terça-feira, 23 de abril de 2019

Port library news (.6): the book "250 years of stories" (Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo)

EN/PT
    A book written by José Braga-Amaral, a journalist and writer with much of his bibliography dedicated to the Douro, and prefaced by Bento Amaral, the IVDP (the Douro and Port Wine Institute) Technical Services and Certification Director (in past times the Quinta Nova was owned by a great grandfather of his). The book is a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo October 2014 edition. With texts written in portuguese and english, with a wonderfull design and pagination work, reponsibility of "Omdesign", a portuguese advertising agency, several times internationally distinguished for the originality and excellence of its design.
    It's profusely illustrated, it highlights the design and the great quality of its many photographs that document the book.

Sy.nop.sys
    The book, as it would be predictable, tells us the story of the Douro, the "bad navigation river", the "rabelo" boats odyssey, the origins of the Quinta Nova designation - the chapel erected in honor of Nossa Senhora do Carmo, in one of the most dangerous points of the river navigation in times when Port wine was transported in casks downriver by boat. The characterization of the quinta location, the "site of the story", the agricultue in an isolated and inhospitable region until the end of the XIX century.

    Then the long Quinta Nova history, located on the right bank of the river Douro (in the Cima Corgo Douro sub-region), in Covas do Douro, long before the 250 years referred in the title of the book.
     The origins of the quinta itself date back to 1725, a few years later its inclusion in the first Douro demarcation as a place of premium quality wine production (the «feitoria» or boarding wines), followed by the interesting description of the several Quinta Nova owners over the years to the more recent association in 1992, to the secular Port wine house "J. W. Burmester & Ca.", founded in 1750, which invested in the winery, in the expanssion of the vineyard and in the production of Port and D.O.C. wines. The first Burmester vintage Port with the designation "Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo" was produced in 1992. Some years later, in 1999, the Burmester family made the decision to sell the company (as well as the brand) and Quinta Nova to the Amorim family. 

    We accompany the journey through the Douro and the quinta vineyard heritage: "...the landscape of Douro is a peculiar, if not unique, example of the human relationship with the natural elements...".
    A reference and description of the set of buildings that constitute the quinta, the main owners house and the winery dating from 1764, the chapel, and the connection of the quinta with the surrounding community and neighboring lands, the evolution of the vineyard and the natutral heritage and the property activities, the old orchards, the viticulture and olive growing, the traditional 80 year old vineyards, the more recent vineyards and its characteristics and the "Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo" white and red D.O.C. Douro and Port wines.





Notícias da biblioteca (.6): o livro "250 anos de histórias" (Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo"
    Um livro da autoria de José Braga-Amaral, jornalista e escritor, com boa parte da sua bibliografia dedicada ao Douro, e com prefácio de Bento Amaral, Director dos Serviços Técnicos e Certificação do IVDP, Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (em tempos a Quinta Nova foi propriedade de um bisavô seu). É uma edição da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo de Outubro de 2014. Com textos em português e inglês, com o óptimo design da responsabilidade da "Omdesign", agência de publicidade portuguesa, por diversas e consecutivas vezes distinguida em concursos internacionais, pela originalidade e excelência do seu design.
    O livro é profusamente ilustrado, destaca-se a concepção e a grande qualidade das muitas fotografias que documentam o livro.

Si.nop.se
    O livro começa por contar a história do Douro, do "rio de mau navegar", a odisseia dos barcos rabelos, a origem do nome da quinta - o da capela erigida em honra de Nossa Senhora do Carmo, num dos pontos mais perigosos da antiga navegação do rio Douro. A caracterização da localização, do "sitio da história", a agricultura numa terra isolada e inóspita até finais do século XIX.
    Depois a longa história desta quinta localizada na margem direita do rio Douro (na sub-região do Cima Corgo), em Covas do Douro, muito anterior aos 250 anos referidos no título do livro. As origens em 1725, a inclusão na demarcação Pombalina do Douro como zona de produção de vinhos de primeira qualidade (vinhos de «feiroria» ou de embarque) e a interessante descrição dos diversos proprietários da Quinta Nova ao longo dos anos até à mais recente associação em 1992, à secular casa de vinho do Porto J. W. Burmester & Ca., fundada em 1750, que realizou investimentos na adega e na plantação de vinhas e a produção de vinhos do Porto e DOC Douro. O primeiro Porto Vintage desta casa com a designação Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo foi produzido precisamente em 1992. Depois, em 1999, a família Burmester toma a decisão de vender a empresa (e a marca) e a Quinta Nova à família Amorim.

