terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

4 questions to Alex Bridgeman, the "face" of The b.f.t.

EN/PT

    A focus on fortified wines, the attention they deserve

                                                                           with permission The b.f.t.


Alex Bridgeman
    Just a few weeks away from the next the b.f.t. 9th edition, which will be held as in previous editions, at Church House Conference Centre, in Westminster, London, we publish the interview Alex Bridgeman granted us, currently and since the last b.f.t. edition, the main responsible and the "face" of this event.

    PtoPwine: Personally what is your relationship or feeling about fortified wines and Portuguese fortified wines in particular?
    AB: When I was 21, my grandparents opened a bottle of Taylor's 1963 vintage Port (I was born in 1963). When I said I liked it, my grandfather was very disappointed. He explained he had hoped I would not like vintage Port because then he would be able to keep the other 12 bottles of Taylor's 1963 for himself. He was very sad when he gave me the rest of my 21st birthday present from my grandparents, but very happy over the next few years when he shared one with me from time to time to celebrate birthdays. My last bottle from the case was opened to celebrate my 50th birthday and the memory of my wonderful grandparents. I have always had a love of fortified wines, especially of Port and wines made in a similar way, such as Cape vintage from South Africa, and was deeply honoured a few years ago to be elected as a Cavaleiro da Confraria do Vinho do Porto. I am also a frequent contributor to the website theportforum.com, where there is a database of around 5.000 tasting notes on Port of all types.

    PtoPwine: Why the need of an exclusive fortified wine tasting?
  AB: Fortified wines are - quite wrongly - overlooked by so many people. They are amazing examples of the skill of the winemaker and because they are often made as almost as a hobby, they frequently represent amazing value for money. At a normal wine fair, such as the London Wine Fair, 99% of the wines shown are table wines. Anyone looking for a fortified as to search through the entire show to find perhaps 10-15 examples. At a wine show dedicated to fortified wines people who attend are looking specifically for this style of wine and know that everything on show is in this category. At the same time the producers who are showing their wines, know that the people attending are people buying, selling, serving or writing specifically about fortified wines. I learned so much at the show about styles of fortified wine which I've not drunk often before - chilled sherry from the fridge during the hot summer or white Port and tonic over ice have been delightful drinks this year.

    PtoPwine: How do you see the evolution of The b.f.t. since its first edition? Is there a growing interest in fortified wines?
    AB: The first b.f.t. was organized by Danny Cameron and had 12 exhibitors and aroud 100 visitors. The first show was a great success and generated a lot of interest among buyers and producers and the second year was much bigger. After a few years the show grew to the point where it needed to move to a larger venue and relocated to Church House in Westminster. Interest in fortified wines is growing, but these are definitely not mainstream wines - even though they should be. There are more Sherry bars and tapas bars serving Sherry in London than 10 years ago and Port bars or restaurants specialising in Port are starting to open. I hope that by making it easier for bars and restaurants owners to meet the producers we are doing our small part to help the growth of the consumer's interest in fortified wines.

    PtoPwine: What are the perspectives for The b.f.t. 2019 edition?
    AB: In 2016 the show was organized by Ben Campbell-Johhston. Sadly, he died in late 2016 and the show did not run in 2017. I felt very strongly that fortified wines should continue to have their own show where trade consumers and buyers can learn more about these very special wines and, hopefully, to continue Ben's wonderful legacy. The show is relative small, with around 40 producers showing 200 wines to about 400 visitors. The size is perfect as it allows the show to be relatively intimate and for producers and visitors to spend a good amount of time with each other. We are working hard in 2019 to increase the number of independent wine merchants and on trade operators who visit the show and are looking at the possibility of including a mixologist who can show visitors the versality of these wines in cocktails, but we don't plan to increase the size of the show too far.
                                                                                 with permission The b.f.t.

4 perguntas a Alex Bridgeman, o responsável pelo The b.f.t.


