terça-feira, 28 de abril de 2020

The 2017 classic Vintage Port

The 2017 Vintage Port comprehensive list, the brands, producer's and their notes 

EN/PT
PtoPwine archive

2017, "an absolutely mandatory Vintage Port declaration"

    The year "that could not fail to be declared as classic Vintage"Always an exciting event, a classic Vintage Port wine declaration and also a "back-to-back" declaration, i.e., two consecutive Vintage Port classic declarations considering the previous 2016 vintage.
    A brief introduction, before the complete Vintage Port wine list below, to record some fundamental notes that define the 2017 classic Vintage declaration... of what has been said and written, the facts and figures:
  • Yes, the 5th classic declaration of the XXI century was the widest ever, the numbers are; 101 Vintage Port wines declared and presented by 65 producers. However, in detail, one of the major groups in the sector, Sogrape (which represents the Port wine brands, Ferreira, Offley and Sandeman) did not accompanied the classic declaration with its main Vintage Port brands, but (very successfully) presented their Single Quinta Vintage Port wines with a special highlight for the "Sandeman Quinta do Seixo Vintage Port 2017", which was awarded the maximum score, 100pts,  by the influential american magazine "Wine Enthusiast".
  • Considering the previous 2016 classic declaration, we have two consecutive classic declarations or the so-called "back-to-back" declaration, an uncommon event in the long classic Vintage Port wine history, throughout the historical records, since 1756 we counted 13 "back-to-back" or consecutive general declarations and 4 records of 3 consecutive declarations (more information: the classic vintage port wine chart) and as a curiosity, the Symington Family Estates group declared two consecutive classic vintages for the first time in the particular Vintage Port records of this important house.
  • It was a year with unsual climatic characteristics, extremely hot and dry, there was a generalized drought situation, and the harvest was very antecipated to dates of which there is no memory in the Douro wine region (see the: Douro, the 2017 harvest report
  • Yields and production were very low, generally 30% less than average.
  • "Is tradition no longer what it was?" considering the set of the 2015, 2016 2017 Vintage declarations, we have 3 years with their own specific characteristics but with wines of extraordinary quality. 2015 had all the characteristics to be declared a classic vintage year but turned out not to be, it was a year similar in many ways to 2017 and that originated great Vintages (a year to consider for good purchases), and then 2016, a very demanding and difficult year for producers and the less obvious year to be declared and that turned out to be a classic vintage. In short 3 years that gave rise to Vintage Ports of exceptional quality.        It was suggested that, as a result of the current viticultural and oenological developments and refined techniques and the great improvement of the grape spirit used in the Port wine fortification process, the tradition of declaring 3 to 4 classic Vintage Ports per decade would be an outdated concept. However, this  opinion overlooks the commercial advantages of maintaining an image of classic Vintage Port as a unique, distinct and rare product, which would be called into question with a regular almost predicatble annual production, just as, in pratice this is ensured by the producer's second Vintage Port brands or Single Quinta Vintage Ports.
  • A new or modern Vintage Port wine profile, a trend that started to emerge with the 2011 Vintage declaration and that is increasingly evident, along with the traditional style Vintages, concentrated, extracted and closed wines, the progressive emergence of a new and "modern" Vintage Port profile, elegant, with a better balance between maturation and acidity and approachable when young, without however compromising its ageing capacity.
  • What's new?, we registered four new editions, the "Croft Quinta da Roêda Sérikos Vintage Port", from the old vineyards of this historic Douro quinta, the "Quinta dos Avidagos Vintage", the "Sequeira Vintage" and the "Soares Duarte Vintage". A note concerning the Quinta do Passadouro, that after its acquisition by Quinta do Noval last August 2019, and until the present publication had not presented a Quinta do Passadouro 2017 Vintage, so it was not included in the list below.
  • The main general characteristics that define the 2017 Vintage Ports: concentration, structure, density and, against all expectations, a very good balance.
    We are not far from reality if we say that we are currently witnessing the best Vintage Port in the long history of this extraordinary wine.

    Alphabetically, the 2017 classic Vintage Port list, the producer's and their notes:


Our thanks to all producer's who collaborated to the present publication.

A lista completa dos Porto Vintage 2017, os produtores e as suas notas  


Vintage Port tastings on hot summer days implies practical measures to maintain civilized temperatures, 16º to 18ºC / as provas nos dias mais quentes de verão implicam medidas práticas para manter os vinhos a temperaturas civilizadas, 16º a 18ºC. (PtoPwine archive).

