Mostrar mensagens com a etiqueta dry white port. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta dry white port. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 14 de junho de 2022

Churchill's Dry White Port

 EN/PT

What's so special about this dry white Port wine?

Make no mistake, white and dry white Ports are not all the same...

    This is a wine which is already a classic that distinguishes itself in this style of Port, over the years it has become an unavoidable reference in dry white Port wines.

    But let's us go back briefly to Churchill's past. When John Graham, together with his brothers Anthony and William, founded Churchill's in 1981, with the aim of producing their own special categories superior quality traditional-style Port wines, the first Port wine produced was Churchill's Dry White, that accompanies the house throughout these last 40 years.

(the complete report about Churchill's here: Churchills and Quinta da Gricha)

    In the first years and until the company got its own vineyards, later in 1999, with the acquisition of Quinta da Gricha, John Graham reached an agreement with Jorge Borges de Sousa, a producer and owner of several quintas in the Douro in privileged locations in the Cima Corgo sub-region, Pinhão valley and in the Douro. This agreement allowed John Graham in each harvest the selection of the best grapes and wines, from the different Borges de Sousa's properties, which at the time also had an appreciable and enviable stock of Port wines kept in cellar. In the words of John Graham:"he gave me the possibility to choose the best of his wines" and "the possibility to buy the initial stock". 

    This was the basis of Churchill's wines for 20 years, which was fundamental for the company to start to be recognized for the quality of the Port wines it produced.

    The first wine produced by Churchill's was the Dry White Port, which had its own distinctive drier style with the purpose of giving dignity to the Douro white grape varieties, a wine with about 10 years of ageing in wood, at a time when most Port houses were mainly betting on white Port wines whit a younger style.

    Years later, in 2016, Churchill's Dry White Port was rated as excellent with a score of 91pts. by the internationally recognized north american magazine Wine Advocate.

    Made exclusively from letter "A" grapes (according to the Douro classification system for vineyards that produce grapes for Port wine) that are selected from high-altitude old vineyards in the Cima Corgo sub-region and the blend is made up of the following grape varieties: Malvasia-fina, the predominant variety and the wine's structure (50%), then Rabigato, Códega do Larinho and Viosinho.

    The vinification methods are traditional, with foot treading of the grapes in the old granite "lagares", in this case, in the small granite lagares called "lagaretas" that exist at Quinta da Gricha with a capacity of around 2000kg (the old larger Quinta da Gricha lagares, built on 1852, have a capacity between 6000 and 7000kg.), the whole bunches are used without destemming, with minimal intervention and using the natural yeasts that come from the grapes. Fermentation and maceration takes place with the grape skins, essential for the wine structure and balance, and is not as long as with red Port wines. This process makes the wine drier and at the same time extracts more natural alcohol from the grape itself, and so to a smaller addition of wine spirit at the time of fortification.

    It is then aged in old used casks for approximately 10 years in the Churchill's Port wine cellar on rua da Fonte Nova in the Vila Nova de Gaia historic center.

Churchill's Port wine lodge, on rua da Fonte Nova, Vila Nova de Gaia historic center.

My dry white Port, some tasting notes

    The wine was bottled in 2021. It has an intense, rich and bright golden color that reflects the years of ageing. In fact, the color tells us what the label does not refer, the oxidative evolution of almost ten years of wood ageing. At the beginning of the 90's the house opted for an elegant transparent bottle to enhance the beautiful natural golden color of the wine.

    It has a good intensity on the nose, not too excessive, with floral aromas and predominant notes of orange blossom, dried fruits and then some lighter notes of spices. On the palate it's smooth, also a consequenece of the ageing period in wood, it has good acidity and freshness, harmonious and of medium complexity, despite beeing a dry Port wine, the residual sugar is perceptible and pleasant. With flavors of candied orange peel, citrus fruits, dried apricot and some bitter orange marmalade and then light notes of spicies. It has a long finish.

    It's the perfect aperitif, simple, on its own, served fresh... (a waste mixing it with tonic water). The temperature is fundamental, it shoud be served cool, around 8ºC.

    According to the producer it is the best-selling Port wine at Churchill's visitor center in Vila Nova de Gaia.

    This is one of the last bottlings with the old bottle labels, since this year, after celebrating 40 years since its foundation in 1981, Churchill's presents a new image for its wines, in an aesthetic reformulation of the labels and bottle models for its entire wine portfolio.

The wine tasted was kindly provided by: PortugalVineyards.com


©Hugo Sousa Machado


Churchill's Dry White Port

O que tem de especial este vinho do Porto?

Desengane-se, os vinhos do Porto brancos e secos não são todos iguais...

