terça-feira, 14 de junho de 2022

Churchill's Dry White Port

 EN/PT

What's so special about this dry white Port wine?

Make no mistake, white and dry white Ports are not all the same...

    This is a wine which is already a classic that distinguishes itself in this style of Port, over the years it has become an unavoidable reference in dry white Port wines.

    But let's us go back briefly to Churchill's past. When John Graham, together with his brothers Anthony and William, founded Churchill's in 1981, with the aim of producing their own special categories superior quality traditional-style Port wines, the first Port wine produced was Churchill's Dry White, that accompanies the house throughout these last 40 years.

(the complete report about Churchill's here: Churchills and Quinta da Gricha)

    In the first years and until the company got its own vineyards, later in 1999, with the acquisition of Quinta da Gricha, John Graham reached an agreement with Jorge Borges de Sousa, a producer and owner of several quintas in the Douro in privileged locations in the Cima Corgo sub-region, Pinhão valley and in the Douro. This agreement allowed John Graham in each harvest the selection of the best grapes and wines, from the different Borges de Sousa's properties, which at the time also had an appreciable and enviable stock of Port wines kept in cellar. In the words of John Graham:"he gave me the possibility to choose the best of his wines" and "the possibility to buy the initial stock". 

    This was the basis of Churchill's wines for 20 years, which was fundamental for the company to start to be recognized for the quality of the Port wines it produced.

    The first wine produced by Churchill's was the Dry White Port, which had its own distinctive drier style with the purpose of giving dignity to the Douro white grape varieties, a wine with about 10 years of ageing in wood, at a time when most Port houses were mainly betting on white Port wines whit a younger style.

    Years later, in 2016, Churchill's Dry White Port was rated as excellent with a score of 91pts. by the internationally recognized north american magazine Wine Advocate.

    Made exclusively from letter "A" grapes (according to the Douro classification system for vineyards that produce grapes for Port wine) that are selected from high-altitude old vineyards in the Cima Corgo sub-region and the blend is made up of the following grape varieties: Malvasia-fina, the predominant variety and the wine's structure (50%), then Rabigato, Códega do Larinho and Viosinho.

    The vinification methods are traditional, with foot treading of the grapes in the old granite "lagares", in this case, in the small granite lagares called "lagaretas" that exist at Quinta da Gricha with a capacity of around 2000kg (the old larger Quinta da Gricha lagares, built on 1852, have a capacity between 6000 and 7000kg.), the whole bunches are used without destemming, with minimal intervention and using the natural yeasts that come from the grapes. Fermentation and maceration takes place with the grape skins, essential for the wine structure and balance, and is not as long as with red Port wines. This process makes the wine drier and at the same time extracts more natural alcohol from the grape itself, and so to a smaller addition of wine spirit at the time of fortification.

    It is then aged in old used casks for approximately 10 years in the Churchill's Port wine cellar on rua da Fonte Nova in the Vila Nova de Gaia historic center.

Churchill's Port wine lodge, on rua da Fonte Nova, Vila Nova de Gaia historic center.

My dry white Port, some tasting notes

    The wine was bottled in 2021. It has an intense, rich and bright golden color that reflects the years of ageing. In fact, the color tells us what the label does not refer, the oxidative evolution of almost ten years of wood ageing. At the beginning of the 90's the house opted for an elegant transparent bottle to enhance the beautiful natural golden color of the wine.

    It has a good intensity on the nose, not too excessive, with floral aromas and predominant notes of orange blossom, dried fruits and then some lighter notes of spices. On the palate it's smooth, also a consequenece of the ageing period in wood, it has good acidity and freshness, harmonious and of medium complexity, despite beeing a dry Port wine, the residual sugar is perceptible and pleasant. With flavors of candied orange peel, citrus fruits, dried apricot and some bitter orange marmalade and then light notes of spicies. It has a long finish.

    It's the perfect aperitif, simple, on its own, served fresh... (a waste mixing it with tonic water). The temperature is fundamental, it shoud be served cool, around 8ºC.

    According to the producer it is the best-selling Port wine at Churchill's visitor center in Vila Nova de Gaia.

    This is one of the last bottlings with the old bottle labels, since this year, after celebrating 40 years since its foundation in 1981, Churchill's presents a new image for its wines, in an aesthetic reformulation of the labels and bottle models for its entire wine portfolio.

The wine tasted was kindly provided by: PortugalVineyards.com


©Hugo Sousa Machado


Churchill's Dry White Port

O que tem de especial este vinho do Porto?

Desengane-se, os vinhos do Porto brancos e secos não são todos iguais...

    Este é um vinho que é já um clássico que se distingue nesta categoria, tornou-se uma referência incontornável nos vinhos do Porto brancos secos.