2017, "uma declaração absolutamente obrigatória"
    O ano "que não podia deixar de ser declarado como Vintage clássico". Uma declaração clássica de Porto Vintage é sempre um acontecimento entusiasmante e também dois anos Vintage clássico consecutivos ou "back-to-back".
    Uma breve introdução, antes da lista dos Vintages declarados, para fixar algumas notas fundamentais que definem esta declaração clássica...o que se disse e escreveu, os factos e os números:
  • Sim, a 5.ª declaração declaração clássica de Porto Vintage do século XXI foi a mais alargada de sempre, os números são 101 Vintages declarados e apresentados por 65 produtores. No entanto, em detalhe, um dos grandes grupos do sector, a Sogrape (que representa as marcas de vinho do Porto, Ferreira, Offley e Sandeman), não declarou Vintage clássico com as suas marcas principais, mas apresentou os seus Single Quinta Vintage Port com sucesso e especial destaque para o "Sandeman Quinta do Seixo Vintage" ao qual a influente revista norte americana "Wine Enthusiast" atribuiu a pontuação máxima, 100pts.
  • Com esta declaração e com a declaração de 2016, temos duas declarações clássicas consecutivas ou declaração "back-to-back", um acontecimento pouco comum na longa história dos vinhos do Porto Vintage clássicos. Ao longo dos registos históricos desde 1756, contamos 13 declarações clássicas consecutivas ou "back-to-back" e 4 registos de 3 declarações consecutivas (mais informação: tabela actualizada dos vintages clássicos) e como curiosidade, um dos grandes grupos do sector, a Symington Family Estates declarou dois Vintage clássicos consecutivos pela primeira vez na longa história particular desta casa.
  • Um ano com características climatéricas particulares e excepcionais, extremamente quente e seco, em que ocorreu uma situação de seca generalizada e em que a vindima foi muito antecipada, para datas em que não há memória na região do Douro (vêr o: Douro, o relatório da vindima 2017).
  • O rendimento e a produção foram muito baixos, em geral uma redução de 30% em relação à média.
  • "A tradição já não é o que era?", considerando o conjunto dos vintages dos anos 2015, 2016 e 2017, temos 3 anos consecutivos com características próprias e vinhos de uma qualidade extraordinária. 2015, que tinha todas as condições para ser declarado como ano clássico, acabou por não ser, num ano parecido em muitos aspectos com 2017 e que originou grandes Vintages (um ano a considerar para boas compras). Depois 2016, um ano cheio de dificuldades e muito exigente para os produtores e o ano menos óbvio para ser declarado e que acabou por ser um ano clássico. Em suma, 3 anos de Vintages de qualidade excepcional.  Foi sugerido que, com as actuais condições de viticultura e enologia, o refinamento de técnicas, e com a grande melhoria da aguardente viníca utilizada na fortificação dos vinhos do Porto, seria possível produzir vinhos com qualidade para Vintage clássico praticamente todos os anos, assim a tradição de declarar 3 a 4 vintages clássicos por década seria um conceito ultrapassado. No entanto, esta opinião esquece a enorme vantagem comercial em manter a imagem e valorização do Porto Vintage clássico como um produto raro e único, um conceito que seria posto em causa com uma produção anual regular quase previsível, assim como, na prática, a produção mais regular é sempre assegurada com o lançamento de Porto Vintage com as segundas marcas dos produtores ou os Single Quinta Vintage Ports.
  • Um novo perfil "moderno" de alguns Porto Vintages: uma tendência que começou a surgir com a declaração clássica de 2011 e que é cada vez mais evidente a par do Vintages de estilo tradicional, mais extraídos e concentrados, mais fechados, o surgimento progressivo de Vintages com um perfil mais "moderno", mais elegantes e com maior equilíbrio entre maturação e acidez, mais abordáveis quando novos, sem contudo comprometer a capacidade de envelhecimento. 
  • Algumas novidades: quatro primeiras edições a registar, desde logo o especial "Croft Quinta da Roêda Sérikos Vintage" com origem nas vinhas velhas desta quinta histórica do Douro, o "Quinta dos Avidagos Vintage", o "Sequeira Vintage" e o "Soares Duarte Vintage". Uma nota acerca da Quinta do Passadouro, que depois da sua aquisição pela Quinta do Noval em Agosto de 2019, até à presente publicação não tinha apresentado o seu Vintage 2017, pelo que não está incluído na lista que é apresentada.
  • As principais características gerais dos Vintages de 2017: concentração, estrutura, densidade e, conta todas as expectativas, bastante equilibrados.
    Não estamos muito longe da realidade se dissermos que, actualmente assistimos aos melhores Porto Vintage da longa história deste extraordinário vinho.

