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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

The Port library News (.3) The Douro revisited: Douro, River, People and Wine



 ©HSM archives
    
    The book "Douro River People and Wine" by Antonio Barreto, officially presented at the end of last year, at the IVDP in Oporto, is a revised, updated and expanded edition of  the previous issues published in the nineties of the last century by "Inapa" publisher and sold out long ago (photo below).

    It is a must book for any serious library dedicated to the Douro region and Port wine and is a valuable and indispensable contribution to the understanding and knowledge of the Douro region, its geography, landscape, the "Quintas", people, wine companies, social, cultural, technological and oenological changes over the last 20 years, which are the most extraordinary wine region in the world.

  This edition, available only in Portuguese, includes a set of 230 photographs, many unpublished and others are the author´s photos, who has been photographing the Douro almost for forty years and others of his private collection of photographs of the region, taken by great photographers who visited the Douro from mid-century. XIX.

   The book presentation allows a reflection on the rapid alterations and major changes in the Douro over the last 20 to 30 years (approximately since the last edition of the book), we might call it the "new Douro" or "Douro renewal movement "which we could help define briefly with the following main features:

1. The appearance of the wine DOC Douro table wine, with great success and with international recognized quality wines. In fact, this type of wine is very recent in the history of the region, it began to emerge over the last 20-30 years. Before there were few Douro table wines, as exemplified by the iconic "Barca Velha" and the Real Companhia Velha wines ("Evel", "Grandjó" and "Porca de Murça").

2. The emergence of a new genaration of producers, with other values and other ambitions, with more "world", as exemplified by the "Douro Boys" (Quinta do Vallado, Quinta do Crasto, Quinta Vale D. Maria, Quinta Vale Meão, Niepoort) Port wine and Douro DOC wine producers, which together internationally promote their wines and renewed the interest in the Douro table wines.

3. There´s a phenomenon of concentration of Port wine business in large groups (Symington Family Estates, Sogrape, Sogevinus, Porto Cruz, Fladgate Partnership) with the consequent gradual disappearance of the family companies, as well as a growing foreign investment in the region.

4. In addition and as a counterpoint to large groups we can point out the emergence of small producers-bottlers, headquartered in the Douro who are commited in the production of both types of wine, Porto (single quinta vintage Port wines, in the strict sense of this wine style) and DOC Douro (some examples are;  Wine & Soul - Pintas, Quinta do Passadouro, Conceito wines, Duorum, Lavradores de Feitoria, Morgadio da Calçada, Rui Madeira wines - Castelo D´Alba).

5. On the side of the Douro small winemakers, we may point out the constant fall in the value of the grapes, which are the main crop.



    The inspiring words of the author, Antonio Barreto, at the book presentation:

"Port wine is certainly the single most important contribution of Portugal to the history of humanity.".

"No Portuguese product is as well known in the world, for so many decades, centuries and I hope it does not change anything important, on the contrary, maintain, develop, but keep the essential features. ".

"Half of the book are photographs, 40 years of the author's photos and over 100 years of heritage photographs. I think that is seen through the evolution of photography, the work of the people, how people were organized in the vineyard, and in the wine production, the very configuration of the terraces and vineyards, I think you realize that the Douro is undergoing important and accelerated changes. ".

©HSM archives
 
Notícias da Biblioteca (.3) O Douro revisitado: Douro, Rio, Gente e Vinho

    O livro "Douro, Rio, Gente e Vinho", de António Barreto, apresentado oficialmente no final do ano passado, no IVDP, no Porto, é uma versão revista, actualizada e aumentada, das edições publicadas nos anos noventa pela editora Inapa e esgotadas há muito tempo (fotografia em baixo).

    É um livro imprescindível em qualquer biblioteca séria dedicada ao Douro e vinho do Porto e que constitui uma valiosa e indispensável contribuição para a compreensão e o conhecimento da região do Douro, da sua geografia, da paisagem, das quintas, das pessoas, das empresas, das mudanças sociais, culturais, tecnológicas e enológicas, dos últimos 20 anos e que constituem a mais extraordinária região vinícola do mundo.