    Regressemos brevemente ao passado da Churchill's. Quando John Graham, juntamente com os irmãos Anthony e William, fundou a Churchill's em 1981, com o objectivo de produzir os seus próprios vinho do Porto de categorias especiais, de qualidade superior, com um estilo tradicional, o primeiro vinho do Porto com a marca Churchill's foi o "Dry White", que acompanha a casa ao longo destes 40 anos.

    (A informação completa sobre a Churchill's, aqui: Churchil's e a Quinta da Gricha)

    Nos primeiros anos e até possuír as suas próprias vinhas, mais tarde em 1999 com a aquisição da Quinta da Gricha, John Graham chegou a um acordo com Jorge Borges de Sousa, produtor e proprietário de quintas no Douro, em locais privilegiados do Cima Corgo, no vale do Pinhão e no Douro. Este acordo permitiu a John Graham, em cada vindima, uma selecção das melhores uvas e dos melhores vinhos, das diferentes propriedades de Borges de Sousa, que possuía também um stock considerável e invejável de vinhos do Porto mantidos em cave. Nas palavras de John Graham, "ele deu-me a possibilidade de escolher o melhor dos vinhos dele" e "a possibilidade de comprar o stock inicial".

    Esta foi a base dos vinhos do Porto da Churchill's durante 20 anos, que foi fundamental para a casa começar a ser reconhecida pela qualidade dos vinhos que produzia.

    O primeiro vinho que a Churchill's produziu foi o Dry White Port, com um estilo próprio e diferenciador, um vinho do Porto mais seco que tinha o objectivo de dar dignidade às uvas brancas do Douro, um vinho com cerca de 10 anos de envelhecimento em madeira, numa época em que a generalidade das casas produtoras apostava sobretudo em vinhos do Porto brancos com um perfil mais jovem.

    Anos mais tarde, em 2016, foi classificado como excelente com uma pontuação de 91pts, pela internacionalmente reconhecida revista norte americana Wine Advocate.

    É produzido a partir de uvas letra "A" (de acordo com o sistema em vigor no Douro de classificação de vinha para a produção de vinho do Porto) com origem em vinhas velhas de altitude da sub-região do Cima Corgo, e o lote é constituído pelas castas: Malvasia Fina, a casta predominante e que constituí a estrutura do vinho (50%), depois Rabigato, Códega do Larinho e Viosinho.

    Os métodos de vinificação são os tradicionais, com pisa a pé em lagar, neste caso particular, nas pequenas lagaretas de granito existentes na Quinta da Gricha, com uma capacidade para cerca de 2000kg. (os antigos lagares da quinta construídos em 1852 têm uma capacidade entre 6000 e 7000kg.), com os cachos inteiros sem desengace, com intervenção mínima e com as leveduras naturais das uvas. A fermentação e a maceração com as películas é fundamental para a estrutura e equilíbrio do vinho, e não é tão longa como acontece com os vinhos do Porto tintos, tornando-o mais seco e ao mesmo tempo extraíndo mais álcool natural da própria uva recorrendo-se depois a uma menor adição da aguardente vínica no momento da fortificação.

    Segue-se o período de envelhecimento em cascos de carvalho avinhados, aproximadamente durante 10 anos no armazém de vinho do Porto da rua da Fonte Nova, no centro  histórico de Vila Nova de Gaia.

    O meu Porto branco seco, algumas notas de prova

    Este vinho foi engarrafado em 2021. Tem uma côr de um dourado intenso, rico e brilhante que traduz os anos de envelhecimento. De facto, a côr indica-nos o que o rótulo não refere, a evolução oxidativa dos dez anos de envelhecimento. No início dos anos 90 do séc. XX, a casa optou por uma elegante garrafa transparente para relalçar a côr dourada natural do vinho.

    O vinho tem boa intensidade no nariz, não excessiva, com aromas florais e notas predominantes de flôr de laranjeira, frutos secos e depois algumas nuances de especiarias. Na boca é suave, também consequência do estágio em madeira, com boa acidez e frescura, com harmonia e de complexidade média, apesar de ser um vinho seco, é perceptível e agradável o açúcar residual. Com sabores de casca de laranja cristalizada, cítricos, damasco seco, alguma compota de laranja amarga e depois notas especiadas mais leves. Com um final longo.

    Simples, por si só, é o perfeito aperitivo... (um desperdício pensar em acrescentar água tónica). A temperatura é fundamental, deve ser bebido fresco a uma temperatura aprox. de 8ºC.

    De acordo com a informação do produtor é o vinho mais vendido no centro de visitas da Churchill's em Vila Nova de Gaia.

    Este é um dos últimos engarrafamentos com o, agora, antigo rótulo, uma vez que neste ano, muito recentemente, a Churchill's apresenta uma nova imagem para os seus vinhos, uma cuidada reformulação estética dos seus rótulos e novos modelos de garrafas para todos os vinhos do seu portfolio.