    Acompanhamos a viagem pelo património do Douro e da quinta: "...a paisagem duriense é um exemplo peculiar, senão único, da relação humana com os elementos naturais..."
    Descreve-se o conjunto dos edifícios, a casa principal, historicamente a casa principal de habitação dos proprietários e a adega da quinta datada de 1764, a capela, e a ligação da quinta com as terras vizinhas e comunidade circundante, a evolução da vinha e a paisagem património da Humanidade, o património natural e a actividade da quinta, os antigos pomares, a viticultura e a olivicultura, a história da vinha, as vinhas tradicionais com mais de 80 anos, o vinhedo actual e os vinhos da quinta, brancos, tintos e o vinho do Porto.



domingo, 24 de março de 2019

Meanwhile in Porto, the exhibition: "Douro [DWR], three soils between heaven and earth" / "Douro [DWR] três solos entre céu e terra"

EN / PT

Skrei "Antrosolo", 2018: a collection of soils from the Douro, decanted in bottles / recolha de solos do Douro decantados em garrafa
    Now in presentation in Porto, in the future City History Museum, the exhibition that recently returned from Bordeaux "La Cité du Vin" that invites visitors to "discover the historical richness and the singularity of the heritage" in the North of Portugal, and presents "an organic and anthropologically attentive insight into the landsacpe of Douro - a gathering of water, rock, scent and civilization".

    The exhibition accompanying texts, welll worth reading:

    "The Douro is the land of Port wine. These sun-drenched shale slopes, stretching form the foothills of Marão and Montemuro to the stony heights of Mazouco and the border valley of Águeda, produce the best wine in the world, the result of a stubborn struggle waged by the people of the Douro, pitting body and soul against the hostile forces of nature. They cleared the forest and the wild beasts from the mountains. They ground the shale to dust and carved out kilomoters and kilometers of terraces to fill with hanging gardens of grape. They endured the fury of a violent river, with deep channels, cascades, and rushing torrents, sweeping away houses and wineries, vineyards and vegetable gardens from its banks in its great floods. In summer, they shivered through the malarial fevers that sprang from the dry riverbed. In winter, they donned their straw hats and stood firmly in their vineyards through the hail and rain. And to create this wine, they left chestnut fields, flax beds, cornfields, vegetable gardens and orchards...".

     Fernando de Sousa e Gaspar Martins Pereira.




    "Douro is the name of a river, but its a name that extends beyond its banks to become the apellation given to an entire region. For approximately 100 kilometers - from Barca d'Alva, at the spanish border, all the way to Barqueiros, near Porto, where it flows out to the ocean - Douro is both a river and a land. Flowing down from Zamora to Barqueiros, the river does not impose upon the space through which it passes.
    Here, the Douro, with its long course (nearly 900kms in length) becomes both the name given to a confluence of water, stones, plants, animals and people, and the cornerstone of that confluence, at both its beginning and its end.

    Air, fire, earth and water achieve a balance here that is propicious to that highly prized plant life whose fermentation produces the exquisite and internationally renowned wine known as Port.

    Many have attempted to reproduce this wine, with its complex manufacturing and aging process, in other lands, both in the country and abroad. Such attempts have met with no success.

    Beyond the fortification process, and the aging in selected oak casks, stored in cellars along the southern banks of the Douro's mouth, the place where the vines grow is a crucial factor: soil, topography, climate. This is terroir made entirely by hand. These terraces did not always exist; the rocky crags had to be broken down, the schist rock of the monolithic cliffs that once rose from the most sunbacked riverbanks taken apart.