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Os nossos agradecimentos a todos os produtores que colaboraram na presente publicação.

©Hugo Sousa Machado

more information on previous Vintage Port declarations (links below):
mais informações sobre declarações anteriores Porto Vintage (nos links):




segunda-feira, 9 de março de 2020

Vieira de Sousa, a journey through the history of its Colheita Tawny Ports

EN/PT

2010, 2003, 1994, 1985, 1974, 1963, 1950 and the "90th Anniversary António Vieira de Sousa very old Port", a Tawny Port over 90 years old

Vieira de Sousa, a family with its roots in the Douro

back to business...


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    Vieira de Sousa's most recent phase started in 2008, at the iniciative and responsability of the 5th family generation. In fact, this family project was a natural cycle to a family with a long tradition in a noble Douro wine region and in Port wine production and ageing. It was Luísa and Maria Borges great great-grandfather, José Silvério Vieira de Sousa who originally created the "Vieira de Sousa" brand in the 19th century. In his turn, António Vieira de Sousa Borges, the father of this new generation, always produced Port wine, which he insisted on not selling, but keeping, maintaining and increasing his own private stock. It is precisely some of this Port wines that are now revealed and that we will discover.
    The long family tradition was also the essential support of this new course of the "Vieira de Sousa" company, after many years as suppliers of important Port wine companies (among which Taylor's and Churchill's...) and that in 2008 makes the decision to take over the Port wine production and bottling business under its own brand, which was subsequently followed by the production of D.O.C. Douro wines.

    With an important heritage of Quintas family inherited and whose vineyards are the source of the house wines: Quinta da Água Alta which is also the most important for Port wine production, to which it contributes about 60% of the grapes, located in Gouvinhas, on the right bank of the river Douro (just above the hillside of the neighbouring Quinta do Crasto), it is a property with special characteristics, with a predominant south exposure with vineyards at various altitudes with an amplitude that goes from the bank closer to the river to the cooler areas at the top of the mountain, from 120 to 400 meters high. From the vineyards located at a lower altitude come the grapres destined mainly for Tawny Port wines and the grapes from the vineyards located at higher altitudes are the structure of the Vintage and LBV's, which allows from the start, a very good base for selecting grapes with very different characteristics - Quinta do Fojo Velho, in the Pinhão river valley (upstream from Vale de Mendiz), formerly part of Quinta do Fojo - Quinta da Fonte, in Celeirós do Douro - and Quinta do Roncão Pequeno, located in Roncão valley, Casal de Loivos, Pinhão.

    Altogether all the properties constitute a total of about 60 hectares of vineyards, with very different locations, characteristics and specificities, a combination of terroirs that allows in each harvest a wide base for selecting the right grapes best suited to the desired wine profile and category.

    The oldest Tawny Colheitas were vinified at Quinta da Água Alta and Quinta do Fojo.

To understand the Colheita Tawny Port (or Single Harvest Tawny Port)


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    From the beggining, the definition of a Colheita Tawny... is a style of Port wine, a special category of high quality red Port wine
from a single harvest or vintage and that is why it takes on the expression of the specific year in which it was born (it is not constituted from a blend of wines). It ages in used wood casks that can have variable capacities, for a minimum period of 7 years. In practice these ageing periods are generally much longer and the wines gradually assume the characteristics of a Tawny Port, the result of prolonged ageing in wood. As a rule, the older they are, the more complex, richer and with an increasing aroma and flavor intensity. The ageing process in fundamental and as we will see, this Port wine category comprises a very diverse universe of wines, that can vary greatly according to the greater or lesser ageing periods, whether we are looking at a youger wine or a wine with many years or even decades of wood ageing.

    At the outset, an unfounded ideia is the more aged the wine the better. Thinking that older Colheita Ports are superior to younger ones and the temptation to evaluate them by comparing wines from different harvests but most of all with different ageing periods is wrong because each has its own profile, individuality and character.

