sábado, 27 de julho de 2019

Veraison is here

EN/PT
Old vineyard at Quinta do Bragão (Noble & Murat), Celeirós do Douro, Pinhão river valley, Cima Corgo Douro sub-region.


   The veraison arrived in the Douro, the grape berries begin to color, the physiological phase of grape coloring.

    It is one of the important stages of grape ripening, the on-set of ripening, the moment of grape development when the grape berries begin to change color. The red grapes begin to turn from green to light red and then dark red, and in white grapes, the green becomes translucent and it assumes various shades of yellow. It is a phenomenon that can occur quickly, the color of a grape berry can change overnight.

    These obvious changes are not uniform and have their own "natural" time, since it doesn't happen at the same moment in all the vineyards, grape varieties and berries of the same bunch, usually the outer berries are the first to change color.


    At this stage of the continuous process until full ripeness and harvest time, the grape berries begin to grow in size and loose the hardness characteristic of the green fruit and gain elasticity.

    There is a progressive accumulation of sugars, the content of which increases rapidly. At the same time a progressive decrease in acidity happens (the acids in the grape reach their maximum values immediatly before the veraison starts).

    It is currently happening in  the Douro and will continue during the month of August.


    O "pintor" chegou

    Chegou o "pintor" ao Douro, os bagos das uvas começam a pintar, a época fisiológica da coloração da uva.

    É uma das fases importantes da maturação das uvas, é o começo do amadurecimento e o momento do desenvolvimento das uvas em que os bagos começam a mudar de côr. As uvas tintas, começam a passar do verde para o vermelho claro e depois vermelho escuro, e as brancas, de verde tornam-se translúcidas e assumem vários tons de amarelo. É um fenómeno que pode ocorrer rapidamente, a côr de um bago de uva pode alterar-se de um dia para o outro.


    Estas alterações óbvias não são uniformes e tem um  tempo "natural" próprio. Não ocorrem ao mesmo tempo em todas as vinhas, em todas as castas e em todos os bagos de uva do mesmo cacho, geralmente os bagos exteriores são os primeiros a mudar de côr.


    Nesta fase deste processo contínuo até à maturação plena e ao momento da vindima, os bagos de uva aumentam de tamanho, perdem a dureza característica da fruta verde e ganham mais elasticidade. Há um progressivo aumento da acumulação de açúcares, cujo teor aumenta rapidamente. Ao  mesmo tempo ocorre uma diminuição progressiva do teor de acidez (os ácidos na uva atingem os valores máximos imediatamente antes do início do "pintor").

    Está neste momento a acontecer no Douro e prolongar-se-à ainda durante o mês de Agosto.


©hsm



    


    





domingo, 21 de julho de 2019

The XXXVI Rabelo Boat Regatta

EN/PT
    The nautical interlude on a summer afternoon in the city of wine

On the right, the winer Sandeman "Vau", on the center, the 2nd classified Taylors' "Distinto" and on the left the 3rd classified Warre's "Quinta da Cavadinha"
    This year took place the 36th Rabelo Boat Regatta - the 1st regatta took place in 1983 by the initiative of the Confraria do Vinho do Porto (The Port Wine Brotherhood) - on a course that goes up the river and has its starting line in the Afurada area just in front of the "Douro marina" and ends between Porto ribeira (riverside) and the Sandeman cellars in Gaia. The exact time of this event is fixed according to the tide, it is carried out during full tide to avoid navigation against the river current of this heavy and difficult to maneuver boats.

    Rabelos upriver...

    Today these boats, that used to transport the Port wine casks from the Douro region to the cellars in Vila Nova de Gaia, no longer have the traditional large white sails, the very few vessels that currently exist, now bear the insignia of the proprietary houses they represent and sail once a year on the lively St. John's day afternoon (on the 24th June), the day of the patron saint of Porto city, in a regatta that seeks to respect the genuineness and traditions of the Rabelo boats.
    These are vessels with a robust structure that were built to support, in the past, the Douro river navigation and the port wine casks transportation, from the Douro wine region up river to the lodges in Vila Nova de Gaia down river, in a river with a very different course than it is today. The construction of dams along the course of the river Douro, tamed it, and it is difficult to imagine today, the river of brave and tumultuous waters, full of dangers and difficult passages, the Rabelo boats faced a navigation with innumerable risks (on the famous J. J. Forrester map "Portuguese Douro and Adjacent Country", 1848, were identified 201 points of difficult navigation in the river descent from the international Douro to Foz), for which these boats were constructed.

    The final classification:

    1st Sandeman "Vau": first classified for the second consecutive year and by a very short margin to;

    2nd Taylor's "Distinto";

    3rd Warre's "Quinta da Cavadinha".

    Some Regatta instruction interesting notes:
    "n.º 21: An attitude of seriousness and sobriety shall be imposed on the crew and any breach in this respect shall be punished by a dip in the river."

    "n.º 27: It is recommended that on the Rabelo boats, only Douro and Port wines be made available as alcoholic beverages."


