão do míldio - não podiam deixar de se reflectir na quebra de produção de aproximadamente 30% (ou entre 20% e 50%). Apesar de tudo, quando se considera a qualidade, parece haver unanimidade entre os produtores quanto a uma colheita, pelo menos, de boa qualidade.

    Alguns casos

    De acordo com o relatório divulgado pela Quinta do Vallado, no conjunto da Quinta do Vallado e das vinhas do Douro Superior que este produtor detém, a quebra de produção total atingiu cerca de 15%, sublinhando como pontos positivos, as vinhas que produziram bem e com uma qualidade óptima, a par do sousão que sofreu bastante com o calor, outras castas como a touriga francesa tiveram um bom desempenho. Em todo o caso, as expectativas são elavadas, não apenas para os vinhos do Porto, mas também para os vinhos tranquilos desta casa.

    No grupo Symington Family Estates (detentor das marcas principais de vinho do Porto Cockburn's, Dow's, Graham's, Quinta do Vesúvio, Warre's) em 2018 a produção foi muito baixa, com muitas das vinhas a produzirem menos 40% do que o habitual e com algumas poucas vinhas com um rendimento de menos 25%. Apesar da baixa produção e também como consequência, produziram-se alguns vinhos do Porto excelentes, assim como vinhos D.O.C. Douro. Tal como a Quinta do Vallado, a Symington assinala o bom comportamento da touriga francesa, com boa côr e bons aromas que vão ser as características dos vinhos desta casta este ano.

    Alexandre Antas Botelho, responsável pelos vinhos do Porto da Noble & Murat, refere que 2018 " (em qualidade) foi no geral francamente bom. No nosso caso, as uvas chegaram em bom estado à adega, tivemos apenas de ter cuidado em relação à temperatura da fruta e ao estado de maturação, de modo a preservar a acidez natural essencial para o equilíbrio dos vinhos. No lagar a questão crítica foi manter as temperaturas baixas e sob controlo o que, de resto, é já uma tendência que se tem verificado nos últimos três anos. Os mostos resultantes das vinificações deste ano têm uma boa côr e um bom corpo, apresentando também aromas muito interessantes.".


Na Quinta de Nápoles, Armamar, vale do rio Tedo

Notas: 

(1) Abrolhamento: marca o início do ciclo vegetativo da videira. A videira termina a época de repouso com o aparecimento dos rebentos ou rebentação dos gomos.

(2)Míldio: "este flagelo apareceu em 1891, depois de terem sido introduzidos os porta-enxertos dos EUA, resistentes à filoxera. Ataca tanto as parras, como as flores e os frutos. (...) A humidade e o calor são as condições essenciais para o seu aparecimento. Em caso de ataque, as roseiras imediatamente acusam o sucedido, antes da videira. Por essa razão se plantam roseiras nos vinhedos.". in Diccionário Ilustrado do Vinho do Porto, de Manuel Pintão e Carlos Cabral.
    É uma das principais doenças da videira (a mais destrutiva na Europa), ocorre um pouco por todo o país. Trata-se de um fungo que ataca as partes verdes e os frutos em todas as fases do seu desenvolvimento. Pode causar graves prejuízos, que variam de acordo com a susceptibilidade da casta e o estado de desenvolvimento da planta. Surge habitualmente nas primaveras chuvosas e verões húmidos.

(3) IPMA: Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

©Hugo Sousa Machado


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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Noble & Murat, how a classic vintage Port is born

or the vintage Port composition

EN
Quinta do Bragão, Celeirós do Douro: Noble & Murat winery

    The most recent Port wine producer, but only apparently or formally. There is an experience, knowledge and an intimate connection of many years to viticulture, Port wine production and the Douro region which are decisive for this project and for the quality of the wines produced here, as we have already noticed in a previous publication (
Noble & Murat, an historical Port wine brand reborn).


    There is a strong and evident commitment to superior quality Port wine special categories production, natural wines, authentic, without artifice and with a strong identity and character, serious Port wines whose consistency the future will surely ensure.