Este vinho foi gentilmente enviado pela: PortugalVineyards.com

©Hugo Sousa Machado

    Também pode ser interessante / might also be interesting:

Churchill's and Quinta da Gricha



quinta-feira, 5 de maio de 2022

The White Port wine & Tonic manifesto, P&T

 EN/PT


1. Ideally dry white and extra-dry white Port wines, but also semi-dry and sweet white Port wines are admissible. We are considering here, young, current white Port wines. In order not to be too conservative we can also consider pink Port and even the lesser known "Quinado" wine (1).

2. Add a slice of lemon, lime or grapefruit (slice cut into quarters preferably), some mint leaves and fresh ice, i.e., ice made very recently (home made with mineral water), old ice long stored in the freezer is useless and will spoil the drink. More imaginative ingredients are possible, adding for example, fresh thyme and other green and less green ingredients, more or less aromatic and more or less colorful, mostly reserved to show off...

3. The critical point: for the hasty and misguided, upstarts who love novelty for the sake of novelty, the poor initiates and disciples of the devil in general, very recent and innovative, irreverent, modern and also simplistic canned 25cl versions of what is called "Tonic Port", "Portonic", "Grab and go", "Ready to drink cocktail" are available, however, these costly reductive versions seriously harm the experience and knowledge of the white Port style diversity available on the market and proposed by the different Port wine houses (the same can be said of the different tonic waters), but above all, the illiberal proportions unworthy of the connoisseur, defined at the onset as a very restrictive formula, i.e., just a 1/3 portion of white Port wine for 2/3 of tonic water, which allow us to conclude that, stricktly speaking, companies are selling more tonic water than white Port (whose brand is unkown, despite being the main ingredient of these drinks) with a little white Port wine, but not too much, about 8,3cL, so too much liberality on the tonic water, to which is added a fleeting note, an impression or an aroma of white Port wine. All this will be even more diluted if ice is added. Thus, the 25cl canned proposals must be rejected, above all for the indignity of proportions and for constituting a limitation on the individual freedom of the serious connoisseur of a good aperitif.

And no, it doesn't seem to me that this is a getway to the special Port wine wolrd, that whoever starts trying one of this cocktails in a can ends up later devotting attention and valuing vintage Port or old tawnies.

4. A much more interesting starting point, with great benefit, would be a more generous and honest proportion, 1/2 + 1/2 for a good classic White Port and tonic, and not to use in white Port and tonic the usual proportions of other cocktails with destilled drinks in vogue. In any case don't be restrictive.

5. Another good and simpler alternative is, white, pink Port wine or "Quinado", just on its own, on the rocks with a slice of lemon.

6. The moment: it's a drink for the whole year round and not just remembered and tasted in Spring and Summer.

    Because less is more, in today's feverish perspective on colorful and bold mistures, the proclaimed "mixologies", we must not forget the pleasure of the starting point, the white Port wine of different styles and varying degrees of sweetness, some more serious, that have gone through longer stages of wood ageing, with some evolution and more complex, for which I dare not advise and promote its mixture even in a simple cocktail, but should be reserved to be tasted fresh (6ºC to 10ºC), simple, on their own, in a classic Port wine glass or a good white wine glass, thus maintaining their full identity, complexity and dignity (and ours too, I trust), all the aromas and flavors that have developed over the years of ageing. More than one of these options should always be kept in the fridge, a wise option....

    A more general final note, to whom it applies, on the aesthetic side of the act of drinking an aperitif: when holding the cocktail glass (in any case, any other wine glass) the little hand finger should not be stretched out on the base of the glass, a position that is not only unaesthetic, but also it's an attitude that causes excessive stress on the remaining hand fingers that hold the glass.


    Note: (1) "Quinado" wine: appeared in the 1920's, it was then a Port wine style, that was based on a ruby Port wine to which very small doses of quinine were added, considered a wine with fortifying propertries. It was much appreciated as an aperitif in the former portuguese colonies (where it was consumed as preventive for malaria), regions with warmer climates, such as Brazil.

©Hugo Sousa Machado


O Manifesto do Porto Tónico, P&T

1. São admissíveis, idealmente, vinhos do Porto brancos extra-secos e secos, mas também meio-secos e mesmo doces. Estamos a pensar em vinhos do Porto brancos jovens. Para não ser demasiado conservador, acrescente-se os vinhos do Porto rosés e ainda, com vantagem, o menos conhecido vinho "Quinado" (1).

2. Com uma rodela (ou mais) de limão, lima ou toranja (rodela cortada em quartos preferencialmente), folhas de hortelã, gelo fresco, i.e., gelo feito recentemente (feito em casa e com água mineral), o gelo velho, há muito guardado no congelador não serve. Versões mais imaginativas são obviamente possíveis, que acrescentam por exemplo tomilho fresco e outros ingredientes verdes e menos verdes, mais ou menos aromáticos e mais ou menos coloridos, principalmente reservados para das nas vistas...