     A XXXVI Regata dos barcos Rabelos
   
    O interlúdio náutico de uma tarde de verão na cidade do vinho
    

    Este ano organizou-se a 36.ª Regata dos barcos Rabelos - a 1.ª regata ocorreu em 1983, por iniciativa e organização da Confraria do Vinho do Porto - num percurso que sobe o rio e tem a linha de largada na zona da Afurada, em frente à "Douro marina", e termina entre a ribeira do Porto e as caves Sandeman em Gaia. A hora é fixada em função da maré, realiza-se durante a maré cheia para evitar a navegação contra a corrente destas embarcações pesadas e difíceis de manobrar.

    Rabelos, rio acima...

    Já sem as tradicionais grandes velas brancas, os poucos exemplares destas embarcações existentes actualmente, que no passado faziam o transporte das pipas de vinho do Porto da região do Douro até aos armazéns de Vila Nova de Gaia, ostentam agora as insígnias das casas proprietárias que representam e navegam uma vez por ano na tarde animada do dia de S. João, 24 de Junho, na regata que procura respeitar a genuinidade do barco Rabelo e as suas tradições.
    São embarcações com uma estrutura robusta, foram concebidaS para suportar a navegação e transporte, no passado, dos barris de vinho do Porto até Gaia, num rio muito diferente do que é hoje. A construção de barragens ao longo do curso do rio Douro, amansou-o e é difícil imaginar hoje, o rio de águas bravas e tumultuosas, com um percurso cheio de rápidos e passagens difíceis, numa navegação com inúmeros riscos (no célebre mapa de J. J. Forrester "Douro Portuguez e Paiz Adjacente", de 1848, estavam identificados 201 pontos de difícil navegação, na descida do rio Douro, desde o Douro internacional até à Foz), para os quais estes barcos foram construídos.

    A classificação final:

    1.º Sandeman "Vau", vencedor pelo segundo ano consecutivo e por uma curta margem em relação ao segundo classificado,

    2.º Taylor's "Distinto";

    3.º Warre's "Quinta da Cavadinha".

    Algumas notas interessantes das Instruções de Regata:
    "n.º 21: deverá ser imposta à tripulação uma atitude de seriedade e sobriedade e qualquer quebra a este respeito deverá ser punida com um  mergulho no rio."

    "n.º 27: Recomenda-se que nos barcos Rabelos sejam disponibilizados como bebidas alcoólicas apenas vinhos do Douro e Vinhos do Porto".

Em primeiro plano Sandeman "Vau" e em segundo plano, Warre's "Quinta da Cavadinha"
©hsm

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Le vin à la bouche! Churchill's and Quinta da Gricha 2017 Vintage Port

EN/PT

    The year 2017will be recorded in the Douro and Port wine history for several exceptional events, as it was an absolutely atypical year with uncommon weather conditions, an extremely hot and dry year that has determined a very early harvest, and there is no memory of such anticipation in the Douro region harvest records (more information: the 2017 harvest report). For Churchill's, it was the earliest harvest ever at Quinta da Gricha.
    And then, two years after the harvest, in the 2019 spring we get the first news of several 2017 vintage Port declarations. This is a new chapter in the history of many Port wine producers, the very rare event of two consecutive classic vintage declarations (a classic vintage Port is declared in those years when there is a general consensus among most producers regarding the quality of a vintage Port, which will be bottled with the house main label), the 2016 classic vintage Port is now followed by the very recent 2017 vintage declaration.

    Certainly, up to now, a very rare event in te long Port wine history and unique to many producers.

    2017 was undoubtedly an exceptional year, in which very high quality wines were produced that ended up imposing the vintage Port declaration decision by the main producers and a vintage with the main producers brands.

    As in the previous year, the 2017 vintage Port production was smaller, however, there were healthy high quality grapes (due to the warmer climatic year there was a lower incidence of vine diseases), very good quality musts, with good colour, structure and concentration, fruit intensity and firm tannins, as was also the case at Churchill's. We could define concentration and structure as the main characteristics of this year's vintages.

    At Churchill's for the first time in its history, i.e., since 1981, two classic vintages have been declared in consecutive years, a unique event.
    The house vintage Ports follow the traditional vinification method, the grapes are exclusively foot trodden with prolonged macerations for 5 days in gratine "lagares" (the grapes are vinified with the grape bunch stems), obtaining a less agressive and a more uniform maceration, which preserves the natural characteristics of the grapes and enhances the best expression of the complexity and aromatic profile of the musts. The fermentation is natural without yeats addition and is longer, thus preserving more natural alcohol without the need to add as much grape spirit in the fortification process.

    The 2017 vintage Port tasting impressions (tasted in sample before bottling):

    Churchill's Vintage Port 2017

    A vintage Port produced from an old vineyards field-blend, located in the Upper Douro and Cima Corgo Douro sub-regions, that include Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Francisca and Tinto Cão grape varieties.