Vieira de Sousa Colheita Tawny Port


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    The Colheita Tawny Ports of this traditional Douro house, with the exception of the 2010 Colheita, that has already been produced by Luísa Borges, were the responsability of previous generations, the father, great father and great great grandfather of Luísa and Maria Borges, in the historical tradition of a very portuguese wine category.


    Colheita Tawny Ports are wines that are an expression of the year they were born, as commented by Luísa Borges, producer and the responsible for the Vieira de Sousa oenology "these are wines that are perfect in their imperfection", unlike Tawny Port with an indication of age, which is a Port wine style that seeks to mantain an identical profile over the years through the art of blending wines of different ages.

    As mentioned above, an important part of the current Vieira de Sousa Tawny Port wine stock was constituted by the persistence of António Vieira de Sousa Borges who, over the years, when making the decision not to sell it, was building and expanding it over many years of Port wine storage and ageing. Now, the novelty is that some of these wines will be bottled and launched in 2020, enriching the "Vieira de Sousa" Port wine portfolio, the 1950 Colheita Tawny (aged for 70 years), and the most recent 2003 and 2010 Colheita Tawny.

    Currently, the production of Port wine at Vieira de Sousa constitutes approximately 60% of the total production and one of the main markets for this special category of quality Port wines is Denmark. It produces various categories of Port wine and rightly now it has decided to start revealing and making known these special wines that are part of its heritage and that the gloom of the wine cellar hides, where in addition to the Colheita Tawnies presented, there are more wines in stock from other harvests. Now exploring the Tawny Port wine stock available...

     Another important note, at Vieira de Sousa, as a rule, the Colheita Tawny are wines that do not form part of the Tawny with indication of age blends.

    The Tawny Port long ageing periods occur in the wine cellar old big wood barrels or "tonéis" (with capacities approximately 5000 to 6000 liters, i.e., about 10 to 11 casks) of portuguese chestnut wood but also other types of wood such as oak and exotix woods. The 1950 Colheita ages in a single 700 liter cask and the very old Tawny "90th Anniversary" comes from a single 250 liter cask. All Tawny Port wine have aged in the Douro wine cellar, which is important to take into account, since as a result of the different temperature and humidity conditions when compared to the cooler and higher humidity conditions characteristic of the wine lodges located in Vila Nova de Gaia, the heat and drier conditions of the Douro region gives a different and specific prodile to the wines, generally a greater concentration and toasted notes.

    It is always a privilege to participate in these special tastings, with wines that tell a story, the Colheita dates have been chosen and have a meaning that marks special moments in the Vieira de Sousa family history linked to the Douro for five generations and also moments of the company's life.
    An enriching and didactic tasting, where you can get a good perception of the wine ageing evolution phases and the transformations that time imprints on wine, all with their own markedly different characteristics.


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Some tasting notes


Vieira de Sousa 2010 Colheita Tawny
    Made from a mixture of grapes from Quinta da Água Alta and Quinta do Fojo, foot trodden in the traditional granite lagares. The wine year was quite fresh. Now it has 9 years of wood ageing, or more properly "tonel" ageing. It has a colour full of reddish tones, a wine still with a lot of evident fruit, ripe red fruit, liqueur notes and the presence of some tannins, still rounding up but it already shows a polished side, with a good structure. In addition to the aromas and flavours of red fruits, it has already some oxidative evolution with dried fruit sensations.

Vieira de Sousa 2003 Colheita Tawny
    With a 16 year ageing. It was also produced from a blend of grapes selected from the family's various quintas. The grapes were also foot trodden in traditional lagares. When compared to the previous 2010 Colheita, the colour shows a greater ageing, a more open red colour with some red brick nuances. A good general aromatic sensation, with a lesser presence of red fruits and with a more dried fruit side imposing, raisins and some vanilla notes. Gradually taking on a more evolved bouquet. Well integrated and fine in the mouth. 
    It will be bottled gradually and will continue to age in wood, maintaining the house Port wine heritage.

Vieira de Sousa 1994 Colheita Tawny
    A 24 year old cask sample. 1994 was a classic vintage Port year, a "monumental" vintage (the 1994 Taylor's and Fonseca vintage Ports were internationally recognized after Wine Spectator magazine attributed 100 points). It presents a colour that does not differ much from the 2003 Colheita, reddish with tawny nuances. It is slightly sweeter, but also more concentrated, robust and complex. A big aroma and flavour difference from the previous, with predominant walnut, hazelnut and dried fig notes, but also with a more earthy character, it will enter a more open phase. With a long finish.