3. O ponto crítico: para os apressados e mal orientados, arrivistas e adoradores da novidade pela novidade, os pobres iniciados pouco avisados e discípulos do diabo em geral, foram criadas as recentíssimas e muito inovadoras, irreverentes, modernas e simplistas propostas enlatadas 25cl do que chamam "Porto Tónico", "Portonic", "Grab and go", "Ready to drink cocktail", no entanto, estas versões caras e redutoras prejudicam gravemente a experiência e o conhecimento da diversidade dos vinhos do Porto brancos propostos pelas diferentes casas e disponíveis no mercado (o mesmo se poderá dizer das diversas marcas de água tónica), mas sobretudo, as proporções pouco liberais, indignas do apreciador, definidas à partida numa fórmula restritiva, ou seja, apenas 1/3 de Porto branco para 2/3 de água tónica, o que permite concluír que, em rigor, as firmas de vinho do Porto estão a vender sobretudo água tónica (que é incógnita, apesar de ser o ingrediente principal destas bebidas) com um pouco de vinho do Porto, mas não muito, são cerca de 8,3cl. Demasiada liberalidade na água tónica a que se junta um apontamento fugaz, uma impressão num aroma de vinho do Porto. Tudo isto ficará ainda mais diluído se se juntar gelo. Assim, as versões minimalistas 25cl enlatadas, do que se poderia chamar bebidas refrigerantes, devem ser rejeitadas, acima de tudo, pela proporção proposta e por constituírem uma séria limitação à liberdade do apreciador sério.

E não, não me parece que se trate de uma porta de entrada para o mundo dos vinhos do Porto especiais, que quem começa por experimentar um destes cocktails em lata, acabe mais tarde por dedicar a sua atenção e valorizar um Porto vintage ou um tawny envelhecido.

4. O ponto de partida aqui proposto, com maior proveito e muito mais interessante, deverá ser mais generoso, 1/2 + 1/2, e não aplicar ao Porto tónico as medidas correntes para outros cocktails com bebidas destiladas em voga. Nunca menos do que esta honesta proporção para um bom Porto tónico clássico. Em todo o caso, o princípio é não ser restritivo.

5. Outra alternativa simples a considerar será, vinho do Porto branco ou rosé, ou vinho "quinado", simplesmente, por si só, com gelo e limão.

6. Trata-se de uma bebida para todo o ano e não só falada e apreciada na Primavera e Verão.

    E porque menos é mais, com a febril perspectiva actual de misturas, a proclamada "mixologia", coloridas e arrojadas, não devemos esquecer o prazer do ponto de partida, os vinhos do Porto brancos de diferentes estilos e diversos graus de doçura, uns mais sérios, com mais anos de envelhecimento e mais complexos, para os quais não me atrevo a considerar ou promover qualquer mistura, mesmo no cocktail mais simples, devem ser reservados para serem apreciados com a temperatura correcta, frescos, simples, por si só, assim mantêm a dignidade (e confio que a nossa também), os aromas e sabores que conforme os casos, se desenvolveram ao longo de anos de envelhecimento. Mais do que uma destas opções no frigorífico é uma atitude avisada...

    Uma nota final mais geral, a quem se aplicar, sobre o lado estético do aperitivo: quando se segura o copo de cocktail (em todo o caso, qualquer copo de vinho), não deve ser dada preponderância ao dedo mínimo da mão, que deve descansar e não estar estendido e destacado na base do copo, uma posição que, para além de inestética, provoca desnecessária pressão sobre os restantes dedos da mão que segura o copo.

    Nota: (1) Vinho "Quinado": surgiu nos anos 20 do séc. XX, era então uma variedade de vinho do Porto que tinha como base um vinho do Porto ruby ao qual se adicionavam pequeníssimas doses de quinino, considerado um vinho com propriedades fortificantes. Era muito apreciado como aperitivo nas antigas colónias portuguesas (onde era consumido como preventivo para a malária), regiões de climas mais quentes, como o Brasil.

©Hugo Sousa Machado


terça-feira, 8 de março de 2022

The 2019 Vintage Port

 EN/PT

The 2019 Vintage Port wine comprehensive list, the brands, producers and their notes

The Vintage Port wine cellar at Cockburn's lodge, Vila Nova de Gaia

    The year 2019 was, generally, a year with favorable characteristics for the vine cycle in the Douro, it was a viticultural year that went by without any noteworthy upheavals (more information on this topic here: Douro, the 2019 harvest report) and without major weather extremes or unforseen climatic phenomena, weather conditions were generally beneficial. Winter and Spring passed with dry weather and low (insufficient) precipitation, low humidity levels and mild temperatures. In the vineyards, flowering took its course without problems to be noted. Dry weather continued in summer, which passed without the heat peaks we've seen in previous years, the month of August also turned out to be cooler with a situation of generalized drought in which the rain that appeared at the end of the month was benefitial in that stage of grape ripening. During the long harvest, that lasted for several weeks, the weather conditions were good. The grape maturation was regular, the musts were balanced and alcohol levels were controlled.