    It has a great colour depth, great intensity and aroma concentration, with black fruits, blackberries, blueberries and black plums. The high fruit concentration is a 2017 characteristic. In the mouth the obvious black fruits, complex with a very good structure, firm tannins, freshness and good acidity, in a half-dry style. With a long and persistent aftertaste. A complexity that will develop in the coming decades, a reward for patience.

    Churchill's Quinta da Gricha Vintage Port 2017

    Only a very small quantity of this vintage was produced and will be available. It is made from the Quinta da Gricha old vineyard grapes, a field-blend in which the Tinta Roriz, Touriga Francesa, Tinta Barroca and Tinta Francisca grape varieties predominate.

    It has a deep and dark ruby colour, more exuberant, with aroma intensity, floral and with fruit concentration, black fruit notes and spice suggestions. It has an intense flavour, complex and with a good structure, freshness and elegance. A drier style. With a long finish and a vigor that ensures many years of evolution.
   A single quinta vintage that expresses the "G" factor, i. e., the Quinta da Gricha old vineyards and terroir character.

    (tasting with JG and RPN, 28May2019)

Le vin à la bouche!
Churchill's e Quinta da Gricha Vintage 2017
     O ano de 2017 vai ficar na história do Douro e do vinho do Porto por vários factos excepcionais, por ter sido um ano absolutamente atípico, com condições climatéricas invulgares, um ano extremamente quente e seco que determinou uma vindima muito precoce, que foi antecipada para datas de que não há memória no Douro (mais informação: Douro, o relatorio da vindima 2017). Para a Churchill's, foi a vindima mais precoce realizada na Quinta da Gricha. 
    Depois, dois anos após a vindima, com a primavera de 2019, surgem as primeiras notícias de várias declarações de Porto vintage. É um novo capítulo na história de muitos produtores com o acontecimento raro de 2 declarações de Porto vintage clássico consecutivas (existe declaração clássica quando há um consenso generalizado da grande maioria dos produtores relativamente à qualidade excepcional de um vintage, que é engarrafado com o rótulo ou marca principal da casa), à declaração de 2016 sudede-se agora o Porto vintage 2017.

    Um acontecimento raro na longa história do vinho do Porto para a maioria dos produtores e único para muitos.

    2017 foi sem dúvida mais um ano excepcional, com vinhos de grande qualidade, o que acabou por impôr a decisão de declaração vintage com a principal marca de cada produtor.

    Tal como já tinha sucedido em 2016, também a produção de 2017 foi mais reduzida, no entanto, com uvas sãs de grande qualidade (foi determinante a menor incidência de doenças na vinha, consequência do ano mais quente), com mostos de muito boa qualidade, boa côr, estrutura e muita concentração, intensidade de fruta e taninos, como também aconteceu na Churchill's. Concentração e estrutura são as principais características dos vintages deste ano.

    Na Churchill's, pela primeira vez na sua história, desde 1981, declararam-se dois vintages clássicos em anos consecutivos, um acontecimento único.
    Os vintages da casa seguem o método tradicional de vinificação, com pisa a pé e maceração prolongada durante 5 dias em lagares de granito (as uvas são vinificadas com engaço), com uma maceração menos agressiva e mais uniforme, que preserva as características naturais da uva e potencia a melhor expressão da qualidade, complexidade e perfil aromático dos mostos. A fermentação é natural sem adição de leveduras e é mais prolongada, preservando assim mais álcool natural e sem necessidade de adicionar tanta aguardente vínica no processo de fortificação.

    As impressões dos Vintages provados (provado em amostra antes do engarrafamento):

    Churchill's Vintage Port 2017

    Um Vintage que tem origem num field-blend de vinhas velhas localizadas no Douro Superior e no Cima Corgo que incluí as castas Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Francisca e Tinto Cão.

    Com grande profundidade de côr, grande intensidade e concentração de aromas de frutos negros, mirtilos, amoras e ameixas pretas. A concentração de fruta é uma característica do ano. O sabor também com frutos negros óbvios, é complexo e com boa estrutura, com taninos firmes, frescura e boa acidez, num estilo meio-seco. Com um final longo e persistente. Uma complexidade que se vai desenvolver nas próximas décadas, um prémio para a paciência.

    Churchill's Quinta da Gricha Vintage Port 2017

    Foi produzida e estará disponível uma pequena quantidade deste Vintage, com origem nas uvas da vinha velha da Quinta da Gricha, um field-blend em que predominam as castas Tinta Roriz, Touriga Francesa, Tinta Barroca e Tinta Francisca.

    A côr é de um rubi muito escuro, com muita intensidade de aromas, mais exuberante, com aromas florais, com concentração de fruta e aromas de frutos negros e sugestões de especiaria. Com sabor intenso, um conjunto complexo e com boa estrutura, frescura e elegância. Um estilo mais seco. Com um final prolongado. Com um vigor que assegura muitos anos de evolução. 
    Um Vintage de quinta que exprime o factor "G", i.e., o terroir e o carácter das vinhas velhas da Quinta da Gricha.

    (provado com JG e RPN em 28Maio2019).


©hsm