    At the opposite end of the spectrum, nearly everywhere in the world, it is the production of natural and biodynamic wines that is now driving the wine experiences of the future. The idea is to give the wines made in a place its distinctive characteristics - the vines, the climate, the soil - applying techniques and containers that do not eclipse its distinctive forms, and instead allow th vines to grow and find their own way.
     This means thinking about wine in a human way, as a living, permeable, changing thing, so that through the wine one can perceive the soil, the climate, the varietals, the year and even the bottle.

    It is a different paradigm, one that emerges from an urgent need to rethink the world we inhabit; these are experiences of an intensified relationship between human beings and the soil.

    This exhibition is thus and aminist (e)vocation of the region, one that conjures up the voices of the people, the songs of the birds, the metallic tonality of the shale, the rushing of the waters and the blowing of the wind.

    First and foremost, it is a performative experience, one that can be seen as a composition; it is an exhibition that spans over time, one that articulates and brings together both ancient and contemporary sounds, testimonials, voices from the beyond and vision from the past projected into the present. In the bird's eye rendering, it constitutes a kind of landscape of sound.

    In turn, the soil, the earth, the raw material aspects have been worked and brought to the table by Skrey architecture studio, located in Porto, and the wine maker and producer Mateus Nicolau de Almeida, who have developed a continuing and fruitful collaboration in the Douro region, in Vila Nova de Foz Côa, based around the creation of places where wine is held sacred. Together, they give us a panorama of this collective quest, this probing of the region's secrets, where, following in the auspicious tradition of the Cistercian monks, a dialogue is held between the knowledge of the past and experimentation.":

    Eglantina Monteiro e Nuno Faria, the exhibition curators.

©hsm


"Douro [DWR] 3 solos entre o céu e a terra"

    Agora apresentada no Porto, no futuro espaço do Museu de História da Cidade, a exposição que regressou recentemente da "La Cité du Vin", em Bordéus, e que convida os visitantes a descobrir "a riqueza histórica e a qualidade do património" existente no Norte de Portugal e apresenta uma "visão orgânica e antropológicamente atenta à paisagem do Douro - num encontro de água, rocha, aromas e civilização.".

     Os textos que acompanham a exposição e que merecem uma leitura:

    "O Douro é a terra do vinho do Porto. Nestas encostas soalheiras de xisto, dos contrafortes do Marão e Montemuro às alturas pedregosas do Mazouco e ao vale fronteiriço do Águeda, produz-se o melhor vinho do mundo, resultado de uma luta teimosa em que o homem do Douro investiu o corpo e a alma contra a natureza hostil. Das serras expulsou a floresta e os animais bravios. Do xisto fez pó e socalcos, quilómetros e quilómetros de vinha em jardins suspensos. Aguentou a fúria de um rio violento, de poços, galeiras e torrentes, a varrer das margens casas e adegas, vinhas e hortas nas cheias grandes. No Verão, tremeu de febres palustres, que subiam do leito seco do rio. No Inverno, vestiu a croça e aguentou as codas e a chuva, pé firme na vinha. Para criar este vinho deixou soutos, linhares e searas, e hortas e pomares...".
  
    Fernando de Sousa e Gaspar Martins Pereira

    "O Douro é nome de rio que transborda para as margens, tornando-se também nome de uma região. São cerca de 100km - entre Barca d'Alva, na fronteira com Espanha, até Barqueiros, quase a desaguar no Porto - em que o Douro é água e terra. A jusante de Zamora e de Barqueiros, o rio não se impõe no espaço que atravessa.
     Do seu longo curso (cerca de 900km) é aqui que o Douro é nome de um encontro de água, pedras, plantas, animais e pessoas, e a chave por trás da qual este encontro pela primeira vez e também a última se dá.

    O ar, o fogo, a terra e a água atingem aqui um ponto de equilíbrio de onde nasce uma forma de vida vegetal irrepetível, cuja fermentação converte no nobre e internacional Vinho do Porto.