   Esta edição, disponível apenas em português, incluí um conjunto de 230 fotografias, muitas inéditas e outras do próprio autor, que fotografa o Douro há quase quarenta anos e outras da sua colecção particular de fotografias da região, de grandes fotógrafos que passaram pelo Douro desde meados do séc. XIX.

    A apresentação deste livro permitiu uma reflexão sobre as rápidas alterações ocorridas e as grandes mudanças nesta região nos últimos 20 a 30 anos (aproximadamente desde a última edição do livro), a que poderíamos chamar o "novo Douro" ou "movimento de renovação do Douro", que resumidamente poderíamos ajudar a definir com as seguintes características principais:

1. O aparecimento do vinho DOC Douro de mesa, com grande sucesso e com vinhos de qualidade reconhecidamente internacional. De facto, este tipo de vinho é muito recente na história da região, começaram a surgir desde há 20 - 30 anos. Antes existiam poucos vinhos tranquilos, de que são exemplo o icónico "Barca Velha", os vinhos da Real Companhia Velha (Evel, Grandjó e Porca de Murça).

2. O aparecimento de uma nova geração de produtores, com outros valores e outras ambições, com mais "mundo", de que é exemplo os "Douro Boys" (Quinta do Vallado, Quinta do Crasto, Quinta Vale D. Maria, Quinta Vale Meão, Niepoort), produtores de vinho do Porto e Douro DOC, que promovem internacionalmente em conjunto os seus vinhos e que renovaram o interesse nos vinhos tranquilos do Douro.

3. Para além de assistirmos a um investimento estrangeiro crescente na região, há um fenómeno de concentração do negócio do vinho do Porto em grandes grupos (Symington Family Estates, Sogrape, Sogevinus, Porto Cruz, Fladegate Partnership) com o consequente progressivo desaparecimento das empresas familiares.

4. Paralelamente e como contraponto aos grandes grupos, assiste-se também ao aparecimento de pequenos produtores engarrafadores, sediados no Douro e que se empenham na produção dos dois tipos de vinho, do Porto (produtores de Porto vintage single quinta, no rigoroso sentido deste estilo de vinho) e DOC Douro (alguns exemplos, Wine & Soul, Quinta do Passadouro, Conceito Vinhos, Duorum, Lavradores de Feitoria, Morgadio da Calçada, Rui Roboredo Madeira Vinhos).

5. Do lado dos pequenos viticultores durienses, apontamos a constante quebra no valor das uvas, que são a principal cultura.

    Ainda as palavras inspiradoras do autor, António Barreto, na apresentação do livro:

"O vinho do Porto é certamente o mais importante contributo singular de Portugal para a história da humanidade.

“Nenhum produto português é tão conhecido no Mundo, durante tantas décadas, tantos séculos e espero que não alterem nada importante no vinho do Porto, pelo contrário, mantenham, desenvolvam, mas mantenham as características essências.".

"Metade do livro é fotografia, 40 anos de fotografia do autor e mais de 100 anos de fotografias de património. Penso que se vê através da evolução da fotografia, do trabalho das pessoas, de como as pessoas estavam organizadas na vinha, da produção do vinho, da própria configuração dos socalcos e dos vinhedos, acho que se percebe que o Douro está em mudanças importantes e aceleradas.".


©Hugo Sousa Machado



terça-feira, 11 de novembro de 2014

Douro: the 2014 harvest report

Quinta do Noval, in the Pinhão river valley (Upper Corgo sub-region)   © HSM archives 
     

       Completed the 2014 vintage in the Douro region, undoubtedly the main feature and the determining imprint which affected the entire 2013-2014 viticultural year, was the great climatic instability, which led to an atypical year.
     The weather remained unstable throughout the year until the beginning of summer and then, later also after the beginning of the harvest.
    This great instability reflected mainly in the high rainfall recorded throughout the year, with a very rainy winter, especially between December and February.
     In early July, it rained heavily, but the vines did not suffer any damage.

