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segunda-feira, 8 de março de 2021

The 2018 Vintage Port

EN/PT

The 2018 Vintage Port comprehensive list, the brands, producer's and their notes

Vintage Port wine cellar, Churchill's lodge, V. N. de Gaia

    After three exciting years of extraordinary vintage Ports, beginning in 2015  that was a very good year with all the climatic characteristics of a classic vintage Port year, difficult to understand when afterwards it turned out not to be a generalized vintage Port declaration between producers. Then, after 2016 and 2017, two historic consecutive classic vintage Port years, a rare event in the long and rich history of vintage Port wine, one would expect a year with fewer vintage Port declarations and not a classic one, for commercial reasons but above all especially considering the main characteristics of the 2018 wine year (more information here: Douro, the 2018 harvest report) which was difficult and certainly different from the mentioned previous ones.

    2018 was mainly a year of Single Quinta Vintage Ports and not full house vintages, as it is a characteristic of non-classic vintage Port years.

    In summary, 2018 was an atypical, inconsistent and a very challeging year for viticulture in the Douro, that registered an irregular climate that started with a dry and cold winter extending a period of prolonged drought that came from the previous year, with some rain at the end of the season, followed by a humid spring with a lot of rain far beyond what would be desirable, which favoured mildew and powdery mildew attacks and caused vine flowering difficulties and production losses, there was a hail storm at the end of May that caused serious damage in some Cima Corgo sub-region vineyards, and then afterwards dry weather with several heat waves in the summer months, heat that was more concentrated in the month of August. There was some rain in late August, but harvest took place with sunny and dry weather, in which the soil water reserves created in spring were fundamental and also allowed longer grape maturation periods, with good conditions registered in some specific areas, vineyards or vineyard plots and in general in the Upper Douro sub-region.

    Of the 2018 declared vintage Ports, we registered 69 vintage Port brands from 46 producers.

    Some facts worth mentioning related to the wines produced this year:

  • Taylor's registered three consecutive classic vintage Ports, namely 2016, 2017 and 2018, a sequence of full house vintage Ports declared with its main brand.
  • Sogrape, one of the major groups in the sector, declared the 2018 Ferreira, Offley and Sandeman classic vintage Ports, what didn't happen the year before, 2017, the year of the great generalized classic declaration and in which these producers opted for their single quinta vintage Ports (with the exception of Offley that did not produce)
  • The Poças 2018 vintage Port, a classic vintage edition to celebrate the centenary of this house.
  • The first editions of "Bom Dia", a single quinta vintage Port by Vieira de Sousa, and the new label "Kranemann" vintage Port, that marks a new cycle of the historic property Quinta do Convento de São Pedro das Águias.
  • There were also important Port wine houses that decided not to produce vintage Port in 2018, from the start "Niepoort", and among others "Quinta Vale D. Maria" and "Van Zellers & Co.", "Quinta do Passadouro" and "Quinta de S. José".
    The main general characteristics of the 2018 vintage Ports are the small quantities produced and despite the inconsistency of the viticultural year as mentioned above, there were some very well achieved wines of great quality, with great concentration, the consequence of the extremely hot summer, but simultaneously wines with elegance, many tannins, freshness and good acidity. The specific characteristics of the year ended up being better expressed into the single quinta vintage Ports.

    Below, the 2018 vintage Port alphabetical list, indicating the producers and their technical information


O Porto Vintage 2018
A lista completa dos Porto Vintage 2018, as marcas, os produtores e as informações técnicas
Port wine cellar, Ramos Pinto lodge, V.N. de Gaia
   Depois de três anos entusiasmantes de vinhos do Porto vintage extraordinários, com 2015 que foi um bom ano com todas as características de um ano vintage clássico, em que foi difícil perceber como não houve uma declaração generalizada entres os produtores. A seguir, 2016 e 2017, dois anos consecutivos de vinho do Porto vintage clássico, um caso raro na longa história do vinho do Porto vintage, seria de esperar um ano com menos declarações e não clássico, por razões comerciais, mas sobretudo consideradas as características principais do ano vitícola (informação mais completa em: Douro, o relatorio da vindima 2018), que foi um ano com muitas dificuldades para os produtores e muito diferente dos anteriores.