    However, despite conditions described, it was not a classic vintage Port year, a traditional generalized vintage declaration with the main brands of each Port wine house did not happen, it was rather a year in which the "Quinta" vintages or Single Quinta Vintage Ports (SQVP) and the vintage Port second brands of the Port wine firms prevailed, it was a so-called Off-Vintage year, with a lower total number of vintage Port declared than that of the immediately previous years. In any case, there were exceptions, there were firms that declared vintage Port with the mains brand of the house, suchs as Niepoort. 

    A year mainly of Single Quinta Vintage Ports also means vintages from a single location, from a single terroir, with a very defined character and geographical identity, that are produced with grapes from the vineyards of a single property that is identified on the bottle label. These vintages must always be excellent quality wines, as indeed the IVDP (Douro and Port Wine Institute), which is the entity that approves and certifies Port wine, in its final approval decision recognizes the superior characteristics of a Vintage Port and does not distinguish between classic Vintage Port and Single Quinta Vintage Port. After the final approval, this decision is the exclusive responsability of each Port wine house since their prestige is aldo at stake.

    The 2019 vintage Ports arrived later on the market and with some proposals announced that are kept in the producer's wine cellars for later commercial releases. Niepoort was the first to annouce its vintage on the 11st March 2021, which, as we mention before, the house considered a classic vintage. Then, the Sogevinus group, with two classic vintages, Calém and Barros, and two Single Quinta Vintage Ports, Burmester Quinta do Arnozelo and Kopke Quinta de S. Luíz. Fladgate Partnership declared 3 SQVP's, Croft Quinta da Roêda, Taylor's Quinta da Terra Feita and Taylor's Quinta de Vargellas, and a vintage Port with Fonseca's second vintage Port wine brand, Fonseca Guimaraens. In its turn, Symington Family Estates announced 6 SQVP's: Cockburn's Quinta dos Canais, Dow's Quinta do Bomfim, Dow's Quinta Senhora da Ribeira, Graham's Quinta dos Malvedos, Quinta do Vesúvio and Warre's Quinta da Cavadinha, of which were individually bottled small quantities that are usually the components of the house great classic vintages. In Quinta do Noval, in addition to Quinta do Noval Vintage Port, it was declared the "Noval Nacional".

     Also worth noting Churchill's Quinta da Gricha vintage, a special edition to celebrate the 20th anniversary of this property at Churchill's. There was a debut to highlight, the Nicolau de Almeida Porto Vintage, the first edition of a vintage of this new phase of an old Port wine firm. 

    As will be seen from the list below, there were many producers that did not declare a 2019 vintage Port, including some important houses such as Ramos Pinto.

    In any case, it was a year that produced good quality wines, whose main characteristics are aromatic intensity, a good balance, freshness and good acidity (to the detriment of body and structure) and from which there was an increase in quanities produced compared to previous years which were years of low vintage Port wine production.

     We registered 50 Vintage Ports from 35 producers, organized alphabetically as follows:


O Porto Vintage 2019

A lista completa dos Portos vintage 2019, as marcas, os produtores e as informações técnicas

    O ano de 2019 foi genericamente um ano com características favoráveis ao ciclo da vinha, foi um ano vitícola que decorreu sem sobressaltos (mais informações sobre o ano vitícola: Douro, o relatorio da vindima 2019) e sem grandes extremos nem fenómenos climatéricos imprevistos em que as condições climatéricas foram benéficas. Um Inverno e Primavera com tempo seco, com baixa (e insuficiente) precipitação, baixos índices de humidade e temperaturas amenas. Nas vinhas, a floração decorreu sem problemas. O tempo seco manteve-se no verão, que decorreu sem picos de calor e o mês de Agosto acabou também por ser mais fresco, com seca generalizada, em que a chuva que apareceu no final de Agosto acabou por ser benéfica naquela fase do amadurecimento das uvas. Durante a longa vindima que se prolongou durante várias semanas, as condições climatéricas foram boas. Foi um ano em que as maturações foram regulares, os mostos equilibrados e os teores alcoólicos controlados.