Vieira de Sousa 1985 Colheita Tawny
    A 34 year old cask sample. 1985 was a classic vintage Port year, that originated wines of exceptional quality. It presents a more open colour with brownish and already with some greenish tones characteristic of its ageing. A fresher wine with some original dryness (the ageing period causes the sweetness to fall gradually), the wine isn't less sweeter but the sweeter sensation is less present because the tannin ends up drying it. This dryness also gives it more elegance. With the distinctive aromas and flavours of dried fruit, such as hazelnuts and walnuts, and also some caramel and spice notes, intense and full-bodied. A pleasant and prolonged aftertaste. 
Note: these wines from older harvests fermented longer.

Vieira de Sousa 1974 Colheita Tawny
    A 45 year old cask sample., from a Quinta da Água Alta wine cellar wood "tonel". At this stage of its evolution the wine is less expressive and impressive. It shows less colour than the 1963 Colheita, it has greenish tones that appear when the glass is swirled. With the dried fruit standing out and with spice notes, a spicy tannin, and also with a somewhat earthy flavour note. A wine less concentrated that the age apparently would suggest.

Vieira de Sousa 1963 Colheita Tawny
    A 56 year old cask sample. 1963 was a great classic vintage Port year. The wine has a tawny colour. Following the tasted wines there's a notable difference, a greater impact of concentration and complexity, a robust wine with very good aromatic notes, dried fruit, dried figs, some candy and a very good and exotic aromatic touch of anise. With a very good final persistence.

Vieira de Sousa 1950 Colheita Tawny
    With an extraordinary 69 year old ageing in a single 700 liter cask. The Colheita Tawny that marks half a century. There is only a very limited quantity of this Colheita, just one cask in the Celeirós do Douro wine cellar. The long ageing caused a distinctive colour darkening, which is mahogany brown and presenting the characteristic green tones of a very long wood ageing. It is a wine with a great aromatic complexity, dried fruits aromas, walnuts, dried figs and dates, notes of roasted coffee beans, spicy, full, with a very good sructure, elegant and unctuous. It is interesting to accompany the gradual increase in greasiness and complexity with the greatest ageing periods. Very intense and delicious with a very long and persistent finish.

90th Anniversary António Vieira de Sousa Very Old Port
    A tribute of the current generation to António Vieira de Sousa vision and persistence which allowed the new "Vieira de Sousa" company phase. An important Port wine for the firm's image and prestige.
    A very old Tawny Port wine with more than 90 years old aged in a single 250 liter cask in a rare and very limited edition of 90 cristal 0,5l numbered bottles. It is the result of a blend, without any correction or rectification before bottling. It has 10.1º Baumé and 8.32 g/l of total acidity. It has a brilliant dark brown colour with greenish reflections. Very impressive, it is a wine that immediately imposes itself by its great concentration, an essence, compared to the previous 1950 Colheita is clearly more unctuous and with a lively acidity that gives its freshness. Dense and engaging with extraordinary intense and impressive aromas and flavours, very rich and complex, it stands out in addition to the many notes  of dried fruits, notes of roasted coffee, brown sugar or Madeira honey cake and spices, such as i would say cloves. With an impressive final persistence (the empty glass is impregnated with its aromas for a very long time).
    One of those Port wines from the old traditional and historic Douro, unique and exceptional, that will remain in the memory of those who taste it. 


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(Porto, Hotel Crowne Plaza, 16th Nov2019)

©Hugo Sousa Machado

Vieira de Sousa, uma viagem pela história dos Tawny Colheita

2010, 2003, 1994, 1985, 1974, 1963, 1950 e o "90th Anniversary António Vieira de Sousa" um Tawny com mais de 90 anos...

Vieira de Sousa, uma família com raízes no Douro

de volta ao negócio...


published with "Enóphilo" permission
    A fase mais recente da firma "Vieira de Sousa" teve início em 2008, por iniciativa e da responsabilidade da 5.ª geração da família. Na realidade, este projecto familiar foi uma evolução natural numa família com uma longa tradição numa região nobre do Douro vinhateiro e na produção e envelhecimento de vinho do Porto. Foi o tetravô de Luísa e Maria Borges, José Silvério Vieira de Sousa que originalmente criou a marca "Vieira de Sousa" no séc. XIX. Por sua vez, António Vieira de Sousa Borges, o pai desta nova geração, sempre produziu vinho do Porto, que fazia questão de guardar e não vender, mantendo e aumentando um stock particular. São precisamente alguns destes vinhos que são agora revelados e que vamos descobrir.
    A longa tradição familiar foi também o suporte essencial deste novo rumo da firma "Vieira de Sousa", depois de muitos anos como fornecedores de importantes empresas de vinho do Porto (entre as quais contavam-se a Taylor's e a Churchill's...) e que em 2008 decide tomar em mãos o negócio de produção e engarrafamento de vinho do Porto com marca própria, a que depois se seguiu a produção de vinhos D.O.C. Douro.