    2018 foi sobretudo um ano de single quinta vintage Ports, de vintages de quinta, e não de full house vintages, como é característico de anos não clássicos.

    Em resumo, 2018 foi um ano atípico, inconsistente e muito desafiante para a viticultura no Douro, com um ano climático muito irregular que começou com um Inverno seco e frio, prolongando um período de seca que vinha já do ano anterior, com chuva no final de estação, a que se seguiu uma Primavera húmida e com muita chuva, muito para além do desejável e que favoreceu os ataques de oídio e míldio, que provocou também dificuldades na floração das vinhas e quebras de produção, houve a tempestade de granizo no final de Maio que provocou estragos nas vinhas, especialmente na sub-região do Cima Corgo. Depois, tempo seco, com várias ondas de calor nos meses de Verão, mas que se concentrou mais no mês de Agosto. Houve alguma chuva no final de Agosto, mas a vindima decorreu com sol e tempo seco, em que as reservas de águas no solo acumuladas durante a Primavera foram fundamentais, e que permitiu tempos de maturação mais prolongados, com boas condições registadas em algumas zonas, vinhas ou parcelas de vinha e, em geral, em todo o Douro Superior.

    Nos Porto Vintage declarados em 2018, registamos 69 vintages de 46 produtores.

    Alguns factos dignos de destaque neste ano:
  • Na Taylor's foram três anos consecutivos de Porto vintage clássico, 2016, 2017 e 2018, numa sequência pouco comum de três full house vintage, declarados com a marca principal.
  • Um dos grandes grupos do sector, a Sogrape, assumiu 2018 como um ano clássico com os Porto vintage das marcas Ferreira, Offley e Sandeman, o que não aconteceu em 2017, o ano da grande declaração clássica generalizada, ano em que estes produtores optaram pelos seus single quinta vintage Ports (com excepção da Offley que não produziu).
  • A edição do Poças Porto vintage 2018, uma declaração clássica que celebra o centenário desta casa.
  • As primeiras edições do single quinta vintage Port "Bom Dia" do produtor Vieira de Sousa e o primeiro vintage da "Kranemann", que marca uma nova fase da histórica quinta do Convento de São Pedro das Águias.
  • Houve também importantes casas de vinho do Porto que não produziram Porto vintage em 2018, desde logo a "Niepoort" e, entre outros, "Quinta Vale D. Maria" e "Van Zellers & Co.", "Quinta do Passadouro" e "Quinta de S. José".
    Apontam-se como principais características dos vintages de 2018, as pequenas quantidades produzidas e, apesar da inconsistência do ano vitícola, houve alguns vinhos muito bem conseguidos e de grande qualidade, com boa concentração, consequência do Verão extremamente quente, mas simultâneamente, com elegância, muitos taninos, frescura e boa acidez. As características especificas deste ano acabaram por ser melhor expressas nos vintage de quinta ou single quinta vintage Ports.

    Apresentamos a lista alfabética dos Porto vintage de 2018, com indicação das casas produtoras e informação técnica associada.

 

 (rev. 01/2026) 

©Hugo Sousa Machado

more information on previous Vintage Port declarations (links below):

mais informações sobre declarações anteriores Porto Vintage (nos seguintes links):

 the 2022 Vintage Port - o Porto Vintage 2022

the 2021 Vintage Port - o Porto Vintage 2021 

the 2020 Vintage Port - o Porto Vintage 2020 

The 2019 Vintage Port - O Porto Vintage 2019

The 2018 Vintage Port - O Porto Vintage 2018 

The 2017 classic Vintage Port - O Porto Vintage clássico 2017

The 2016 classic Vintage Port - O Porto Vintage clássico 2016

 
 
 
 
 

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Douro, the 2018 harvest report


    Another uncharacteristic year in the Douro, difficult and challenging
    2018 was another atypical year in the Douro. We could even define irregular and uncharacteristic as the rule in recent years. 2018 had many difficulties and as main characteristics that define it: frequent and estended rainfall periods, hail storms, the great mildew pressure and the summer heat wave. But it seems that the grape quality was good and even, in some cases, as reported by some Douro producers, extraordinary.