    Apesar das condições descritas, 2019 não foi um ano de Porto vintage clássico, de declaração tradicional generalizada com as principais marcas de cada casa, foi antes um ano em que surgiram os Vintages de Quinta ou Single Quinta Vintage Port (SQVP) e as segundas marcas das firmas de vinho do Porto, um ano Off-Vintage, com um número total de vintages declarados menor do que em anos imediatamente anteriores, no entanto, houve excepções, produtores que declararam vintage clássico com a marca principal da casa, como a Niepoort. 

    É um ano, sobretudo de vintages de quinta, de um só local, de um só terroir, com o caractér e a identidade geográfica muito definida, produzidos com uvas das vinhas de uma só propriedade que é identificada no rótulo. Estes vintages não deixam de ser vinhos de excelente qualidade, como não podia deixar de ser, aliás, o IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e Porto), que é a entidade responsável pela aprovação e certificação dos vinhos do Porto, com a decisão de aprovação, reconhece as superiores características de um Porto vintage e não faz a distinção entre Vintage clássico e Single Quinta Vintage Port. Após a aprovação, essa decisão é da exclusiva responsabilidade das casas produtoras de vinho do Porto, estando aqui também em causa o seu prestígio.

    Os vintages de 2019 chegaram mais tarde ao mercado e com algumas propostas anunciadas que são mantidas nas caves dos produtores para lançamentos posteriores. A Niepoort foi a primeira cada a anunciar o seu vintage no dia 11 de Março 2021, que a casa considerou clássico. De seguida, a Sogevinus, com dois vintages clássicos, Calém e Barros e dois Single Quinta Vintage Port, Burmester Quinta do Arnozelo e Kopke Quinta de S. Luíz. A Fladgate Parnership declarou três SQVP, Croft Quinta da Roêda, Taylor's Quinta da Terra Feita e Taylor's Quinta da Vargellas e um vintage com a segunda marca da Fonseca, o Fonseca Guimaraens. Por sua vez a Symington Family Estates anunciou 6 SQVP; Cockburn's Quinta dos Canais, Dow's Quinta do Bomfim, Dow's Quinta Senhora da Ribeira, Graham's Quinta dos Malvedos, Quinta do Vesúvio e Warre's Quinta da Cavadinha, dos quais engarrafou individualmente pequenas quantidades, destes vinhos que costumam ser os componentes dos grandes vintages clássicos da casa. Na Quinta do Noval, para além do vintage da casa, foi um ano especial de "Noval Nacional".

    De notar a edição especial do vintage Churchill's Quinta da Gricha para comemorar os vinte anos desta propriedade na Churchill's. Houve também uma estreia a destacar, o Nicolau de Almeida Porto Vintage, uma primeira edição deste vintage da nova fase de uma marca antiga de vinho do Porto.

    Como se verificará da lista aqui publicada, houve bastantes produtores que não declararam Porto vintage em 2019, entre os quais importantes firmas como a Ramos Pinto.

    Em todo o caso, foi um ano que originou vinhos de boa qualidade, com intensidade aromática, equilibrados, com frescura e boa acidez (em prejuízo do corpo e estrutura) e em que houve um aumento das quantidades produzidas relativamente a anos anteriores, que foram anos de produções baixas.

    Registamos 50 vintages de 35 produtores.

© Hugo Sousa Machado 

     more information on previous vintage Port declarations (links):

     mais informações sobre anteriores declarações Porto vintage (links):

The 2018 Vintage Port - O Porto vintage 2018


The 2017 classic Vintage Port - O Porto Vintage clássico 2017 

The 2016 classic Vintage Port - O Porto Vintage clássico 2016

The 2015 Vintage Port - O Porto Vintage 2015

The 2014 Vintage Port - O Porto Vintage 2014 

The 2013 Vintage Port - O Porto Vintage 2013 

The 2012 Vintage Port - O Porto Vintage 2012vintage

The 2011 classic Vintage Port - O Porto Vintage clássico 2011

The Vintage Port wine general chronology chart

 

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Crusted Port and Quevedo Porto Crusted

 EN/PT

     Considering the less obvious Port wines, very unfairly unknown, little or not at all considered by consumers and even by expert wine critics, and often difficult to find, and certainly the most unusual Port wine special category, but at the same time high quality special wines, which offer a lot for very reasonable prices.

   Crusted Port or "crusting Port" is a Port wine special category, truly a wine for a Port connoisseur, in the words of John Graham. These are Port wines full of character, very interesting and of great quality, and with some curiosities...

     "Crusted" is a rare Port wine category, residual, when quantities produced are considered, that like other wines of the ruby Port family, such as Vintage Port and Late Bottled Vintage, age in bottle. They represent a style of wines with a great character of their own and, unlike Vintage and LBV Ports, do not come from a single harvest or vintage. Traditionally, they are made from a blend of young superior quality wines from 2 or 3 single harvests, as a rule successive years, combining its best characteristics. Always bottled without any filtration, and part of its ageing takes place in bottle, which will contribute to its identity, since over the years it will form a natural deposit or sediment that accumulates on the inner walls of the bottle, i.e., it will form a "crust", hence the name "crusted". It´s an English style Port wine, with lots of color, lots of young fruit, tannins and full-bodied.