    The heart of Noble & Murat's Port wines

    The Noble & Murat winery is located in "Quinta do Bragão", at the border of Celeirós do Douro, in the middle of the Pinhão river valley and on its right bank (from here we can see Quinta do Fojo, Quinta do Passadouro, Quinta da Manoella, Quinta do Silval and further on Quinta do Noval). A winery with the typical ambience and a rare charm which is an expression of the Douro traditional wineries.

    It is here, in this river valley that Alexandre Antas Botelho and António Borges Taveira families, the Noble & Murat partners, have their roots and a centuries long tradition of wine production, trading and export, since the sixteenth century. We can say with propriety that the Douro is in the soul of this house and is reflected in the Port wines it produces. A project closely linked to the Douro's viticulture roots.

    It is important to remember that, in the Douro, wine production is carried out mainly in two ways, on the one hand, the "quintas", and on the other hand the isolated vineyards. Let us consider that, with the exception of large wine producers, owners of several "quintas" in the Douro, the wine production on the basis of a single "quinta", has to work with the vines and grapes of that specific property with its own characteristics, with a smaller and a more limited range of choice and less diversity than those producers, as is the case of Noble & Murat, which have at their disposal several vineyards, with different locations, with greater diversity and peculiarities, old vines and vineyards of different ages and grape varieties, located at different altitudes, climatic conditions and solar exposures. All theses factors allow the producer more possibilities and variety of choice and will confer greater richness, complexity and longevity to the final result, as we will see throughout this text.

    Noble & Murat produces Port wine from 6 vineyards, 3 of which are owned by the firm's partners, with privileged and diversified locations in the Pinhão valley and in the Tedo valley (Cima Corgo Douro sub-region), with intense field work of constant monitoring and control.



    The process of wine production and vinification is traditional and entirely manual, understood and assumed as the method that most respects grapes and terroir.
    After careful selection, the grapes are vinified separately, through a traditional winemaking process, with some peculiarities worth noting in order to better understand, not only the wines, but the producer's philosophy.

    As we said, the product of the vineyards is vinified separately, and exclusively foot trodden in small "lagares" (granite or stone treading tanks) made of schist and granite slates, with a high ratio man per wine cask in the "lagar", which ends up having a huge influence on the wines. To understand the rarity and the meaning of this process, in a "lagar" with an approximate dimension of 5 x 5m the grapes are trodden by about 24 to 26 men, and in the smaller "lagares", with adimension of 2,5 x 3m by about 15 men. More than a working team, a wine family that every year does this work together.

    The grapes are vinified with the grape bunch stems, which involves more work, but it's also a decisive method for the final wine quality and character. The fermentation with the stems allows the absorption of heat and contributes to temperature control during fermentation, helping the aeration of native yeasts and conferring the so-called "green tannin", the grape stems acidity will give tannin and aroma and its decisive for the wine longevity. There is also a lot of hard manual work at this stage, for example, when the "blanket" rises (the solid layer that forms in the "lagar" consisting of grape skins, seeds and stems) it is worked manually with the traditional "macacos"(1) throughout the fermentation.

    One of the many important wine making process details is the pressing quality using an old press (a "FAS" press lined with stainless steel that extracts the last drop of wine from the solid matter coming from the "lagares"). The producers believe that a good press will contribute to the necessary extraction and body, which is to say, will bring color and tannin to the wine. A full "lagar" will be equivalent to about a press and a quarter. This "press wine" then integrates the wine that comes out from the "lagares".



    Another of the peculiarities that is also one of the house secrets is the wine fortification procedure, to achieve a greater integration and homogenization of the grape spirit added, for a better aroma, flavour and structure preservation.

    After the separate vinification of each of the vineyards, the resulting wine is kept individualized in "tonéis" (large wood vats) to follow and evaluate its evolution, quality and its potential for vintage Port.