    Com um importante património de quintas herdadas da família e que estão na origem dos vinhos da casa: a Quinta da Água Alta, que é também a mais importante para a produção de vinhos do Porto, para os quais contribuí com cerca de 60% das uvas, localizada em Gouvinhas, na margem direita do rio Douro (logo acima na encosta da vizinha Quinta do Crasto), é uma propriedade com características especiais, com uma exposição predominante a sul, e com vinhas a várias altitudes, numa amplitude que vai da margem mais junto ao rio até zonas mais frescas no alto da montanha, desde os 120 até aos 400 metros. Das vinhas a menor altitude junto ao rio saem as uvas para os vinhos do Porto Tawny e as uvas das vinhas localizadas a maior altitude são a estrutura dos Vintages e LBV's da casa, o que permite desde logo uma boa base de selecção de uvas com caracteríticas muito diferentes - a Quinta do Fojo Velho, no vale do rio Pinhão (a montante de Vale de Mendiz), outrora parte da Quinta do Fojo - a Quinta da Fonte, em Celeirós do Douro - a Quinta do Rocão Pequeno, localizada no vale do Roncão, em Casal de Loivos, Pinhão.

    No conjunto estas propriedades constituem um total de cerca de 60 hectares de vinhas, com localizações muito diversas e também por isso com características muito diferentes, uma conjugação de terroirs que permite em cada colheita uma importante base alargada para escolha das melhores uvas adequadas ao perfil pretendido para cada vinho a produzir.

    Os Tawny Colheita mais antigos foram vinificados na Quinta da Água Alta e na Quinta do Fojo.

Para compreender os Tawny Colheita

    Do início, a definição de um Porto Tawny Colheita... é um estilo que constituí uma categoria especial de vinho do Porto tinto, de elevada qualidade e de uma só colheita ou vindima e que por isso assume a expressão do ano que está na sua origem (não é constituído a partir de um lote de vinhos). Envelhece em barricas de madeira usada e por um período minímo de 7 anos. Na prática estes períodos de estágio são geralmente mais longos e os vinhos assumem progressivamente as características próprias de um vinho do Porto Tawny, o resultado de estágios prolongados em madeira. Quanto mais envelhecidos, mais complexos, ricos e com maior intensidade de aromas e sabores. O processo de envelhecimento é fundamental e como se perceberá esta categoria integra um universo de vinhos que pode ser muito diverso, de acordo com os períodos de estágio mais ou menos longos.
    Desde logo, uma ideia que é errada, é pensar que os vinhos mais velhos e com muitos anos ou décadas de envelhecimento são melhores e superiores quando comparados com vinhos mais novos e com poucos anos de estágio. Na realidade a tentação de os avaliar comparando tawnies de diferentes colheitas mas sobretudo, com períodos de envelhecimento muito diferentes, é errada. Cada um tem o seu perfil, o seu carácter, as suas características e a sua individualidade.

Os Tawny Colheita Vieira de Sousa

    Os tawnies desta casa tradicional do Douro, com excepção do Tawny Colheita 2010, produzido por Luísa Borges, foram produzidos ou são da responsabilidade de anteriores gerações, do pai, do avô e do bisavô de Luísa e Maria Borges, na tradição dum estilo muito português de vinho do Porto.

    Os Tawny Colheita são vinhos que caracterizam o ano e, como comentou Luísa Borges, produtora e responsável pela enologia da Vieira de Sousa: "são vinhos que na sua imperfeição, são perfeitos.", ao contrário dos vinhos do Porto Tawny com indicação de idade onde se procura sobretudo manter um perfil que se pretende idêntico ao longo dos anos, através da arte da lotação de vinhos de várias idades.