     So, let us follow the wine year in the Douro.

    After a long cycle of extreme and severe drought, shortly after the 2017 harvest, which was very anticipated, as we have published here in Douro, the 2017 harvest report, the hot and rainless weather continued throughout the month of October. In November, finally, there was some rain that brought some relief to the soil and vineyards lack of water and to other agricultural crops in general. It was, however, in small quantity and insufficient. The average precipitation remained below average for the Douro region ultil March 2018. The specific case of the vines, these are plants with a deep root system and a relatively small size that usually can withstand water stress quite well.

    The Winter

    The winter was cold and dry, with little and insufficient precipitation.

    The Spring

    With the beginning of spring, there was finally intense and abundant rain that allowed the soil water reserves replenishment and was essential to overcome the previous drought periods. In the months of March, April and May 2018, precipitation levels were approximately twice the average for this time of year in the region.

    In addition to being extremely rainy, it was also in spring that the first serious difficulties of the year arose, on 28th May, in a cold period with heavy and intense rain, hail and thunderstorm. The soil was unable to absorb such a large amount of water in such a short period, which caused landslides and slopes to fall (the roads between Alijó, Sabrosa and Pinhão were closed). This storm caused significant damages and losses in some vineyards, especially in the Cima Corgo sub-region, in Alijó and Sabrosa, in Pinhão and surrounding area, Provesende and Vale de Mendiz.
    Some producers recorded partial and total crop losses. Among those affected, Quinta do Junco (The Fladgate Partnership), Quinta do Noval (which will have been substantially affected), Quinta do Bonfim (Dow's), Quinta da Cavadinha (Warre's) and Quinta de la Rosa. 

    It should be noted that these hail storms phenomena have been occurring with increasing frequency.

    The unstable weather, the heavy rain at the end of May, and the below-normal temperatures for this season, which coincided with the vine bud break(1) and the late flowering, also had as a consequence some severe crop loses and a 2 to 3 week delay in the vine vegetative cycle.
    There was still rain in the first weeks of June, and weather instability, constant and late rainfall and high humidity, provided the ideal conditions for the exceptionally agressive mildew(2) this year, which struck the vineyards and in many cases caused great procuction losses. The mildew also meant an increase in production costs for producers, both in treatments to fight the disease and to heal the hailstorm hit marks in the grapevines.

At Quinta do Passadouro, Vale de Mendiz, Pinhão river valley
    The Summer

    The months of June and July were also characterized by some climatic instability and a lot of rain still in June. Summer arrived, initially with mild temperaturres, lower than usual, which kept the grapevine vegetative cycle delay.

    But with August arrival the weather changes, with periods of strong heat and temperatures higher than usual. At the beginning of August there were temperatures above 40ºC in Cima Corgo and Douro Superior sub-regions (in some cases above 45ºC), and  a heat wave that caused sunburn scald in many vineyards and grapes, the most sensitive and less resistant to intense heat vine varieties were those to suffer the most. The 4th of August was the hottest day of the XXI century in the region and, according to the IPMA(3) data, August was the second hottest month of the last 88 years.

    Nevertheless, the July, August and September hot and dry weather allowed the grape maturation to regularize and the hot September month contributed to an acceleration of the grape ripening.

    The Harvest

    It was a late harvest, still determined by the vineyard vegetative cycle delay, which in turn determine that the harvest would begin later than usual. There was a generalized harvest delay throughout the Douro demarcated region of about 2 weeks in the different stages of the vine and grape development, sprouting, flowering and veraison. As mentioned, the higher temperatures that occurred in the grapes maturation phase allowed some recovery of the phenological cycle.

    There was good and quite hot weather throughout the 2018 harvest, with high temperatures above 30ºC (according to the IPMA data, September was the hottest since there are records) with hot days, but cooler nights that also influenced the final quality of grapes and wines.

    The harvest ended, in most cases, in the second and third week of October, which coincided with the first autumn rains.