    Later came the mid-September rain, which lasted almost two weeks, extending until the beginning of October, that hit the region in full harvest, conditioning it (in this critical time, the rain has caused a reduction in the sugar concentration of the grapes and the probable alcohol content).
     Finally, on October 8, another rainstorm hits the region and all those that still harvested.

      We have yet to consider the fact that the temperature evolution throughout the yera was not constant; as an example, January was warmer and August cooler with lower temperatures than usual. As a result, the main Douro grape varieties evolve at very different rates; Tinta Roriz was the first to ripen, and the Touriga Franca, with good quality grapes, was the last (also with good quality were the Touriga National and Sousão grapevarieties).

      However we should emphasize that despite the atypical year and the conditions described, the grapes maturation monitoring and the control made in the vineyards, in most cases determined the beginning of the harvest in the first week of September (in 2014 the maturation took place earlier than in the previous year).

    In fact, to date, between the first and second week of September, the harvest looked promising and in many cases the grapes were in very good condition and perfect for good wines of Porto and Douro.

   There was also a drop in wine production across the region, reaching approximately 10% and in some producers this values were higher, such as Niepoort in Quinta de Nápoles (located on Cima Corgo sub-region), there was a 20% fall in wine production.

    We must note, however, that all these facts are general, precisely because the Douro region when analyzed in more detail, always possess a huge heterogeneity of situations, when relating the sub-regions or the geographic locations of the producing land or even the different quotas, which always escape a general analysis.
    In other words, surely the Lower Corgo sub-region, was hardest hit and most suffered the consequences of high rainfall than the Douro Superior sub-region (where rainfall records are very low). In fact, rainfall variations between different areas were large: Lower Corgo, hardest hit by the rain, had a very difficult harvest; in the Upper Corgo, there were some areas with an excellent vintage and others not so much. In the Upper Douro and in all the areas that were not affected by rain (all those who managed to harvest before the mid September rain), will produce very good quality wines.
   It may also be a good year for white wines, fresher wines, which benefited more from the climatic conditions of the  year.

     In conclusion, it was an unusual and very difficult year, far from being perfect, but we must consider that in such a diverse and rich region as the Douro, there will always be exceptional wines in those vineyards that have escaped the rain effects, and also those producers with properties located in different areas that have the possibility to choose the best grapes, and also all those who took advantage of manual harvest - choosing the best grapes begins in the vineyard - allowing immediate grape quality selection by grape pickers.
      
    In all likelihood 2014 will not be a classic vintage year.

©Hugo Sousa Machado



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Douro: o relatótio da vindima de 2014

Quinta do Noval: the characteristic white marked terraces that stand out in the Pinhão river valley landscape  © HSM archives 


     Concluída a vindima de 2014 na região do Douro, sem dúvida que a principal característica e a marca determinante que condicionou todo o ano vitícola de 2013-2014, foi a grande instabilidade climática, que esteve na origem de um ano atípico.
     O tempo manteve-se instável durante todo o ano e até ao início do verão e depois, mais tarde, também após o início da vindima.

      Esta grande instabilidade traduziu-se, principalmente, na elevada precipitação registada ao longo de todo o ano, com um Inverno muito chuvoso, sobretudo entre os meses de Dezembro a Fevereiro.

       Depois, no início de Julho, voltou a chover intensamente mas sem que, no entanto, as vinhas fossem atingidas.
      Mais tarde, apareceu a chuva tardia de meados do mês de Setembro, que durou quase duas semanas, prolongando-se quase até ao início de Outubro, atingindo a região em plena vindima, condicionando-a (nesta altura crítica, a chuva tem como consequência a diminuição da concentração de açucares das uvas e do teor de álcool provável).
     Por fim, a 8 de Outubro, outra chuvada atinge a região e todos os que ainda vindimavam.

     Temos ainda que considerar neste ponto, que a evolução da temperatura não foi constante; como exemplo, o mês de Janeiro foi mais quente e o mês de Agosto mais fresco, com temperaturas mais baixas do que o habitual.