A atenção que os vinhos fortificados merecem

    A menos de 2 meses da próxima edição do The b.f.t., a 9.ª, que este ano se realizará a 16 de Abril, na Church House Conference Centre, Westminster, em Londres, como em anos anteriores, publicamos a entrevista que Alex Bridgeman nos concedeu. Alex Bridgeman é, actualmente e desde a última edição, o responsável e a face de toda a organização deste acontecimento.

    PtoPwine: Pessoalmente qual é a sua relação e opinião sobre os vinhos fortificados em geral e os portugueses em particular?
     AB: Quando eu tinha 21 anos, os meus avós abriram uma garrafa de vintage Taylor's 1963 (nasci em 1963). Quando eu disse que tinha gostado, o meu avô ficou muito desapontado e explicou-me que esperava que eu não gostasse do vinho do Porto para ficar com as restantes 12 garrafas de Taylor's vintage 1963 para si. Ficou muito triste quando me ofereceu o resto do meu presente de 21 anos de aniversário, mas ficou muito feliz nos anos seguintes, quando compartilhava comigo uma garrafa deste vintage, de vez em quando, para celebrar aniversários. A minha última garrafa deste conjunto foi aberta para celebrar o meu aniversário de 50 anos e a memória dos meus maravilhosos avós. Sempre gostei muito de vinhos fortificados, especialmente de vinho do Porto e de vinhos similares, como o Cape vintage, da África do Sul e fiquei profundamente honrado quando, há alguns anos atrás, fui eleito Cavaleiro da Confraria do Vinho do Porto. Também sou um colaborador frequente do site theportforum.com, onde existe um banco de dados com cerca de 5.000 notas de prova de todos os tipos de vinho do Porto.

    PtoPwine: Porquê a necessidade de uma apresentação exlusiva de vinhos fortificados?
    AB: Os vinhos fortificados são - muito injustamente - a maioria das vezes, esquecidos. Mas são vinhos que são exemplos surpreendentes da perícia do produtor e porque são frequentemente produzidos quase como um passatempo, para além de frequentemente terem uma boa relação qualidade preço. No geral das apresentações dedicadas ao vinho, como a London Wine Fair, 99% dos vinhos são vinhos de mesa. Quem procura um determinado vinho fortificado tem de procurar por todo o evento para encontrar talvez 10 ou 15 exemplos. Numa mostra de vinhos dedicada a vinhos fortificados, as pessoas vão especificamente por este tipo de vinho e sabem que todos os vinhos apresentados são deste estilo. As mesmo tempo, os produtores que apresentam os seus vinhos, sabem que as pessoas presentes são pessoas que compram, vendem, servem ou escrevem especificamente sobre vinhos fortificados. Tenho aprendido muito neste evento sobre estilos de vinhos fortificados que não tinha bebido muitas vezes - sherry fresco no frigorífico durante o Verão ou Porto branco e água tónica com gelo, têm sido bebidas deliciosas.

    PtoPwine: Como vê a evolução do The b.f.t. desde a sua primeira edição? Existe um interesse crescente nos vinhos fortificados?
    AB: O primeiro b.f.t. foi organizado por Danny Cameron e teve 12 expositores e cerca de 100 visitantes. A primeira edição foi um grande sucesso e gerou muito interesse entre compradores e vendedores e o segundo ano foi muito maior. Depois de alguns anos, o evento cresceu até ao ponto em que era preciso mudar para um local maior, a Church House em Westminster. O interesse em vinhos fortificados está a aumentar mas definitivamente não são vinhos convencionais - embora devessem ser! Há mais bares de xerez e bares de tapas que servem xerez em Londres do que há 10 anos atrás e estão a começar a aparecer bares e restaurantes especializados em vinhos do Porto. Esperamos que, ao tornar mais fácil aos proprietários de bares e restaurantes o conhecimento de produtores, estejamos a fazer a nossa pequena contribuição para ajudar ao crescimento do interesse do consumidor nos vinhos fortificados.