    Sendo um vinho que passa por um complexo processo de fabricação e envelhecimento foram muitos os que dentro e fora do país tentaram produzi-lo noutras paragens. Sem sucesso.

    Apesar da aguardentização, do envelhecimento em cascos de madeira seleccionados, estágios nas caves da margem sul da foz do Douro, o lugar onde as vinhas crescem é decisivo: solo, topografia, clima. Um "terroir" feito à mão. Os socalcos não existiam, foi preciso rebentar as fragas, desfazer as pedras xistosas das pedras tumulares que se levantavam nas margens mais expostas ao sol.

    Na polaridade oposta e um pouco por todo o mundo, hoje é a produção dos vinhos naturais e biodinâmicos que comanda as experiências vínicas futurantes. A ideia é fazer com que o vinho seja a marca original de um sítio: vinho, clima, solo, aplicando técnicas e contentores que não escondam as formas originais, e permitam que os vinhos evoluam e encontrem o seu próprio caminho.
    Isto significa pensar o vinho de uma forma humana, como uma coisa viva, permeável, em mutação, de molde a através do vinho se percepcione a terra, o clima, as cepas, o ano e até mesmo a garrafa.

    É um outro paradigma que emerge da urgência de repensarmos o mundo que habitamos, são experiências de intensificação da relação dos homens com a terra.

    Por isso, esta exposição é uma (e)vocação animista da região, que convoca a voz dos homens, o canto das aves, o som metálico do xisto, o correr das águas e o sopro do vento.

    Em primeira instância, é uma experiência performativa que pode ser entendida como uma composição: trata-se de uma exposição que tem uma duração - articula, faz coabitar sons antigos e contemporâneos, depoimentos ouvidos, vozes do além e visões do passado projectadas no presente. É, na sua versão aérea, uma paisagem sonora.

    Em contraponto, a terra, o chão, a matéria é trabalhada e trazida pelo atelier de arquitectura Skrei, sedeado no Porto, e o enólogo e produtor Mateus Nicolau de Almeida, que desenvolvem uma continuada e profícua colaboração na região do Douro, em Vila Nova de Foz Côa, em torno da criação de lugares de culto do vinho. Juntos, oferecem-nos um panorama dessa demanda conjunta, desse inquérito aos segredos da região, na qual, sob a auspiciosa tradição dos monges cistercienses, dialogam conhecimento do passado e experimentação.".

    Eglantina Monteiro e Nuno Faria, os curadores da exposição.



Skrei, "Rocha-mãe", 2018: samples of stones representing the lithologies of Douro demarcated region / amostras de recolhas representativas de litologias da região demarcada do Douro.


©hsm

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

4 questions to Alex Bridgeman, the "face" of The b.f.t.

EN/PT

    A focus on fortified wines, the attention they deserve


                                                                           with permission The b.f.t.


Alex Bridgeman
    Just a few weeks away from the next the b.f.t. 9th edition, which will be held as in previous editions, at Church House Conference Centre, in Westminster, London, we publish the interview Alex Bridgeman granted us, currently and since the last b.f.t. edition, the main responsible and the "face" of this event.

    PtoPwine: Personally what is your relationship or feeling about fortified wines and Portuguese fortified wines in particular?
    AB: When I was 21, my grandparents opened a bottle of Taylor's 1963 vintage Port (I was born in 1963). When I said I liked it, my grandfather was very disappointed. He explained he had hoped I would not like vintage Port because then he would be able to keep the other 12 bottles of Taylor's 1963 for himself. He was very sad when he gave me the rest of my 21st birthday present from my grandparents, but very happy over the next few years when he shared one with me from time to time to celebrate birthdays. My last bottle from the case was opened to celebrate my 50th birthday and the memory of my wonderful grandparents. I have always had a love of fortified wines, especially of Port and wines made in a similar way, such as Cape vintage from South Africa, and was deeply honoured a few years ago to be elected as a Cavaleiro da Confraria do Vinho do Porto. I am also a frequent contributor to the website theportforum.com, where there is a database of around 5.000 tasting notes on Port of all types.