      Como consequência desta instabilidade, as principais castas evoluiriam em ritmos muito diferentes; a tinta roriz foi a primeira a amadurecer e a touriga franca, com bastante qualidade, a última (com boa qualidade estavam também as uvas da casta touriga nacional e da casta sousão).

      Contudo, refira-se que, apesar da atipicidade do ano e das condicionantes descritas, o acompanhamento das maturações e os controlos realizados na vinha, determinaram que a vindima tivesse início, na maioria dos casos, na primeira semana de Setembro (em 2014 a maturação deu-se mais cedo do que no ano anterior).
     Na realidade, até esta data, entre a primeira e segunda semana de Setembro, a colheita parecia promissora, em muitos casos as uvas estavam em muito boas condições e perfeitas para bons vinhos do Porto e Douro.
        
    Assinala-se também a quebra na  produção de vinho em toda a região, atingindo aproximadamente 10% e em alguns produtores percentagens mais elevadas, como é o caso da Niepoort, na Quinta de Nápoles, em que houve uma quebra de 20% na produção.

      Sublinhamos, todavia, que todas as vicissitudes assinaladas são gerais, precisamente porque a região do Douro quando analisada mais em detalhe, possuí sempre uma enorme heterogeneidade de situações, quer entre as sub-regiões, quer entre a localização geográfica dos terrenos, quer entre as diferentes quotas, que escapam sempre a uma análise geral
     Explicando melhor, concerteza que a sub-região do Baixo Corgo foi mais atingida e sofreu mais as consequências da elevada precipitação do que a sub-região do Douro Superior (em que os índices de precipitação são sempre baixissímos). De facto, as variações de precipitação entre as diferentes zonas foram grandes: o Baixo Corgo, mais atingido pela chuva, teve uma vindima muito difícil, no Cima Corgo, houve zonas com uma excelente vindima e outras que nem tanto. No Douro Superior e em todas as zonas que não foram afectadas pela chuva (o que abrange todos quantos vindimaram antes da chuva de Setembro), vai dar origem a vinhos de muito boa qualidade.
     Poderá também ser um bom ano para os vinhos brancos, vinhos mais frescos, que beneficiaram mais com os condições do ano vitícola.

       Em conclusão, foi um ano atípico que não foi dos melhores, muito pelo contrário, foi um ano muito difícil, mas numa região tão diversa e tão rica como o Douro, haverá sempre vinhos excepcionais,nas vinhas que escaparam aos efeitos da chuva, mas também nos produtores com propriedades localizadas em diferentes zonas e que por isso, têm a capacidade de escolher as melhores uvas para os lotes que compõem os vinhos e também parta quem tirou proveito das vindimas manuais, que permitem uma selecção imediata das uvas pelos vindimadores.

      Com toda a probabilidade 2014 não será um ano vintage clássico.


©Hugo Sousa Machado
            

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto (.2)



Edição Portuguesa do Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto, 576 págs (600 imagens e 3000 entradas/verbetes), Porto Editora, Porto, 2014

O primeiro dicionário do mundo sobre um único vinho

    Foi bom ver que, apesar do dilúvio do final de tarde, na passada quarta-feira, a sala do auditório do IVDP estava cheia, para esta apresentação.

    Nos 3 anos que decorreram entre a edição brasileira e a edição portuguesa, foi difícil encontrar uma editora em Portugal interessada na publicação desta obra. A "Porto Editora" assumiu agora este interesse, com o apoio do IVDP (entre outras entidades). A este propósito, Paulo Gonçalves, o representante da editora referiu, na apresentação oficial, que "não fazia sentido, um dicionário destes não estar disponível em Portugal, dada a qualidade do trabalho feito pelos autores".
    Como sublinhou o Presidente do IVDP, Manuel de Novaes Cabral, este livro, que resultou da paixão dos autores por um produto muito especial, que é o vinho do Porto, foi um brinde invisível dos dois lados do Atlântico.
    Com uma grande parte do trabalho de pesquisa, investigação e recolha de imagens, realizado com recurso à biblioteca e arquivo do IVDP, esta não é uma obra finita e estática, antes forçosamente incompleta e dinâmica, que se pode comprovar pela edição portuguesa, já mais completa com novas entradas.