    PtoPwine: Quais as perspectivas para a edição de 2019?
    AB: Em 2016 o evento foi organizado por Ben Campbell-Johnston que, infelizmente faleceu no final desse ano e o b.f.t. acabou por não se realizar em 2017. Tenho a forte convicção que os vinhos fortificados devem continuar a ter o seu próprio espaço, onde consumidores e compradores podem aprender mais sobre estes vinhos especiais e, com sorte, poder continuar com este legado do Ben. O evento é relativamente pequeno, com aproximadamente 40 produtores que apresentam cerca de 200 vinhos para cerca de 400 visitantes. Este tamanho é perfeito, pois permite que o programa seja relativamente intimista e que produtores e visitantes passem bastante tempo juntos. Estamos a trabalhar intensamente para em 2019 aumentar o número de comerciantes de vinhos independentes e os operadores de comércio que visitam o evento estão a considerar a possibilidade de incluir um mixologista que possa mostrar aos visitantes a versatilidade destes vinhos em cocktails, mas não estamos a planear aumentar muito mais o tamanho do evento.

    Os nossos agradecimentos a Alex Bridgeman e o maior sucesso para o The b.f.t..

©hsm

    
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

The 2016 classic Vintage Port

EN/PT


The 2016 Vintage Port comprehensive list, the producer's and their notes.



     The 4th classic vintage Port of this century, 5 year after the extraordinary 2011 vintage ports, and after all the doubts and indecisions among winemakers and producers regarding a possible 2015 vintage declaration, which nevertheless was a year with very good conditions to produce vintage Port, we now have the 2016 vintage declaration.
    It was the result of a very difficult, demanding and challenging wine year for winegrowers, in which their experience and knowledge of the vineyards was absolutely fundamental to the critical decision of the right moment to harvest.

    To understand these wines (and in fact all wines) it is necessary to know all the peculiarities of the wine year that originated them. see more information: the douro 2016 harvest report

    Despite the number of the 2016 vintages declared, that we have recorded so far (91), however, it seems clear that, also taking into account the 2015 vintage Port declaration and although we are always within the scope of a classic generalized and comprehensive declaration, considering the number of producers who declared the 2016 vintage with their mains brands and the indisputable extraordinary quality of these wines, there were also important exceptions, houses that took the option of not declaring 2016 (such as Ramos Pinto) thus assuming the 2015 declaration preference, and others that reserved their main brands for the 2015 declaration (such as Niepoort and Alves de Sousa), facts that did not occur in the 2011 classic vintage declaration.

    In 2016, the quantity of vintage Port produced was lower, a consequence of the wine year characteristics, but also the commercial strategy of the main reputed companies to progressively value this special Port wine category, with the consequent price increase. This trend began to be noticed with the 2011 vintage Ports and after almost a quarter of a century (since the end of the 1980's) in which demand had slowed.

    We also have news, companies that declared their first vintage Port or new vintage Port brands, the first editions: Dona Otília - Ferreira Porto Vintage Vinhas Velhas - Quinta da Água Alta - Quinta do Pôpa - Quinta dos Lagares - Talentvs Quinta Seara D'Ordens.

    The list details:


Our thanks to the companies who collaborated in this publication with all the information provided.

(please send further relevant information to: ptopwine@gmail.com)



A lista completa dos Porto Vintage 2016, os produtores e as suas notas


    O 4.º vintage clássico deste século, 5 anos depois do extraordinário vintage de 2011 e de assistirmos a todas as dúvidas e indecisões entre produtores e enólogos relativamente à declaração vintage do ano de 2015, que apesar de tudo, foi um ano com excelentes condições para a produção de Porto vintage, temos a declaração de 2016.

    Foi o resultado de um ano vitivinícola muito dificíl, exigente e desafiante para os produtores, em que foi indispensável toda a sua experiência e conhecimento da vinha na decisão do momento certo da vindima.    
    Para compreender estes vinhos (como todos os vinhos) é preciso conhecer as peculiaridades do ano que os originou. mais informação em:douro, o relatório da vindima 2016 .