    PtoPwine: Why the need of an exclusive fortified wine tasting?
  AB: Fortified wines are - quite wrongly - overlooked by so many people. They are amazing examples of the skill of the winemaker and because they are often made as almost as a hobby, they frequently represent amazing value for money. At a normal wine fair, such as the London Wine Fair, 99% of the wines shown are table wines. Anyone looking for a fortified as to search through the entire show to find perhaps 10-15 examples. At a wine show dedicated to fortified wines people who attend are looking specifically for this style of wine and know that everything on show is in this category. At the same time the producers who are showing their wines, know that the people attending are people buying, selling, serving or writing specifically about fortified wines. I learned so much at the show about styles of fortified wine which I've not drunk often before - chilled sherry from the fridge during the hot summer or white Port and tonic over ice have been delightful drinks this year.

    PtoPwine: How do you see the evolution of The b.f.t. since its first edition? Is there a growing interest in fortified wines?
    AB: The first b.f.t. was organized by Danny Cameron and had 12 exhibitors and aroud 100 visitors. The first show was a great success and generated a lot of interest among buyers and producers and the second year was much bigger. After a few years the show grew to the point where it needed to move to a larger venue and relocated to Church House in Westminster. Interest in fortified wines is growing, but these are definitely not mainstream wines - even though they should be. There are more Sherry bars and tapas bars serving Sherry in London than 10 years ago and Port bars or restaurants specialising in Port are starting to open. I hope that by making it easier for bars and restaurants owners to meet the producers we are doing our small part to help the growth of the consumer's interest in fortified wines.

    PtoPwine: What are the perspectives for The b.f.t. 2019 edition?
    AB: In 2016 the show was organized by Ben Campbell-Johhston. Sadly, he died in late 2016 and the show did not run in 2017. I felt very strongly that fortified wines should continue to have their own show where trade consumers and buyers can learn more about these very special wines and, hopefully, to continue Ben's wonderful legacy. The show is relative small, with around 40 producers showing 200 wines to about 400 visitors. The size is perfect as it allows the show to be relatively intimate and for producers and visitors to spend a good amount of time with each other. We are working hard in 2019 to increase the number of independent wine merchants and on trade operators who visit the show and are looking at the possibility of including a mixologist who can show visitors the versality of these wines in cocktails, but we don't plan to increase the size of the show too far.
                                                                                 with permission The b.f.t.

4 perguntas a Alex Bridgeman, o responsável pelo The b.f.t.


A atenção que os vinhos fortificados merecem

    A menos de 2 meses da próxima edição do The b.f.t., a 9.ª, que este ano se realizará a 16 de Abril, na Church House Conference Centre, Westminster, em Londres, como em anos anteriores, publicamos a entrevista que Alex Bridgeman nos concedeu. Alex Bridgeman é, actualmente e desde a última edição, o responsável e a face de toda a organização deste acontecimento.

    PtoPwine: Pessoalmente qual é a sua relação e opinião sobre os vinhos fortificados em geral e os portugueses em particular?
     AB: Quando eu tinha 21 anos, os meus avós abriram uma garrafa de vintage Taylor's 1963 (nasci em 1963). Quando eu disse que tinha gostado, o meu avô ficou muito desapontado e explicou-me que esperava que eu não gostasse do vinho do Porto para ficar com as restantes 12 garrafas de Taylor's vintage 1963 para si. Ficou muito triste quando me ofereceu o resto do meu presente de 21 anos de aniversário, mas ficou muito feliz nos anos seguintes, quando compartilhava comigo uma garrafa deste vintage, de vez em quando, para celebrar aniversários. A minha última garrafa deste conjunto foi aberta para celebrar o meu aniversário de 50 anos e a memória dos meus maravilhosos avós. Sempre gostei muito de vinhos fortificados, especialmente de vinho do Porto e de vinhos similares, como o Cape vintage, da África do Sul e fiquei profundamente honrado quando, há alguns anos atrás, fui eleito Cavaleiro da Confraria do Vinho do Porto. Também sou um colaborador frequente do site theportforum.com, onde existe um banco de dados com cerca de 5.000 notas de prova de todos os tipos de vinho do Porto.