    Este é um vinho que é já um clássico que se distingue nesta categoria, tornou-se uma referência incontornável nos vinhos do Porto brancos secos.

    Regressemos brevemente ao passado da Churchill's. Quando John Graham, juntamente com os irmãos Anthony e William, fundou a Churchill's em 1981, com o objectivo de produzir os seus próprios vinho do Porto de categorias especiais, de qualidade superior, com um estilo tradicional, o primeiro vinho do Porto com a marca Churchill's foi o "Dry White", que acompanha a casa ao longo destes 40 anos.

    (A informação completa sobre a Churchill's, aqui: Churchil's e a Quinta da Gricha)

    Nos primeiros anos e até possuír as suas próprias vinhas, mais tarde em 1999 com a aquisição da Quinta da Gricha, John Graham chegou a um acordo com Jorge Borges de Sousa, produtor e proprietário de quintas no Douro, em locais privilegiados do Cima Corgo, no vale do Pinhão e no Douro. Este acordo permitiu a John Graham, em cada vindima, uma selecção das melhores uvas e dos melhores vinhos, das diferentes propriedades de Borges de Sousa, que possuía também um stock considerável e invejável de vinhos do Porto mantidos em cave. Nas palavras de John Graham, "ele deu-me a possibilidade de escolher o melhor dos vinhos dele" e "a possibilidade de comprar o stock inicial".

    Esta foi a base dos vinhos do Porto da Churchill's durante 20 anos, que foi fundamental para a casa começar a ser reconhecida pela qualidade dos vinhos que produzia.

    O primeiro vinho que a Churchill's produziu foi o Dry White Port, com um estilo próprio e diferenciador, um vinho do Porto mais seco que tinha o objectivo de dar dignidade às uvas brancas do Douro, um vinho com cerca de 10 anos de envelhecimento em madeira, numa época em que a generalidade das casas produtoras apostava sobretudo em vinhos do Porto brancos com um perfil mais jovem.

    Anos mais tarde, em 2016, foi classificado como excelente com uma pontuação de 91pts, pela internacionalmente reconhecida revista norte americana Wine Advocate.

    É produzido a partir de uvas letra "A" (de acordo com o sistema em vigor no Douro de classificação de vinha para a produção de vinho do Porto) com origem em vinhas velhas de altitude da sub-região do Cima Corgo, e o lote é constituído pelas castas: Malvasia Fina, a casta predominante e que constituí a estrutura do vinho (50%), depois Rabigato, Códega do Larinho e Viosinho.

    Os métodos de vinificação são os tradicionais, com pisa a pé em lagar, neste caso particular, nas pequenas lagaretas de granito existentes na Quinta da Gricha, com uma capacidade para cerca de 2000kg. (os antigos lagares da quinta construídos em 1852 têm uma capacidade entre 6000 e 7000kg.), com os cachos inteiros sem desengace, com intervenção mínima e com as leveduras naturais das uvas. A fermentação e a maceração com as películas é fundamental para a estrutura e equilíbrio do vinho, e não é tão longa como acontece com os vinhos do Porto tintos, tornando-o mais seco e ao mesmo tempo extraíndo mais álcool natural da própria uva recorrendo-se depois a uma menor adição da aguardente vínica no momento da fortificação.

    Segue-se o período de envelhecimento em cascos de carvalho avinhados, aproximadamente durante 10 anos no armazém de vinho do Porto da rua da Fonte Nova, no centro  histórico de Vila Nova de Gaia.

    O meu Porto branco seco, algumas notas de prova

    Este vinho foi engarrafado em 2021. Tem uma côr de um dourado intenso, rico e brilhante que traduz os anos de envelhecimento. De facto, a côr indica-nos o que o rótulo não refere, a evolução oxidativa dos dez anos de envelhecimento. No início dos anos 90 do séc. XX, a casa optou por uma elegante garrafa transparente para relalçar a côr dourada natural do vinho.

    O vinho tem boa intensidade no nariz, não excessiva, com aromas florais e notas predominantes de flôr de laranjeira, frutos secos e depois algumas nuances de especiarias. Na boca é suave, também consequência do estágio em madeira, com boa acidez e frescura, com harmonia e de complexidade média, apesar de ser um vinho seco, é perceptível e agradável o açúcar residual. Com sabores de casca de laranja cristalizada, cítricos, damasco seco, alguma compota de laranja amarga e depois notas especiadas mais leves. Com um final longo.

    Simples, por si só, é o perfeito aperitivo... (um desperdício pensar em acrescentar água tónica). A temperatura é fundamental, deve ser bebido fresco a uma temperatura aprox. de 8ºC.