    The production facts

    All the difficulties of the wine year mentioned above - the unstable climatic conditions, hail storms, mildew pressure and the heat wave - have led to a production drop, generally about 30% less (or between 20% to 50%), however, when considering the grape quality, procucers consider that quality was very good this year.

    Some cases

    According to the Quinta do Vallado report, considering Quinta do Vallado as a whole and the Upper Douro vineyards, the production drop reached around 15%, highlighting that there were vineyards that produced well and with optimal quality, along with the sousão grape variety that suffered greatly from the heat, other grape varieties like touriga francesa had an optimal quality. Despite everything expectatios are high, not only for Port wines but also for the house D.O.C. Douro wines.

    The Symington Family Estates group (which holds the Port wine brands Cockburn's, Graham's, Dow's, Quinta do Vesúvio and Warre's), reports that the 2018 production was very low, many of the vines producing less 40% than usual average and few vineyards with a yield of minus 25%. In spite of this, but also as a consequence of the low production, some excellent Port wines as well as D.O.C. Douro wines. As in Quinta do Vallado, Symington points out the good performance and good quality of the touriga francesa grapes with good color and good aromas which will be the main characteristics of this grape variety this year.

    Alexandre Antas Botelho, responsible for the Nobel & Murat Port wines, states that 2018 "was overall downright good (in quality). In our experience, the grapes arrived in good condition to the winery, we only had to be careful about the fruit temperature and the maturation state, in order to preserve the natural acidity essential for the balance of the wines. In the lagares, the critical issue was keeping temperatures low and under control which moreover has been a trend occuring in the last three years. The musts resulting from the vinifications had good color and body, also preserving very interesting aromas.".

At Quinta de Nápoles, Armamar, river Tedo valley

Notes:

(1) Bud break: it marks the beginning of the vine vegetative cycle, with the emergence of the shoots.

(2) Mildew: "This scourge first appeared in 1891, after the American rootstocks resistant to the phylloxera hab been introduced. It attacks as much the vines and flowers as the fruits. (...) Humidity and heat are essential conditions for its appearance. In case of a mildew attack, the roses immediatly accuse the event before the vine. This is why roses are planted in the vineyards." in Illustrated Port Wine Dictionary, by Manuel Pintão and Carlos Cabral
    It is one of the major vine diseases (the most destructive in Europe) and it occurs a bit throughout the country. It is a fungus that attacks the green parts of the plant and the fruits at all stages of its development. It can cause serious damage, which can vary according to the susceptibility of the grape variety and the vine stage development. It usually occurs in rainy springs and with high humidity levels in summer.

(3) IPMA: The Sea and Atmosphere Portuguese Institute.

©Hugo Sousa Machado

May also interest:  

                          Douro 2018 harvest field work        Douro, the 2017 harvest report

    

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Douro, o relatório da vindima 2018


    Foi mais um ano incaracterístico, difícil e desafiante no Douro
    2018 foi mais um ano atípico no Douro. Considerando os últimos anos, poderíamos definir como regra, anos irregulares e incaracterísticos. Na realidade, foi um ano vitícola com muitas dificuldades, que teve como principais características: períodos frequentes de chuva intensa e prolongada, tempestades localizadas de granizo, a grande pressão do míldio e os efeitos de uma onda de calor. Porém, ao que parece, a qualidade das uvas foi boa ou mesmo, como relatam alguns produtores da região, extraordinária.

    Acompanhemos então este ano vitícola no Douro.

    Depois de um longo ciclo de seca, extrema e severa em muitos casos, logo a seguir às vindimas de 2017, que foram muito antecipadas, como aqui demos conta em Douro, o relatorio da vindima 2017, o tempo quente e sem chuva continuou ainda durante todo o mês de Outubro 2017. Em Novembro surgiu finalmente alguma chuva, que trouxe algum alívio à falta de água nas vinhas e no geral a todas as culturas mas que, no entanto, foi em pouca quantidade e insuficiente. Os valores de precipitação registados continuaram abaixo da média em toda a região do Douro até Março de 2018. No caso específico das videiras, são plantas com um sistema radicular profundo e com um porte pequeno, que conseguem suportar bastante bem o stress hídrico.