    The vineyards, the grape selection and the winemaking process is exactly the same for the Late Bottled Vintage Port wines and Vintage Ports. The LBV is traditional, unfiltered, more structured and full-bodied, and literally a vintage bottled later. When the wine is removed from the "lagar" a selection is made and the wine destination is determined at this moment. In those years in which vintage port is not produced, almost all wine is destined for the Noble & Murat LBV Port.
    Some of the wine produced in each year is also reserved for longer wood ageing, for a future Tawny colheita port (tonel 11) and also some is saved for an aged Tawny port.

A classic Vintage Port composition
Understanding the Vintage Port assemblage elements 

    Vintage Port wine is a rare wine of exceptional quality, produced in very small quantities, with the very best grapes from a single harvest in a year with perfect conditions and which is the supreme expression of Port wine. It is also a blended wine, but not like Aged Tawny ports in the sense of blending different aged in wood wines from several harvests, but in the sense of a blending of the very best grapes from selected vineyards and from the same vintage, according to the desired wine profile.

    At Noble & Murat, there are 6 wines, resulting from a grape selection from 6 vineyards, being the expression of 6 terroirs, each with its own distinct and very specific characteristcs, different profiles that are the result of tasting and evaluating these 6 elements.
    We had the opportunity and gratifying experience to taste and get to know each of these wines, undoubtedly a tasting essencial to understand vintage Port wine. Our thanks to Alexandre Antas Botelho and Noble & Murat for a tasting usually only accessible to those involved in the house wine production.

    Let us now consider the elements that make up the composition of the lateste classic Vintage port, the Noble & Murat Vintage Port 2016.
    The wines are kept in "tonéis" and cubas (large stainless steel vats) for about 2 years.

    The 1st element from cuba 8 (these stainless steel vats have a capacity of 5000 liters)
    From a very old vineyard in the Tedo valley. A wine in which the primary fruit aromas dominate, with evident intense and fresh fruit, an earthy and very mature wine.

    The 2nd element from tonel 7 (these large chestnut wood casks have variable capacities, between 5500 and 7000 liters)
    Originating in another Tedo valley old vineyard, its a wine notoriously more acidic and tanic, still not very expressive, with the red fruit standing out.

    The 3rd element, from tonel 8
    From a vineyard in Covas do Douro. It is the "scent" wine sample, very aromatic and exuberant, but at the same time with less structure and less length when compared to the previous wines. We could say that this sample lacks all the characteristics of the previous wines. 

    The 4th element, from tonel 9
    From a Tedo valley old vineyard. Clearly a more complex wine, as main notes we can point that its a half dry wine, initially seems sweet but later is cut by a clear dryness, a much more balanced wine. Here one notices the concept of a superior quality vineyard. If there was only the grapes from one "quinta" available, this would be the single quinta vintage Port, a wine that stands out by itself.

    The 5th element, from tonel 10
    From a vineyard located in Vale de Mendiz. It is a very complete base wine, full and with a lot of color, exuberant, earthy and with good acidity, it also has a lot of aroma, a chewy wine, impressive and rough, stands out for the tannin length.

    The 6th element, from cuba 11
    From another vineyard located in Vale de Mendiz and also from a Tedo valley vineyard that has the peculiarity of being a unique vine of touriga nacional grape variety, originating in a unique vine clone(2) of this variety (an exception to the Douro predominance of the touriga nacional grape vine clone from "Quinta do Ataíde"). It is a very floral and lush wine, fine and with litle acidity.



    The final result would be the Noble & Murat Vintage Port 2016, already approved by the IVDP last May, shortly after our visit, in a classic vintage Port year. This vintage is mainly characterized by its exuberant nose and floral aromas, also for its red and black fruit character, with an excellent structure, good acidity and a dry finish. A more elegant and aromatic vintage port when compared to the 2015 vintage port edition, which is more austere and structured.
    Of the 2016 Vintage Port will be bottled 3000 botles, and the remaining wine will be bottled as the house LBV Port 2016.