    De acordo com a informação do produtor é o vinho mais vendido no centro de visitas da Churchill's em Vila Nova de Gaia.

    Este é um dos últimos engarrafamentos com o, agora, antigo rótulo, uma vez que neste ano, muito recentemente, a Churchill's apresenta uma nova imagem para os seus vinhos, uma cuidada reformulação estética dos seus rótulos e novos modelos de garrafas para todos os vinhos do seu portfolio.

Este vinho foi gentilmente enviado pela: PortugalVineyards.com

©Hugo Sousa Machado

    Também pode ser interessante / might also be interesting:

Churchill's and Quinta da Gricha



quinta-feira, 5 de maio de 2022

The white Port wine & tonic manifesto, P&T

 EN/PT


1. Ideally dry white and extra-dry white Port wines, but also semi-dry and sweet white Port wines are admissible. We are considering here, young, current white Port wines. In order not to be too conservative we can also consider pink Port and even the lesser known "Quinado" wine (1).

2. Add a slice of lemon, lime or grapefruit (slice cut into quarters preferably), some mint leaves and fresh ice, i.e., ice made very recently (home made with mineral water), old ice long stored in the freezer is useless and will spoil the drink. More imaginative ingredients are possible, adding for example, fresh thyme and other green and less green ingredients, more or less aromatic and more or less colorful, mostly reserved to show off...

3. The critical point: for the hasty and misguided, upstarts who love novelty for the sake of novelty, the poor initiates and disciples of the devil in general, very recent and innovative, irreverent, modern and also simplistic canned 25cl versions of what is called "Tonic Port", "Portonic", "Grab and go", "Ready to drink cocktail" are available, however, these costly reductive versions seriously harm the experience and knowledge of the white Port style diversity available on the market and proposed by the different Port wine houses (the same can be said of the different tonic waters), but above all, the illiberal proportions unworthy of the connoisseur, defined at the onset as a very restrictive formula, i.e., just a 1/3 portion of white Port wine for 2/3 of tonic water, which allow us to conclude that, stricktly speaking, companies are selling more tonic water than white Port (whose brand is unkown, despite being the main ingredient of these drinks) with a little white Port wine, but not too much, about 8,3cL, so too much liberality on the tonic water, to which is added a fleeting note, an impression or an aroma of white Port wine. All this will be even more diluted if ice is added. Thus, the 25cl canned proposals must be rejected, above all for the indignity of proportions and for constituting a limitation on the individual freedom of the serious connoisseur of a good aperitif.

And no, it doesn't seem to me that this is a getway to the special Port wine wolrd, that whoever starts trying one of this cocktails in a can ends up later devotting attention and valuing vintage Port or old tawnies.

4. A much more interesting starting point, with great benefit, would be a more generous and honest proportion, 1/2 + 1/2 for a good classic White Port and tonic, and not to use in white Port and tonic the usual proportions of other cocktails with destilled drinks in vogue. In any case don't be restrictive.

5. Another good and simpler alternative is, white, pink Port wine or "Quinado", just on its own, on the rocks with a slice of lemon.

6. The moment: it's a drink for the whole year round and not just remembered and tasted in Spring and Summer.

    Because less is more, in today's feverish perspective on colorful and bold mistures, the proclaimed "mixologies", we must not forget the pleasure of the starting point, the white Port wine of different styles and varying degrees of sweetness, some more serious, that have gone through longer stages of wood ageing, with some evolution and more complex, for which I dare not advise and promote its mixture even in a simple cocktail, but should be reserved to be tasted fresh (6ºC to 10ºC), simple, on their own, in a classic Port wine glass or a good white wine glass, thus maintaining their full identity, complexity and dignity (and ours too, I trust), all the aromas and flavors that have developed over the years of ageing. More than one of these options should always be kept in the fridge, a wise option....

    A more general final note, to whom it applies, on the aesthetic side of the act of drinking an aperitif: when holding the cocktail glass (in any case, any other wine glass) the little hand finger should not be stretched out on the base of the glass, a position that is not only unaesthetic, but also it's an attitude that causes excessive stress on the remaining hand fingers that hold the glass.


    Note: (1) "Quinado" wine: appeared in the 1920's, it was then a Port wine style, that was based on a ruby Port wine to which very small doses of quinine were added, considered a wine with fortifying propertries. It was much appreciated as an aperitif in the former portuguese colonies (where it was consumed as preventive for malaria), regions with warmer climates, such as Brazil.

©Hugo Sousa Machado


O Manifesto do Porto Tónico, P&T

1. São admissíveis, idealmente, vinhos do Porto brancos extra-secos e secos, mas também meio-secos e mesmo doces. Estamos a pensar em vinhos do Porto brancos jovens. Para não ser demasiado conservador, acrescente-se os vinhos do Porto rosés e ainda, com vantagem, o menos conhecido vinho "Quinado" (1).