    O Inverno

    O Inverno foi frio e seco, com alguma pouca e insuficiente chuva.

    A Primavera

    Com o início da Primavera, surgiu finalmente chuva intensa e abundante, que permitiu a reposição das reservas de água no solo e foi essencial para ultrapassar os anteriores períodos de calor e seca. Nos meses de Março, Abril e Maio de 2018, os níveis de precipitação foram aproximadamente o dobro da média para esta época do ano.

    Para além de extremamente chuvosa, foi também na Primavera que surgiram as primeiras dificuldades do ano, durante um período mais frio, com chuva forte e intensa, a 28 de Maio, irrompe uma intempérie de trovoada e granizo. O solo foi incapaz de absorver uma tão grande quantidade de água em tão pouco tempo, o que provocou deslizamento de terras e queda de taludes (as estradas entre Alijó, Sabrosa e Pinhão foram cortadas). Esta tempestade provocou estragos, prejuízos significativos e perdas em algumas vinhas, sobretudo na sub-região do Cima Corgo, nos concelhos de Alijó e Sabrosa, na vila do Pinhão e área circundante, em Provesende e Vale de Mendiz.
    Alguns dos produtores da região registaram perdas totais e parciais de colheitas. Entre algumas das quintas afectadas temos a Quinta do Junco (The Fladgate Partnership), Quinta do Noval, Quinta do Bonfim, Quinta da Cavadinha e Quinta de la Rosa.

    Refira-se, como nota, que estes fenómenos de tempestades localizadas de granizo têm ocorrido com cada vez mais frequência no Douro

    O tempo instável, a forte chuva do final do mês de Maio e as temperaturas mais baixas, coincidiram com a fase do abrolhamento da videira(1) e a floração tardia, teve como consequência, graves perdas e o atraso do ciclo vegetativo da videira entre 2 a 3 semanas.
    Seguiu-se ainda chuva nas primeiras semanas de Junho e a instabilidade meteorológica, com chuva constante e até bastante tarde e os elevados teores de humidade originaram as condições ideais para o aparecimento do míldio(2), excepcionalmente agressivo este ano, que atacou as videiras e provocou em muitos casos grandes perdas na produção. O míldio significou também um acréscimo de custos para os produtores, tanto nos tratamentos adicionais para combater a doença, como anteriormente para a cicatrização das marcas nas videiras que foram mais atingidas pelo granizo.


Na Quinta do Passadouro, Vale de Mendiz, no vale do rio Pinhão

     O Verão

    Os meses de Junho e Julho caracterizaram-se por alguma instabilidade climática, com muita chuva ainda em Junho. O verão chegou, inicialmente com temperaturas amenas e inferiores ao habitual, o que manteve o atraso do ciclo vegetativo.

    Mas, com a chegada do mês de Agosto, o clima alterou-se, com períodos de grande calor e temperaturas superiores à média. No início de Agosto registaram-se temperaturas superiores a 40ºC nas sub-regiões do Cima Corgo e Douro Superior (em alguns casos superiores a 45ºC) e uma onda de calor que causou fenómenos de escaldão em muitas vinhas, com as vinhas e castas mais sensíveis e com menor resistência ao intenso calor, a sofrerem mais. O dia 4 de Agosto foi o dia mais quente do séc. XXI e, de acordo com os dados do IPMA(3), o mês de Agosto foi o segundo mais quente dos últimos 88 anos.

    Todavia, o bom tempo de Julho, Agosto e Setembro, que foram meses quentes e secos, permitiu regularizar a maturação das uvas e o mês de Setembro quente contribuiu para uma aceleração do amadurecimento.

    A Vindima

    Foi uma vindima tardia, determinada ainda pelo atraso do ciclo vegetativo da vinha, que acabou por determinar que a vindima se realizasse mais tarde do que o habitual na região. Este atraso, de cerca de duas semanas nas fases de desenvolvimento da videira, abrolhamento, floração e pintor, foi generalizado em toda a região demarcada do Douro. Como referimos, as temperaturas mais altas durante a fase de maturação das uvas permitiram alguma recuperação do ciclo fenológico.