    Como referimos, o actual stock de vinhos do Porto da "Vieira de Sousa" foi constituído pela persistência de António Vieira de Sousa Borges que, ao tomar a decisão de não vender o vinho do Porto que detinha, o foi constituindo e alargando ao longo de anos de armazenamento. Agora a novidade, é que vão ser engarrafados e lançados no mercado, em 2020, alguns destes vinhos, completando o portfolio de vinhos do Porto: o Tawny Colheita 1950 (com 70 anos de envelhecimento) e os mais recentes Tawny Colheita  2003 e 2010.

    Actualmente, a produção de vinhos do Porto da "Vieira de Sousa" constituí aproximadamente 60% da produção total e um dos principais mercados é a Dinamarca. Produz vinhos do Porto de várias categorias e muito justamente tomou agora a decisão de começar a revelar e dar a conhecer estes vinhos especiais que integram o seu património e que a penumbra da adega de vinhos do Porto esconde, onde para além dos Tawny Colheita aqui apresentados, existem outros de outras vindimas, explorando agora os stocks de vinho do Porto de que dispõe.

    Outra nota importante, na "Vieira de Sousa", por regra, os Tawny Colheita são vinhos que não integram os lotes dos Tawny com indicação de idade.

    Os longos estágios em madeira dos tawnies, ocorrem nos velhos tonéis da casa (com capacidades aproximadas, de 5000 a 6000 litros, i.e., cerca de 10 a 11 pipas) de castanho português, mas também outras madeiras como carvalho e madeiras exóticas. O Tawny Colheita 1950 envelhece numa pipa de 700 litros de capacidade e o Tawny muito velho "90th Anniversary" provém de um casco de 250 litros. Todos os vinhos do Porto Tawny envelhecem no Douro, o que é importante considerar, uma vez que, em consequência das diferentes condições de temperatura e humidade, quando comparamos as temperaturas mais frescas e a maior humidade dos armazéns de vinho do Porto em Vila Nova de Gaia com as temperaturas mais altas e secas da região do Douro que conferem aos vinhos um perfil diferente e próprio, em geral, uma maior concentração e notas tostadas de aroma e sabor.

    É sempre um privilégio participar nestas provas especiais, com vinhos que contam uma história e aqui as datas das colheitas têm um significado que assinala momentos especiais na história da família Vieira da Sousa, ligada ao Douro à cinco gerações, e também a momentos da vida da empresa.
    Uma prova enriquecedora e didáctica em que ficamos com uma boa percepção das várias nuances das fases de evolução, do envelhecimento e as transformações que o tempo imprime aos vinhos, todos com as suas características próprias.

Os apontamentos de prova

Vieira de Sousa Tawny Colheita 2010
    Feito a partir de uma mistura de uvas da Quinta da Água Alta e da Quinta do Fojo, pisadas a pé nos tradicionais lagares de granito, num ano vitícola que foi bastante fresco. Tem agora nove anos de casco ou mais propriamente de tonel. Com uma côr ainda marcada por tons avermelhados, ainda com bastante fruta evidente, fruta vermelha madura, licorado, com a presença de algum tanino, um Porto ainda a arredondar mas já com algum polimento, com boa estrutura, para além dos aromas e sabores de frutos vermelhos tem já alguma evolução oxidativa com a presença de notas de frutos secos.

Vieira de Sousa Tawny Colheita 2003
   Com 16 anos de envelhecimento. Foi também elaborado a partir de um lote de uvas de várias quintas da família, com pisa a pé em lagares de granito, passou para tonel desde o primeiro momento, onde ainda se mantém. Ao lado do Colheita 2010, nota-se algum caimento de côr próprio de um maior envelhecimento, com uma côr avermelhada com tons côr de tijolo. Uma boa sensação aromática, com menor presença de frutos vermelhos e com um lado de frutos secos mais marcado, notas de uva passa e baunilha. Gradualmente começa a assumir um bouquet mais evoluído. Bem integrado e fino na boca.
    Irá ser lançado aos poucos e também continuará o seu estágio em madeira mantendo a tradição da casa.

Vieira de Sousa Tawny Colheita 1994
    Em amostra de casco com 24 anos de envelhecimento. 1994 foi um ano de Porto vintage clássico, um ano "monumental" (em que os Porto vintage da Taylor's e Fonseca foram reconhecidos internacionalmente pela atribuição de 100 pontos pela revista Wine Sepctator). Apresenta uma côr que não difere muito da côr do Colheita 2003, avermelhada com nuances aloiradas. É ligeiramente mais doce, mas também mais concentrado, robusto e complexo. No conjunto dos aromas e sabores sente-se uma grande diferença relativamente ao anterior, com a presença dos frutos secos, como nozes, avelãs e figos, mas com um carácter mais terroso. Vai entrar numa fase mais aberta. Com um final longo.