2. Com uma rodela (ou mais) de limão, lima ou toranja (rodela cortada em quartos preferencialmente), folhas de hortelã, gelo fresco, i.e., gelo feito recentemente (feito em casa e com água mineral), o gelo velho, há muito guardado no congelador não serve. Versões mais imaginativas são obviamente possíveis, que acrescentam por exemplo tomilho fresco e outros ingredientes verdes e menos verdes, mais ou menos aromáticos e mais ou menos coloridos, principalmente reservados para das nas vistas...

3. O ponto crítico: para os apressados e mal orientados, arrivistas e adoradores da novidade pela novidade, os pobres iniciados pouco avisados e discípulos do diabo em geral, foram criadas as recentíssimas e muito inovadoras, irreverentes, modernas e simplistas propostas enlatadas 25cl do que chamam "Porto Tónico", "Portonic", "Grab and go", "Ready to drink cocktail", no entanto, estas versões caras e redutoras prejudicam gravemente a experiência e o conhecimento da diversidade dos vinhos do Porto brancos propostos pelas diferentes casas e disponíveis no mercado (o mesmo se poderá dizer das diversas marcas de água tónica), mas sobretudo, as proporções pouco liberais, indignas do apreciador, definidas à partida numa fórmula restritiva, ou seja, apenas 1/3 de Porto branco para 2/3 de água tónica, o que permite concluír que, em rigor, as firmas de vinho do Porto estão a vender sobretudo água tónica (que é incógnita, apesar de ser o ingrediente principal destas bebidas) com um pouco de vinho do Porto, mas não muito, são cerca de 8,3cl. Demasiada liberalidade na água tónica a que se junta um apontamento fugaz, uma impressão num aroma de vinho do Porto. Tudo isto ficará ainda mais diluído se se juntar gelo. Assim, as versões minimalistas 25cl enlatadas, do que se poderia chamar bebidas refrigerantes, devem ser rejeitadas, acima de tudo, pela proporção proposta e por constituírem uma séria limitação à liberdade do apreciador sério.

E não, não me parece que se trate de uma porta de entrada para o mundo dos vinhos do Porto especiais, que quem começa por experimentar um destes cocktails em lata, acabe mais tarde por dedicar a sua atenção e valorizar um Porto vintage ou um tawny envelhecido.

4. O ponto de partida aqui proposto, com maior proveito e muito mais interessante, deverá ser mais generoso, 1/2 + 1/2, e não aplicar ao Porto tónico as medidas correntes para outros cocktails com bebidas destiladas em voga. Nunca menos do que esta honesta proporção para um bom Porto tónico clássico. Em todo o caso, o princípio é não ser restritivo.

5. Outra alternativa simples a considerar será, vinho do Porto branco ou rosé, ou vinho "quinado", simplesmente, por si só, com gelo e limão.

6. Trata-se de uma bebida para todo o ano e não só falada e apreciada na Primavera e Verão.

    E porque menos é mais, com a febril perspectiva actual de misturas, a proclamada "mixologia", coloridas e arrojadas, não devemos esquecer o prazer do ponto de partida, os vinhos do Porto brancos de diferentes estilos e diversos graus de doçura, uns mais sérios, com mais anos de envelhecimento e mais complexos, para os quais não me atrevo a considerar ou promover qualquer mistura, mesmo no cocktail mais simples, devem ser reservados para serem apreciados com a temperatura correcta, frescos, simples, por si só, assim mantêm a dignidade (e confio que a nossa também), os aromas e sabores que conforme os casos, se desenvolveram ao longo de anos de envelhecimento. Mais do que uma destas opções no frigorífico é uma atitude avisada...

    Uma nota final mais geral, a quem se aplicar, sobre o lado estético do aperitivo: quando se segura o copo de cocktail (em todo o caso, qualquer copo de vinho), não deve ser dada preponderância ao dedo mínimo da mão, que deve descansar e não estar estendido e destacado na base do copo, uma posição que, para além de inestética, provoca desnecessária pressão sobre os restantes dedos da mão que segura o copo.

    Nota: (1) Vinho "Quinado": surgiu nos anos 20 do séc. XX, era então uma variedade de vinho do Porto que tinha como base um vinho do Porto ruby ao qual se adicionavam pequeníssimas doses de quinino, considerado um vinho com propriedades fortificantes. Era muito apreciado como aperitivo nas antigas colónias portuguesas (onde era consumido como preventivo para a malária), regiões de climas mais quentes, como o Brasil.

©Hugo Sousa Machado