    Apesar do número de vintages declarados que registamos até agora (91), no entanto, parece claro que, considerando também as declarações vintage em 2015, apesar de estarmos sempre perante uma declaração clássica de âmbito muito alargado e generalizado pelo grande número de produtores que declararam vintage em 2016 com as suas principais marcas e pela extraordinária qualidade dos vintages apresentados, houve importantes excepções, casas que assumiram a opção clara de não declarar 2016 e a preferência por 2015 (como a Ramos Pinto) e outras que reservaram as principais marcas para a declaração de 2015 (Niepoort e Alves de Sousa), o que não aconteceu na última declaração clássica de 2011.

    Em 2016 a quantidade de Porto vintage produzido foi menor, consequência das circunstâncias especificas do ano vitícola, mas também a estratégia comercial de muitas casas produtoras para a valorização progressiva desta categoria especial de vinho do Porto e o consequente aumento de preços. Esta tendência de valorização começou a ser marcada pelos vintages de 2011, depois de quase um quarto de século (desde finais dos anos 80 do século passado), em que a procura tinha abrandado.

    Existem também novidades nesta declaração, casas produtoras que declararam vintage pela primeira vez, assim como casos de primeiras edições: Dona Otília - Ferreira Porto Vintage Vinhas Velhas - Quinta da Água Alta - Quinta da Oiveirinha - Quinta do Pôpa - Quinta dos Lagares e Talentvs Quinta Seara D'Ordens.



  O nosso agradecimento às empresas que colaboraram nesta publicação com as informações e os esclarecimentos prestados.

(para envio de informação complementar, que agradecemos: ptopwine@gmail.com)

©hsm



    

domingo, 20 de janeiro de 2019

Dirk Niepoort dixit...

EN/PT


    The opinion of Port and Douro wine producer Dirk Niepoort on the Port wine sector, a current and lucid view:

    "One of the problems of the Port wine sector is that the Port houses want to "democratize" this wine as a way to develop their business. Democratizing is important in everything, but here democratization becomes trivialization. I would like to see Port as a "snob" and old-fashioned product, even elitist, but not banalized, which is what is becoming when ways are invented to get people to drink at any moment cheap Port. The future of Port wine is inseparable from the Douro wine and the Douro region future. In my view, we should reduce the quantity of Port wine produced, leave the excessive dependence we have on the cheap Port wines sold in supermarkets and focus on the higher Port wine categories (as is the case of the Colheita Ports), increase the overall quality and, consequently, increase prices. Port wine should be regarded as something very special, rare and desirable, that is not for everyone and not for everyday.".

    (in "Vinhos Grandes Escolhas" magazine, n.º 17, September issue).

    A opinião de Dirk Niepoort sobre o sector do vinho do Porto, uma perspectiva actual e lúcida:

    "Um dos problemas do sector do vinho do Porto são as casas quererem "democratizar" este vinho como forma de desenvolver o negócio. Democratizar é importante em tudo, mas aqui a democratização transforma-se em banalização. Eu gostava mais de ver o vinho do Porto como um produto "snob" e antiquado, elitista se quisermos, mas não banalizado, do que aquilo que se está a tornar quando se inventam formas para levar as pessoas a beber um Porto barato a qualquer momento. O futuro do vinho do Porto é indissociável do Douro vinho e Douro região. A meu ver deveríamos reduzir a quantidade de vinho do Porto, deixar a excessiva dependência que temos do vinho do Porto barato para supermercados, apostar mais nas categorias superiores (como é o caso dos Colheita), aumentar a qualidade geral e, consequentemente, o preço dos vinhos. O Porto deveria ser encarado como algo de especial, raro, desejável, que não é para todos nem para todos os dias.".

    (in revista "Vinho Grandes Escolhas", n.º 17, edição de Setembro 2018).

©hsm