    From the Noble & Murat wine collection we also tasted some original and very interesting wines worthy noting:

    The "Tonel 11"; an essay still under study to evaluate the long wood maturing period and to determine the future of this wine, probably an old Tawny Port. It is composed of a great variety of wines (9), a blend made up of vintages from 2012 to 2014, in which besides the fruit, the wood presence, elegant and complex, with cherry and crystallized fruit aromas and flavors.

    And a courtesy of Alexandre Antas Botelho, a special, original and very rare Port wine, made with grapes from a very old, pre-phylloxeric ungrafted vines, that no longer exists, it was a vineyard that grew in goblet (a shrub vine), with about 60% red grape and 40% white grape varieties. It has the particularity of being a new wine made from a very old vineyard. To taste this Port wine is really an historical and unrepeatable moment. It is an original and an extraordinary wine, with a slightly open color, chemical, with a clear red fruit nose, very fine and elegant, with acidity and dryness present.



    In the current Noble & Murat portfolio:

  • Noble & Murat Reserve Port
  • Noble & Murat 10 Year Old Dry White Port;
  • Noble & Murat LBV Porto 2012;
  • Noble & Murat LBV Porto 2014;
  • Noble & Murat Vintage Port 2015 (6,600 bottled);
  • Noble & Murat Vintage Port 2016;
  • Noble & Murat Vintage Port 2017;
  • Noble & Murat 20 year Tawny Port

    Noble & Murat
    Alexandre Antas Botelho and António Borges Taveira
    mob: +351 96 327 42 50
    email: noble.murat@gmail.com




Notes:
    (1) Macaco: a wooden utensil, about 1,5m long, which in the lower part as attached wood cross tips. It is used by the "lagareiros" (the men who work in the "lagar") during fermentation, punching the blanket and forcing the solid matter to descend to the bottom of the "lagar". It is intended that the grape must begins to ferment with the red grape skins, seeds and stems, in order to remove the maximum coloring matter and tannins. ("Illustrated Port Wine Dictionary", by Manuel Poças Pintão and Carlos Cabral).

    (2) (vine)Clone: it is obtained by the vegetative multiplication of a single plant, to reproduce in other vines obtained from this, the same characteristics. The vines are very adaptable, they react according to environmental conditions with different behaviors (resistance to diseases, grape ripening, more or less compact bunches and even slightly aroma and flavor differences), which has as a consequence many varieties of the same grape variery, which does not originate a new one, but a subdivision of the grape variery, Clones are used to replicate specific characteristics of a grape variety.

©Hugo Sousa Machado

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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Noble & Murat, como nasce um vintage clássico

ou a composição de um Porto vintage
PT
Quinta do Bragão, Celeirós do Douro: a adega da Noble & Murat.
    O mais recente produtor de vinho do Porto, mas apenas aparentemente ou formalmente. Existe uma experiência, um conhecimento e uma ligação de muitos anos à viticultura, à produção de vinhos e ao Douro que são determinantes para a qualidade dos vinhos produzidos, como já demos conta em publicação anterior (Noble & Murat, an historical Port wine brand reborn).  

    Há um compromisso assumido e evidente com a produção de vinhos do Porto de categorias especiais de qualidade superior, vinhos naturais, autênticos, sem artifícios, com identidade e carácter, vinhos do Porto sérios, cuja consistência o futuro certamente assegurará. 

O coração dos vinhos do Porto da Noble & Murat

    A adega da Noble & Murat localiza-se na Quinta do Bragão, no limite de Celeirós do Douro, em pleno vale do Pinhão, na margem direita do rio (daqui avista-se a Quinta do Fojo, a Quinta do Passadouro, a Quinta da Manoella, a Quinta do Silval e mais ao longe a Quinta do Noval). Uma adega com um ambiente típico e o raro charme que é uma das expressões das adegas tradicionais do Douro.