Vieira de Sousa Tawny Colheita 1985
    Com 34 anos de envelhecimento, em amostra de casco. 1985 foi um ano de Porto vintage clássico, com vinhos de qualidade excepcional. Com uma côr mais aberta com tonalidades acastanhadas e esverdeadas características do envelhecimento. Um vinho mais fresco, com alguma secura original (durante o estágio em madeira, a doçura caiu aos poucos), o vinho não é menos doce, mas a doçura sente-se menos porque o tanino acaba por secar a doçura. A maior secura confere-lhe também elegância. Com os aromas e sabores marcantes dos frutos secos com nozes e avelãs, também com notas caramelisadas e de especiarias. É intenso e com um agradável e prolongado final de boca.
Nota: os vinhos das colheitas mais antigas tinham fermentações mais longas.

Vieira de Sousa Tawny Colheita 1974
    Com 45 anos de envelhecimento em amostra de casco. Proveniente de um tonel da adega da Quinta da Água Alta. Nesta fase da sua evolução é o vinho menos expressivo e menos impressionante. Com menos côr do que o Colheita 1963, com tons esverdeados que surgem quando o copo é agitado. Com os frutos secos a sobressair e com um tanino picante, apimentado, com um sabor algo terroso, um vinho menos concentado do que a idade à partida poderia sugerir.

Vieira de Sousa Tawny Colheita 1963
    Um Colheita com 56 de envelhecimento e provado em amostra de casco. 1963 foi um grande ano para o Porto vintage clássico. Com uma côr tawny, aloirada. Relativamente aos vinhos anteriores há uma diferença notória, um grande impacto de concentração e complexidade. Um vinho robusto, com muito boas notas aromáticas, notas de frutos secos, figos secos, mel e algum rebuçado, com um toque de aniz muito original e exótico. Com muito boa persistencia final.

Vieira de Sousa Tawny Colheita 1950
    Com um extraordinário envelhecimento de 69 anos numa pipa de 700 litros. O Tawny Colheita que marca meio século. Existe uma quantidade muito limitada, apenas uma pipa deste vinho na adega de Celeirós do Douro. O longo envelhecimento provocou um escurecimento da côr, que é agora castanho mogno, apresentando também os tons esverdeados característicos dos longos estágios em madeira. Um vinho com uma grande complexidade aromática, com frutos secos, nozes, figos secos e tâmaras, com notas torradas, especiado, rico, elegante e untuoso (é interessante acompanhar o aumento gradual da untuosidade e complexidade com os anos de envelhecimento em madeira). Com um final muito longo e intenso.

90th Anniversary António Vieira de Sousa Very Old Port
    Uma homenagem da actual geração a António Vieira de Sousa e à sua visão e persistência que permitiram o actual projecto "Vieira de Sousa". Um vinho sempre importante para a imagem e prestígio da casa.
    Um vinho do Porto Tawny muito velho, com mais de 90 anos de envelhecimento numa pipa com 250 litros de capacidade, numa edição rara e muito limitada de 90 garrafas de cristal de 0,50L, numeradas. É um vinho de lote, sem qualquer correcção ou rectificação antes do engarrafamento. Com 10.1º Baumé e 8.32g/L de acidez total. Com uma côr castanho escuro brilhante com reflexos esverdeados, impressionante, é um vinho que se impõe desde logo pela grande concentração, uma essência, quando comparado com o Colheita 1950, é claramente mais untuoso e com uma acidez vivaz que lhe dá frescura. Um vinho denso e envolvente, com um aroma extraordinariamente intenso e impressivo, muito rico e complexo, onde sobressaem para além das muitas notas de frutos secos, açúcar mascavado e bolo de mel da Madeira, notas de café, especiarias, diria cravinho. Com uma persistência final que impressiona (o copo depois de vazio fica impregnado com os aromas durante muito tempo).

    Um daqueles vinhos do Porto do velho Douro, de uma casa histórica do Douro, único e excepcional, que fica na memória de quem o prova.
(Porto, Hotel Crowne Plaza, 16th Nov2019)

©Hugo Sousa Machado