    PtoPwine: Porquê a necessidade de uma apresentação exlusiva de vinhos fortificados?
    AB: Os vinhos fortificados são - muito injustamente - a maioria das vezes, esquecidos. Mas são vinhos que são exemplos surpreendentes da perícia do produtor e porque são frequentemente produzidos quase como um passatempo, para além de frequentemente terem uma boa relação qualidade preço. No geral das apresentações dedicadas ao vinho, como a London Wine Fair, 99% dos vinhos são vinhos de mesa. Quem procura um determinado vinho fortificado tem de procurar por todo o evento para encontrar talvez 10 ou 15 exemplos. Numa mostra de vinhos dedicada a vinhos fortificados, as pessoas vão especificamente por este tipo de vinho e sabem que todos os vinhos apresentados são deste estilo. As mesmo tempo, os produtores que apresentam os seus vinhos, sabem que as pessoas presentes são pessoas que compram, vendem, servem ou escrevem especificamente sobre vinhos fortificados. Tenho aprendido muito neste evento sobre estilos de vinhos fortificados que não tinha bebido muitas vezes - sherry fresco no frigorífico durante o Verão ou Porto branco e água tónica com gelo, têm sido bebidas deliciosas.

    PtoPwine: Como vê a evolução do The b.f.t. desde a sua primeira edição? Existe um interesse crescente nos vinhos fortificados?
    AB: O primeiro b.f.t. foi organizado por Danny Cameron e teve 12 expositores e cerca de 100 visitantes. A primeira edição foi um grande sucesso e gerou muito interesse entre compradores e vendedores e o segundo ano foi muito maior. Depois de alguns anos, o evento cresceu até ao ponto em que era preciso mudar para um local maior, a Church House em Westminster. O interesse em vinhos fortificados está a aumentar mas definitivamente não são vinhos convencionais - embora devessem ser! Há mais bares de xerez e bares de tapas que servem xerez em Londres do que há 10 anos atrás e estão a começar a aparecer bares e restaurantes especializados em vinhos do Porto. Esperamos que, ao tornar mais fácil aos proprietários de bares e restaurantes o conhecimento de produtores, estejamos a fazer a nossa pequena contribuição para ajudar ao crescimento do interesse do consumidor nos vinhos fortificados.

    PtoPwine: Quais as perspectivas para a edição de 2019?
    AB: Em 2016 o evento foi organizado por Ben Campbell-Johnston que, infelizmente faleceu no final desse ano e o b.f.t. acabou por não se realizar em 2017. Tenho a forte convicção que os vinhos fortificados devem continuar a ter o seu próprio espaço, onde consumidores e compradores podem aprender mais sobre estes vinhos especiais e, com sorte, poder continuar com este legado do Ben. O evento é relativamente pequeno, com aproximadamente 40 produtores que apresentam cerca de 200 vinhos para cerca de 400 visitantes. Este tamanho é perfeito, pois permite que o programa seja relativamente intimista e que produtores e visitantes passem bastante tempo juntos. Estamos a trabalhar intensamente para em 2019 aumentar o número de comerciantes de vinhos independentes e os operadores de comércio que visitam o evento estão a considerar a possibilidade de incluir um mixologista que possa mostrar aos visitantes a versatilidade destes vinhos em cocktails, mas não estamos a planear aumentar muito mais o tamanho do evento.

    Os nossos agradecimentos a Alex Bridgeman e o maior sucesso para o The b.f.t..

©Hugo Sousa Machado

    
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

The 2016 classic Vintage Port

EN/PT

The 2016 Vintage Port comprehensive list, the producer's and their notes.



     The 4th classic vintage Port of this century, 5 years after the extraordinary 2011 vintage ports, and after all the doubts and indecisions among winemakers and producers regarding a possible 2015 vintage declaration, which nevertheless was a year with very good conditions to produce vintage Port, we now have the 2016 vintage declaration.
    It was the result of a very difficult, demanding and challenging wine year for winegrowers, in which their experience and knowledge of the vineyards was absolutely fundamental to the critical decision of the right moment to harvest.