    É aqui, no vale deste rio, que as famílias de Alexandre Antas Botelho e António Borges Taveira, os sócios da Noble & Murat, têm as suas raízes e uma longa tradição de séculos, desde o século XVI, de produção, comercialização e exportação de vinho. Podemos dizer com propriedade, que o Douro está na alma desta casa e se reflecte nos vinhos do Porto que produz. Um projecto intimamente ligado às raízes vitivinícolas do Douro.

    É importante ter presente que, no Douro, a produção vitícola é realizada, fundamentalmente, através de duas formas, por um lado as quintas e por outro as vinhas ou parcelas de vinha isoladas. Consideremos que, com excepção dos grandes produtores, proprietários de várias quintas no Douro, quem explora uma quinta conta com as vinhas e uvas dessa produção, com características próprias mas, apesar de tudo, com uma menor margem de escolha em diversidade do que aqueles produtores que têm à sua disposição vinhas com diferentes localizações, com particularidades distintas, com vinhas velhas e outras vinhas com diferentes idades e variedades de castas, localizadas a altitudes, em condições climáticas e com exposições solares diversas. Todos estes factores, antes de mais, permitem ao produtor maiores possibilidades e variedade de escolha e vão conferir uma maior riqueza, complexidade e longevidade aos vinhos, como perceberemos ao longo deste texto.

    A Noble & Murat produz vinho do Porto com base em 6 vinhas, 3 das quais são propriedade dos sócios da firma, com localizações privilegiadas e diversas no vale do Pinhão e no vale do Tedo (sub-região do Cima Corgo), com um intenso trabalho de campo para acompanhamento e controlo constante.



    O processo de vinificação e produção é tradicional e inteiramente manual, entendido e assumido como o método que mais respeita as uvas e o terroir.

    Após a escolha e selecção, as uvas são vinificadas separadamente, num processo de vinificação "à antiga", com algumas particularidades importantes e dignas de destaque, para compreendermos não só os vinhos, mas também a filosofia deste produtor.

    Como dissemos, o produto das vinhas é vinificado em separado, com o recurso exclusivo à pisa a pé, em pequenos lagares com lajes de xisto e granito, com um elevado rácio homem por pipa no lagar, o que acaba por ter uma enorme influência no vinho. Para percebermos melhor a raridade e sentido deste processo, num lagar com uma dimensão aproximada de 5 x 5m, as uvas são pisadas por cerca de 24 a 26 pessoas e nos lagares mais pequenos, com uma dimensão aproximada de 2,5 x 3m por cerca de 15 pessoas. Mais do que uma equipa, uma família que todos os anos faz este trabalho em conjunto.

    As uvas são vinificadas com o engaço, o que envolve mais trabalho, mas que é um método decisivo para a qualidade final e carácter destes vinhos. A fermentação com engaço permite a absorção do calor e contribuí para o controlo da temperatura durante a fermentação e ajuda ao arejamento das leveduras nativas, conferindo o chamado "tanino verde", a acidez do engaço vai traduzir-se em tanino e aroma e é um factor fundamental para a longevidade dos vinhos. Há também muito trabalho manual nesta fase, por exemplo, quando a manta sobe é trabalhada manualmente com os tradicionais macacos(1) durante toda a fermentação.

    Mais uma das especificidades do processo de vinificação aqui praticado, está na qualidade da prensagem, com a utilização de uma antiga prensa (uma prensa "FAS" forrada a inox que extraí até à última gota e o engaço sai seco). Os produtores defendem que uma boa prensagem vai conferir a extracção e corpo necessários, que o mesmo é dizer, côr e tanino ao vinho. Um lagar completo será equivalente a cerca de uma prensa e um quarto. Este "vinho de prensa" integra depois o vinho restante saído dos lagares.

    Outra das particularidades e que constituí um dos segredos da casa é o procedimento de fortificação do vinho, com a finalidade de obter uma melhor integração e homogeneização da aguardente vínica com o vinho, para conseguir uma maior preservação dos aromas e da estrutura do vinho do Porto.