    É, sem dúvida, mais um excelente meio de promoção do vinho do Porto e neste caminho, aguarda-se agora uma edição inglesa ou em inglês, para os muitos interesses nos EUA, Reino Unido e Escandinávia, assim como uma edição francesa, porque o vinho do Porto é um vinho do mundo, é o vinho mais sério do mundo, é um embaixador líquido de Portugal e uma expressão da alma portuguesa, como nos inspirou Carlos Cabral, co-autor do livro.
    
    Da intervenção de Manuel Pintão, regista-se: "acima de tudo, o vinho do Porto é um vinho que une as pessoas e isso é muito importante nos tempos que correm".

    Algumas entradas exemplo duma leitura mais divertida do Dicionário:

Pág. 176, entrada "Convento da Serra do Pilar": "Localizado na margem esquerda do rio Douro, em Vila Nova de Gaia, de 1705 a 1735 os padres agostinianos deste mosteiro, consumiram 263 pipas de vinho. Não consta que o tenham comercializado".

Pág. 359, imagem "Nixon", ilustrativa do vinho do Porto "Nixon´s Tozé".

Pág. 420, entrada "Receita de Vinho do Porto": "As pessoas que solicitavam ao Instituto do Vinho do Porto a receita deste vinho recebiam a seguinte resposta: Colham-se do Câmbrico umas grossas talhadas de terreno, ondulem-se caprichosamente formando-se vales com encostas de áspero declive sulcados por cursos de água revolta; debruem-se por altas montanhas de protecção; cubram-se dum céu caracterizado por condições muito particulares de clima; cultive-se tal pedregoso à custa de esforços violentos, plantando a vinha na fraga esboroada a ferro ou mesmo a tiro; lute-se o ano todo no mais rude dos granjeios. Assim se obtém os Vinhos do Douro que depois de lotados entre si e deixados envelhecer constituem o Vinho do Porto.".



©Hugo Sousa Machado

     


terça-feira, 14 de outubro de 2014

O Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto (.1)

A edição publicada no Brasil do Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto, 565 págs., Editora da Cultura, São Paulo, 2011
        
     Finalmente, a apresentação pública oficial, em Portugal - amanhã, 15 de OUtubro, às 18:00, no auditório do IVDP - de uma obra, até agora, apenas publicada no Brasil, em 2011 e que nessa edição contou com o apoio, entre outras entidades brasileiras, do Governo Federal (pelod que, dificilmente se poerá classificar de "novíssima, como se refere no site do IVDP).

     Da bibliografia publicada e dedicada ao vinho do Porto, não existia ainda um dicionário que reunisse e estruturasse a vasta informação existente. É, sem dúvida, uma obra de fôlego, resultado da experiência pessoal e de um trabalho de pesquisa dos autores, iniciado em 2005 e que se prolongou por seis anos. É uma obra fundamental na biblioteca de todos aqueles que acompanham e que se interessam pelo estudo dos temas relacionados com o vinho do Porto e a nossa História.
    Os autores são, o português Manuel Poças Pintão, responsável comercial da "Poças Júnior" durante cinco décadas e personagem de reconhecido mérito no sector e o brasileiro Carlos Cabral, enófilo e considerado o embaixador do vinho do Porto no Brasil.
          
        Não resisto a transcrever os seguintes excertos da "Introdução":

"Mais que um simples vinho, o Vinho do Porto é uma instituição nacional e tem a capacidade de representar um povo. A simples citação de seu nome ou sua presença, em qualquer ato ou festividade, remonta imediatamente à Nação portuguesa e seu povo."

"Este vinho (...) passou a ser referência constante de História, Filosofia, Sociologia, Economia, Agronomia, Enologia, Folclore, Literatura e Arte."

©Hugo Sousa Machado


sábado, 20 de setembro de 2014

O extraordinário país do vinho

    O nosso tesouro

    Penso não ser exagero afirmar, que não há no mundo outro país com a nossa reduzida dimensão geográfica (continental e insular) e com regiões vitivinícolas tão variadas e distintas entre si, com uma enorme diversidade concentrada num pequeno território.