     Another peculiarity are the two phases for its control and approval by the IVDP (the Douro and Port Wine Institute, the entity that controls the quantity and quality of the Port wine produced, aswell as guaranteeing its origin), at first, before bottling, when the quality similar to a Vintage Port is evaluated and, later, after at least three years in bottle, for final approval before being marketed and when the existence of " a deposit adhering to the walls of the bottle" is verified.

     The date on the bottle label refers to the bottling date. It can also appear with the complementary mentions "bottle matured", "bottle aged" or "aged in bottle".

     Currently, in the Port wine producing houses universe, very few are dedicated to this style of Port (Buttler Nephew & Co., Churchill's, Dow's, Fonseca Guimaraens, Graham's and more recently Quevedo), despite having been much more common and popular in the past, especially in the british market, its market par excellence, where it is a speciality, and which determined its historical origin at a time when vintage port was exported in casks and bottled at its destination by importing firms. Over the years, it has given way to the successive generalization and diversity of the LBV Port wines that, although being part of the same family, represent different styles.

    The Quevedo Porto Crusted. Apparently, Quevedo is the first portuguese Port wine house to produce a Crusted Port. This is the second edition and was bottled in 2016, after the first Crusted bottled in 2012. It was made from a blend that combines two young wines of vintage quality, from 2013 (50%) and 2014 (50%) harvest years. These components spent two years in stainless steel vats and after being blended and before bottling, the wine underwent a period of 18 months in a large wood vat, for oxygenation and a little evolution that also promotes sediment formation and will allow it to be appreciated earlier than a vintage Port. It was bottled unfiltered like all wines of this style, in 2016 (6.120 bottles were filled) and kept for three years in bottle in the house's winecellars, before being commercially released. These wines always represent very small productions.

    Tasting

    Before serving and tasting it, the bottle must be kept upright for a few hours, to allow gravity to act and the sediment to settle and acummulate at the bottom of the bottle. Ideally, the wine should be decanted before serving or, if lazyness wins (here was not the case, to show an image of the sediment described earlier), it doesn't have to be much more complicated than serving it with slow movements so as not to agitate the sediment.

    The wine has a very dark an intense ruby color. It has a pronounced aroma, full of immediate perceptible aromatic suggestions of black and red fruits, blackberries, raspberries and cherries, some floral notes and more discreet spicy nuances. Without sweetness excesses, medium-dry, full-bodied and balanced, with a good acidity, the tannins are felt but are softened by the ageing period that has already elapsed, tasty with some creaminess in the mouth, and maintaining the predominant black fruit profile, ripe blackberries and plums, some peppery. With prolonged aftertaste. It is great to drink it now but is has the potential to evolve in bottle over the years and gain complexity.

    With intensity and quality, with the good character of this style of Port wine. In short, a safe value that is essential to get to know...

   The ideal serving and tasting temperature will be aroud 15ºC (slightly below cellar temperature), so it should be cooled for a while before serving, however if it gets to cool, it shouldn't be a concern, it will quickly reach the ideal temperature in the glass.

    Once opened, ideally, it should be drunk within 5 days, which will not be difficult, by the way. Of course, after this period, the wine will not spoil overnight, however this way you will get the most of the wine and  not run the risk of loosing the aroma and flavor freshness.

    Finally, it's a wine that can be perfectly kept in cellar for 10 and more years, stored horizontally.


This wine was kindly provided by Portugal Vineyards (website)

© Hugo Sousa Machado

 

Porto Crusted e Quevedo Porto Crusted

    No capítulo dos vinhos do Porto menos óbvios, muito injustamente desconhecidos e pouco ou simplesmente nada considerados pelos consumidores e mesmo pelos críticos da especialidade, muitas vezes difíceis de encontrar, certamente a categoria mais invulgar de vinho do Porto, mas também dos vinhos especiais de grande qualidade, que oferecem muito por preços muito razoáveis.

    O Porto Crusted ou "crusting Port" é uma categoria especial de vinho do Porto, verdadeiramente um vinho para um connoisseur de Porto, nas palavras de John Graham. São vinhos cheios de caractér, muito interessantes, de qualidade superior e com algumas curiosidades...