    Após a vinificação separada de cada uma das vinhas, o vinho resultante é mantido individualizado em tonéis, para acompanhamento da sua evolução e qualidade e avaliação do potencial para Porto vintage.



    As vinhas, a selecção de uvas e os métodos de vinificação são exactamente os mesmos para os vinhos do Porto Late Bottled Vintage e para os Porto Vintage da casa. Aqui o LBV é de estilo tradicional, não filtrado, mais estruturado e encorpado e é literalmente um vintage engarrafado mais tarde. À saída do lagar é feita uma triagem e o destino do vinho é determinado nesse momento. Naqueles anos em que não é produzido vintage, o vinho é praticamente todo destinado ao LBV da casa.
    Algum do vinho produzido em cada ano é também reservado para um envelhecimento mais prolongado em madeira que dará origem a um Tawny colheita (tonel 11) e também algum é conservado para um Tawny de idade.

composição de um Porto vintage clássico
Compreender os elementos da assemblage de um Porto vintage 

    Em bom rigor, o vinho do Porto vintage, um vinho de qualidade excepcional, produzido em pequeníssimas quantidades, com as melhores uvas de uma só vindima, num ano de condições perfeitas e que é a suprema expressão do vinho do Porto, num determinado sentido é também um vinho de lote, não no sentido de ser constituído por um lote de vários vinhos com diferentes idades de envelhecimento e com origem em várias colheitas, como é o caso dos Porto tawny com indicação de idade, mas sim um lote de uvas seleccionadas de uma mesma vindima ou colheita e de acordo com o perfil que se pretende obter.     
    Na Noble & Murat existem 6 lotes que são o resultado de uma selecção de uvas de 6 vinhas, de 6 terroirs com características distintas e muito específicas e com diferentes perfis e é o resultado da prova e avaliação destes 6 elementos que aqui daremos conta.
    Tivemos a oportunidade e o gratificante privilégio de provar e conhecer estes vinhos, uma experiência estimulante e que torna mais completa a compreensão da essência de um vinho do Porto vintage.
    Os nossos agradecimento a Alexandre Antas Botelho e à Noble & Murat pela abertura a uma prova normalmente apenas acessível a quem está envolvido na produção do vinho da casa.

    Passemos então a considerar os elementos que integram a composição do mais recente vintage clássico, o Noble & Murat vintage Port 2016.
    Os vinhos são mantidos em cubas e tonéis durante cerca de 2 anos.

     O 1.º elemento da cuba 8 (as cubas com uma capacidade de 5000l)
   Proveniente de uma vinha muito velha no vale do Tedo. Um vinho em que dominam os aromas primários, com fruta fresca, intensa e evidente, terroso e com muita madurez.

    O 2.º elemento, do tonel 7 (os tonéis são de castanho, com capacidades variáveis, entre os 5500l e os 7000l)
   Com origem noutra vinha velha do vale do Tedo. Um vinho notoriamente mais ácido e taninoso, com um nariz ainda fechado, onde sobressaí a fruta vermelha.

    O 3.º elemento, do tonel 8 
    Com origem numa vinha de Covas do Douro. É a amostra "cheirante", um vinho muito aromático e muito exuberante, mas com menos estrutura e menos comprimento quando comparado com os vinhos anteriores. Podemos dizer que nesta amostra, para além das notas descritas, faltam as características das amostras anteriores.

    O 4.º elemento, do tonel 9
    De uma vinha velha no vale do Tedo. É uma amostra mais complexa. Tem como notas principais ser um vinho meio-seco, que inicialmente parece doce mais que depois é cortado por uma secura evidente, um vinho mais equilibrado. Aqui percebe-se o conceito de uma vinha superior, se só houvesse uma quinta, este seria o vintage de quinta, um vinho que vale por si só.

    O 5.º elemento, do tonel 10
    De uma vinha de vale de Mendiz. É um vinho base, muito completo, com muita côr e muito encorpado, é exuberante, com muito aroma, terroso e com uma boa acidez, um vinho mastigável, impressivo, rugoso, bruto e mais completo, que se destaca também pelo comprimento dos taninos.