    Esta variedade de características em cada região e sub-região - solos e microclimas próprios - dão origem a especificidades nas castas plantadas e nos vinhos produzidos. Vinhos tão diferentes, de região para região, originais e autênticos, sejam tranquilos ou fortificados.

    Acrescente-se a quantidade, multiplicidade e exotismo das nossas castas autóctones - estão actualmente identificadas cerca de 250 castas, número que, no entanto, não é definitivo, uma vez que a Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira (PORVID), está empenhada no processo de identificação e protecção da biodiversidade de castas, em curso, e com toda a certeza o número de castas identificadas aumentará no futuro - na sua grande maioria pouco ou mesmo nada exploradas e das quais pouco ou nada se sabe.

    Ainda, um país com a excentricidade de combinações de castas variadas - os chamados "vinhos de lote" ou ainda a "magia do lote" - uma prática comum e habitual entre nós na produção de vinhos, desde sempre, que constitui um factor estranho a todos os outros países produtores de vinho (do velho e do novo mundo).

    Todas estas combinações originam vinhos que certamente variam de região para região (ou de sub-região para sub-região), mas também de produtor para produtor. Podemos mesmo considerar que o conjunto de castas que compõem um lote podem variar, considerando o mesmo produtor ou enólogo, de um ano para o outro.

    Outro elemento único e diferenciador é o das "vinhas velhas", com várias castas misturadas (inclusive castas tintas e brancas), numa mesma parcela ou lote de terreno (e é normal existirem nestas vinhas mais de 35 variedades plantadas), geralmente, com idades superiores a 60, 70 anos ou mais, com produções muito baixas, mas com uma maior concentração de todos os elementos da uva.

   É este conjunto de elementos, que constitui uma riqueza única, que devemos sentir como nossa e como um património a defender e valorizar, num mundo ainda dominado pela concepção monótona, redutora e uniforme, dos vinhos iguais, produzidos com as mesmas sacrossantas castas internacionais; cabernet sauvignon, chardonnay e sauvignon blanc e pouco mais, num estilo único, internacional, independentemente do país ou região produtora, desconsiderando as expressões diferenciadoras que estão na origem da autenticidade das regiões e dos vinhos (o "terroir"). 
    Este gosto estabelecido, que leva à rejeição de tudo o que sai fora da norma, promove também a ignorância, uma vez que o princípio orientador de escolha de vinhos pela casta é limitado e redutor e não promove o contexto do vinho, o que está na sua origem, para além da uva.

    O que defendemos aqui, é precisamente o oposto, isto é, uma visão abrangente, que não despreze os valores que são indissociáveis do vinho e indispensáveis para a sua compreensão e melhor apreciação: as especificidades de cada região, os solos, as diferentes altitudes e a exposição dos terrenos, o clima, o contexto histórico, patrimonial, cultural e social e mesmo a personalidade e idiossincrasias do prórpio produtor ou enólogo.

©Hugo Sousa Machado
     

Douro Superior sub-region: The road N222-4 leading to Quinta do Vesúvio. On the back center, the Quinta Senhora da Ribeira (Dow´s).  © HSM archives

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Port to Port wine blog
O início


    O presente blog é um blog independente e é pensado com o objectivo de partilhar o entusiasmo e divulgar, reflectir e desenvolver os mais diversos assuntos relacionados com o vinho e a vinha em geral e muito particularmente com os magníficos vinhos fortificados portugueses - vinho do Porto, vinho da Madeira, Moscatel e o ainda resistente vinho de Carcavelos.

    Na escolha dos temas a publicar, queremos ser tão abrangentes quanto possível, porque há sempre uma história e um património, uma cultura e um contexto que fazem com que o vinho nunca seja só o vinho ou que o vinho seja sempre muito mais do que apenas o vinho. Assim, consideraremos sempre o vinho dentro, mas sobretudo, fora da garrafa.

        Cima Corgo sub-region: somewhere between Pinhão and São João da Pesqueira  © HSM archives  

© HSM