    O vinho do Porto Crusted é uma categoria rara, residual se considerarmos as quantidades produzidas. Tal como os outros vinhos do Porto da família ruby, como o Late Bottled Vintage e o Porto Vintage, envelhecem em garrafa, mas que ao contrário destes, não têm origem numa única colheita ou vindima. Tradicionalmente são elaborados a partir de uma lotação de vinhos jovens de qualidade superior de 2 ou 3 colheitas que, por norma, são sucessivas, combinando as melhores características desses anos. São engarrafados sem qualquer filtragem e parte do seu estágio decorre em garrafa, o que constituí parte da sua identidade, uma vez que, com o passar dos anos vai formar um depósito natural ou sedimento que se acumula nas paredes da garrafa, i.e., forma-se uma "crosta", daí ter adoptado a designação "crusted". É um vinho do Porto à inglesa, com muita côr e muita fruta jovem, taninos e encorpado.

    Outra peculiaridade são os dois momentos de controlo e aprovação pelo IVDP (a entidade que controla a quantidade e qualidade do vinho do Porto produzido, para além de garantir a sua origem), num primeiro momento, antes do engarrafamento, onde é avaliada a qualidade próxima de um vintage e, posteriormente, passado um período mínimo de três anos de estágio em garrafa, para a avaliação final antes de chegar ao mercado, onde é confirmada a existência de "um depósito aderente às paredes da garrafa". 

    A data que surge no rótulo é a data do engarrafamento. Pode também surgir com a menção complementar "bottle aged", "bottle matured" ou "envelhecido em garrafa".

    Actualmente, no universo das casas produtoras de vinho do Porto, são muito poucas as que se dedicam a este estilo (Buttler Nephew & Co., Churchill's, Dow's, Fonseca Guimaraens, Graham's, Niepoort e mais recentemente a Quevedo), apesar de já ter sido bastante mais comum e popular no passado, sobretudo no mercado britânico, o seu mercado por excelência, onde é uma especialidade, e que esteve na sua origem histórica numa época em que o vinho do Porto era exportado em pipa e engarrafado no destino pela firma importadora. Com o passar dos anos tornou-se menos comum e foi cedendo à generalização e diversidade, principalmente, do vinho do Porto LBV, embora representem estilos diferentes.

    O Quevedo Porto Crusted. Ao que parece a Quevedo é a primeira casa portuguesa a produzir um vinho do Porto Crusted. Este é a segunda edição e foi engarrafado em 2016 depois do primeiro Crusted engarrafado em 2012. Foi elaborado a partir de um lote que combina as características de dois vinhos jovens diferentes de anos sucessivos e de qualidade vintage, das colheitas de 2013 (50%) e 2014 (50%). Estes componentes passaram dois anos em cubas de inox e, depois de lotados e antes do engarrafamento, o vinho passou 18 meses em tonel de madeira, para alguma oxigenação e um pouco de evolução, que vai também promover a criação de sedimento e permitir ser apreciado mais cedo do que um Porto Vintage. Foi engarrafado sem filtragem (6.120 garrafas) e mantido em garrafa nas caves da casa, durante três anos, antes de saír para o mercado. São sempre produções muito pequenas.

    A prova 

    Antes de servir, a garrafa deve ser mantida na vertical por umas horas, para deixar a gravidade actuar e o sedimento acumular-se no fundo da garrafa. Idealmente deve ser decantado antes de servir ou, se a preguiça vencer, (aqui não foi o caso para mostrar uma imagem do sedimento que referimos atrás) não deverá ser muito mais complicado do que servir com movimentos lentos para não agitar o depósito.

    Com uma côr rubi muito escura e intensa. Tem um aroma pronunciado, cheio de sugestões aromáticas imediatas de fruta negra e vermelha, amoras, framboesas e cerejas, notas florais e nuances especiadas mais discretas. Um vinho sem excessos de doçúra, meio-seco, encorpado, com boa acidez e fresco, sentem-se os taninos suavizados pelo tempo de estágio, saboroso, com alguma cremosidade na boca, mantendo o perfil predominante de notas de fruta preta madura, amoras e ameixa preta, algum apimentado. Com um final que se prolonga na boca. Bebe-se muito bem desde já mas com capacidade para evoluír em garrafa e ganhar complexidade com o tempo.

    Um vinho com boa intensidade e qualidade, com o caractér próprio deste estilo de vinho do Porto, um valor seguro que é obrigatório conhecer...

    Deve ser servido a uma temperatura ideal de aproximadamente 15ºC, por isso, deve ser refrescado no frigorifico antes de servir, no entanto, se a temperatura do vinho estiver demasiado baixa, rapidamente no copo atingirá a temperatura ideal. 

    Depois de aberto, idealmente, deverá ser consumido no prazo de 5 dias, o que não será difícil, diga-se. Evidentemente que o vinho não fica estragado de um dia para o outro, no entanto, não se correm riscos de perder a frescura de aromas e sabores. 

    É um vinho que pode ser guardado em garrafeira, por 10 anos ou mais, com a garrafa deitada.

 

Este vinho foi gentilmente enviado pela Portugal Vineyards (website)

© Hugo Sousa Machado