    O 6.º elemento, da cuba 11
    De outra vinha de vale de Mendiz e de uma vinha no vale do Tedo. Esta última com a particularidade de se tratar de uma vinha única de touriga nacional, com origem num clone(2) único desta casta (uma excepção à predominância no Douro do clone de touriga nacional proveniente da Quinta do Ataíde). É um vinho muito floral e exuberante na boca, fino e com pouca acidez.



    O resultado final será o Noble & Murat Vintage Port 2016. já aprovado pelo IVDP, no passado mês de Maio, logo após a nossa visita, num ano clássico de Porto vintage. Este vintage tem como notas principais, um nariz exuberante, com aromas florais e também com o caractér da fruta vermelha e preta, com uma excelente estrutura, boa acidez e um final meio-seco. É um vintage mais elgante e aromático quando comparado com o vintage 2015 da casa, que é mais austero e estruturado.
    Deste Porto vintage, serão engarrafadas 3000 garrafas, o vinho restante será engarrafado como Porto LBV 2016.

    Do património da Noble & Murat provamos ainda outros vinhos dignos de nota:
    O tonel 11: um ensaio, em estudo para avaliar a evolução do longo estágio em madeira e o destino final, o futuro desta promessa, provavelmente um tawny de idade. É composto por uma grande diversidade de origens (9), um lote constituído por vinhos das colheitas de 2012 a 2014, onde para além da fruta já se nota a presença da madeira, é complexo e elegante, com aromas e sabor de cereja, ginja e fruta cristalizada.

    E um vinho do Porto raro, especial e original, uma cortesia de Alexandre Antas Botelho. Um vinho com origem numa vinha muito velha, pré-filoxérica, em pé franco e que já não existe, uma vinha que crescia em goblet (videira arbustiva não embardada), com cerca de 60% de castas tintas e 40% de castas brancas. Tem a particularidade de ser um vinho novo feito de uma vinha muito velha. Provar este vinho é realmente um momento histórico e irrepetível. É um vinho original e extraordinário, com uma côr ligeiramente aberta, muito químico, com um nariz de fruta vermelha, fino e elegante e com acidez e fruta presentes.



No portfolio actual da Nobel & Murat:
  • Noble & Murat Reserve Port
  • Noble & Murat 10 Year Old Dry White Port;
  • Noble & Murat LBV 2012;
  • Noble & Murat LBV 2014;
  • Noble & Murat Vintage Port 2015 (6600 garrafas produzidas);
  • Noble & Murat Vintage Port 2016;
  • Noble & Murat Vintage Port 2017;
  • Noble & Murat Porto Tawny 20 anos

    Noble & Murat
    Alexandre Antas Botelho e António Borges Taveira
    Telm.: +351 96 327 42 50
    noble.murat@gmail.com


   

Notas:
    (1) Macaco: um utensílio de madeira, com cerca de 1,5m de comprimento, que na parte inferior tem fixadas em cruz pontas também de madeira. É utilizado pelos lagareiros, durante a fermentação, perfurando a manta, obrigando a matéria sólida a descar para o fundo do lagar. Pretende-se que o mosto recomece a fermentar com as cascas das uvas tintas, no intuito de lhes retirar o máximo de matéria corante e taninos (in, Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto, de Manuel Poças Pintão e Carlos Cabral).

    (2) Clone: é obtido pela multiplicação vegetativa de uma única planta, para conferir ou reproduzir as mesmas características noutras vinhas a partir desta. As vinhas são muito adaptáveis, reagem em função das condições ambientais com comportamenos diferentes (resistência às doenças, amadurecimento das uvas, cachos mais ou menos compactos e ligeiras diferenças nos aromas e sabores) o que tem como consequência existirem muitas variantes na mesma variedade, que não origina uma nova casta, mas uma subdivisão na casta. Utilizam-se clones para replicar características específicas de uma casta.

©Hugo Sousa Machado

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