    Toda a vindima decorreu com bom tempo, bastante quente, com temperaturas máximas altas, superiores a 30ºC (de acordo com os dados do IPMA, o mês de Setembro foi o mais quente desde que existem registos), com os dias quentes mas com noites mais frescas que influenciaram a qualidade final das uvas e do vinho.

    A vindima terminou, na maioria dos casos, entre a segunda e terceira semana de Outubro, que coincidiu com a chegada das primeiras chuvas de Outono.

     A produção

    Todas as dificuldades deste ano vitícola - as condições climatéricas irregulares, o granizo, a pressão do míldio - não podiam deixar de se reflectir na quebra de produção de aproximadamente 30% (ou entre 20% e 50%). Apesar de tudo, quando se considera a qualidade, parece haver unanimidade entre os produtores quanto a uma colheita, pelo menos, de boa qualidade.

    Alguns casos

    De acordo com o relatório divulgado pela Quinta do Vallado, no conjunto da Quinta do Vallado e das vinhas do Douro Superior que este produtor detém, a quebra de produção total atingiu cerca de 15%, sublinhando como pontos positivos, as vinhas que produziram bem e com uma qualidade óptima, a par do sousão que sofreu bastante com o calor, outras castas como a touriga francesa tiveram um bom desempenho. Em todo o caso, as expectativas são elavadas, não apenas para os vinhos do Porto, mas também para os vinhos tranquilos desta casa.

    No grupo Symington Family Estates (detentor das marcas principais de vinho do Porto Cockburn's, Dow's, Graham's, Quinta do Vesúvio, Warre's) em 2018 a produção foi muito baixa, com muitas das vinhas a produzirem menos 40% do que o habitual e com algumas poucas vinhas com um rendimento de menos 25%. Apesar da baixa produção e também como consequência, produziram-se alguns vinhos do Porto excelentes, assim como vinhos D.O.C. Douro. Tal como a Quinta do Vallado, a Symington assinala o bom comportamento da touriga francesa, com boa côr e bons aromas que vão ser as características dos vinhos desta casta este ano.

    Alexandre Antas Botelho, responsável pelos vinhos do Porto da Noble & Murat, refere que 2018 " (em qualidade) foi no geral francamente bom. No nosso caso, as uvas chegaram em bom estado à adega, tivemos apenas de ter cuidado em relação à temperatura da fruta e ao estado de maturação, de modo a preservar a acidez natural essencial para o equilíbrio dos vinhos. No lagar a questão crítica foi manter as temperaturas baixas e sob controlo o que, de resto, é já uma tendência que se tem verificado nos últimos três anos. Os mostos resultantes das vinificações deste ano têm uma boa côr e um bom corpo, apresentando também aromas muito interessantes.".


Na Quinta de Nápoles, Armamar, vale do rio Tedo

Notas: 

(1) Abrolhamento: marca o início do ciclo vegetativo da videira. A videira termina a época de repouso com o aparecimento dos rebentos ou rebentação dos gomos.

(2)Míldio: "este flagelo apareceu em 1891, depois de terem sido introduzidos os porta-enxertos dos EUA, resistentes à filoxera. Ataca tanto as parras, como as flores e os frutos. (...) A humidade e o calor são as condições essenciais para o seu aparecimento. Em caso de ataque, as roseiras imediatamente acusam o sucedido, antes da videira. Por essa razão se plantam roseiras nos vinhedos.". in Diccionário Ilustrado do Vinho do Porto, de Manuel Pintão e Carlos Cabral.
    É uma das principais doenças da videira (a mais destrutiva na Europa), ocorre um pouco por todo o país. Trata-se de um fungo que ataca as partes verdes e os frutos em todas as fases do seu desenvolvimento. Pode causar graves prejuízos, que variam de acordo com a susceptibilidade da casta e o estado de desenvolvimento da planta. Surge habitualmente nas primaveras chuvosas e verões húmidos.

(3) IPMA: Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

©Hugo Sousa Machado


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