    To understand these wines (and in fact all wines) it is necessary to know all the peculiarities of the wine year that originated them. see more information: the douro 2016 harvest report

    Despite the number of the 2016 vintages declared, that we have recorded so far (100), however, it seems clear that, also taking into account the 2015 vintage Port declaration and although we are always within the scope of a classic generalized and comprehensive declaration, considering the number of producers who declared the 2016 vintage with their mains brands and the indisputable extraordinary quality of these wines, there were also important exceptions, houses that took the option of not declaring 2016 (such as Ramos Pinto) thus assuming the 2015 declaration preference, and others that reserved their main brands for the 2015 declaration (such as Niepoort and Alves de Sousa), facts that did not occur in the 2011 classic vintage declaration.

    In 2016, the quantity of vintage Port produced was lower, a consequence of the wine year characteristics, but also the commercial strategy of the main reputed companies to progressively value this special Port wine category, with the consequent price increase. This trend began to be noticed with the 2011 vintage Ports and after almost a quarter of a century (since the end of the 1980's) in which demand had slowed.

    We also have news, companies that declared their first vintage Port or new vintage Port brands, the first editions: Dona Otília - Ferreira Porto Vintage Vinhas Velhas - Quinta da Água Alta - Quinta do Pôpa - Quinta dos Lagares - Talentvs Quinta Seara D'Ordens.

    The list details:


Our thanks to the companies who collaborated in this publication with all the information provided.

(please send further relevant information to: ptopwine@gmail.com)


A lista completa dos Porto Vintage 2016, os produtores e as suas notas


    O 4.º vintage clássico deste século, 5 anos depois do extraordinário vintage de 2011 e de assistirmos a todas as dúvidas e indecisões entre produtores e enólogos relativamente à declaração vintage do ano de 2015, que apesar de tudo, foi um ano com excelentes condições para a produção de Porto vintage, temos a declaração de 2016.

    Foi o resultado de um ano vitivinícola muito dificíl, exigente e desafiante para os produtores, em que foi indispensável toda a sua experiência e conhecimento da vinha na decisão do momento certo da vindima.    
    Para compreender estes vinhos (como todos os vinhos) é preciso conhecer as peculiaridades do ano que os originou. mais informação em:douro, o relatório da vindima 2016 .

    Apesar do número de vintages declarados que registamos até agora (100), no entanto, parece claro que, considerando também as declarações vintage em 2015, apesar de estarmos sempre perante uma declaração clássica de âmbito muito alargado e generalizado pelo grande número de produtores que declararam vintage em 2016 com as suas principais marcas e pela extraordinária qualidade dos vintages apresentados, houve importantes excepções, casas que assumiram a opção clara de não declarar 2016 e a preferência por 2015 (como a Ramos Pinto) e outras que reservaram as principais marcas para a declaração de 2015 (Niepoort e Alves de Sousa), o que não aconteceu na última declaração clássica de 2011.

    Em 2016 a quantidade de Porto vintage produzido foi menor, consequência das circunstâncias especificas do ano vitícola, mas também a estratégia comercial de muitas casas produtoras para a valorização progressiva desta categoria especial de vinho do Porto e o consequente aumento de preços. Esta tendência de valorização começou a ser marcada pelos vintages de 2011, depois de quase um quarto de século (desde finais dos anos 80 do século passado), em que a procura tinha abrandado.

    Existem também novidades nesta declaração, casas produtoras que declararam vintage pela primeira vez, assim como casos de primeiras edições: Dona Otília - Ferreira Porto Vintage Vinhas Velhas - Quinta da Água Alta - Quinta da Oiveirinha - Quinta do Pôpa - Quinta dos Lagares e Talentvs Quinta Seara D'Ordens.




  O nosso agradecimento às empresas que colaboraram nesta publicação com as informações e os esclarecimentos prestados.

(para envio de informação complementar, que agradecemos: ptopwine@gmail.com)

©Hugo Sousa Machado