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terça-feira, 28 de abril de 2020

The 2017 classic Vintage Port

The 2017 Vintage Port comprehensive list, the brands, producer's and their notes 

EN/PT

PtoPwine archive

2017, "an absolutely mandatory Vintage Port declaration"

    The year "that could not fail to be declared as classic Vintage"Always an exciting event, a classic Vintage Port wine declaration and also a "back-to-back" declaration, i.e., two consecutive Vintage Port classic declarations considering the previous 2016 vintage.
    A brief introduction, before the complete Vintage Port wine list below, to record some fundamental notes that define the 2017 classic Vintage declaration... of what has been said and written, the facts and figures:
  • Yes, the 5th classic declaration of the XXI century was the widest ever, the numbers are; 112 Vintage Port wines declared and presented by 70 producers. However, in detail, one of the major groups in the sector, Sogrape (which represents the Port wine brands, Ferreira, Offley and Sandeman) did not accompanied the classic declaration with its main Vintage Port brands, but (very successfully) presented their Single Quinta Vintage Port wines with a special highlight for the "Sandeman Quinta do Seixo Vintage Port 2017", which was awarded the maximum score, 100pts,  by the influential american magazine "Wine Enthusiast".
  • Considering the previous 2016 classic declaration, we have two consecutive classic declarations or the so-called "back-to-back" declaration, an uncommon event in the long classic Vintage Port wine history, throughout the historical records, since 1756 we counted 13 "back-to-back" or consecutive general declarations and 4 records of 3 consecutive declarations (more information: the classic vintage port wine chart) and as a curiosity, the Symington Family Estates group declared two consecutive classic vintages for the first time in the particular Vintage Port records of this important house.
  • It was a year with unsual climatic characteristics, extremely hot and dry, there was a generalized drought situation, and the harvest was very antecipated to dates of which there is no memory in the Douro wine region (see the: Douro, the 2017 harvest report
  • Yields and production were very low, generally 30% less than average.
  • "Is tradition no longer what it was?" considering the set of the 2015, 2016 2017 Vintage declarations, we have 3 years with their own specific characteristics but with wines of extraordinary quality. 2015 had all the characteristics to be declared a classic vintage year but turned out not to be, it was a year similar in many ways to 2017 and that originated great Vintages (a year to consider for good purchases), and then 2016, a very demanding and difficult year for producers and the less obvious year to be declared and that turned out to be a classic vintage. In short 3 years that gave rise to Vintage Ports of exceptional quality.        It was suggested that, as a result of the current viticultural and oenological developments and refined techniques and the great improvement of the grape spirit used in the Port wine fortification process, the tradition of declaring 3 to 4 classic Vintage Ports per decade would be an outdated concept. However, this  opinion overlooks the commercial advantages of maintaining an image of classic Vintage Port as a unique, distinct and rare product, which would be called into question with a regular almost predicatble annual production, just as, in pratice this is ensured by the producer's second Vintage Port brands or Single Quinta Vintage Ports.
  • A new or modern Vintage Port wine profile, a trend that started to emerge with the 2011 Vintage declaration and that is increasingly evident, along with the traditional style Vintages, concentrated, extracted and closed wines, the progressive emergence of a new and "modern" Vintage Port profile, elegant, with a better balance between maturation and acidity and approachable when young, without however compromising its ageing capacity.
  • What's new?, we registered five new editions, the "Croft Quinta da Roêda Sérikos Vintage Port", from the old vineyards of this historic Douro quinta, the "Quinta dos Avidagos Vintage", the "Sequeira Vintage", the "Soares Duarte Vintage" and the "Quinta do Cabril Vintage Port". A note concerning the Quinta do Passadouro, that after its acquisition by Quinta do Noval last August 2019, and until the present publication had not presented a Quinta do Passadouro 2017 Vintage, so it was not included in the list below.
  • The main general characteristics that define the 2017 Vintage Ports: concentration, structure, density and, against all expectations, a very good balance.
    We are not far from reality if we say that we are currently witnessing the best Vintage Port in the long history of this extraordinary wine.

    Alphabetically, the 2017 classic Vintage Port list, the producer's and their notes:


Our thanks to all producer's who collaborated to the present publication.

A lista completa dos Porto Vintage 2017, as marcas, os produtores e as suas notas  


Vintage Port tastings on hot summer days implies practical measures to maintain civilized temperatures, 16º to 18ºC / as provas nos dias mais quentes de verão implicam medidas práticas para manter os vinhos a temperaturas civilizadas, 16º a 18ºC. (PtoPwine archive).

2017, "uma declaração absolutamente obrigatória"
    O ano "que não podia deixar de ser declarado como Vintage clássico". Uma declaração clássica de Porto Vintage é sempre um acontecimento entusiasmante e também dois anos Vintage clássico consecutivos ou "back-to-back".
    Uma breve introdução, antes da lista dos Vintages declarados, para fixar algumas notas fundamentais que definem esta declaração clássica...o que se disse e escreveu, os factos e os números:
  • Sim, a 5.ª declaração declaração clássica de Porto Vintage do século XXI foi a mais alargada de sempre, os números são 112 Vintages declarados e apresentados por 70 produtores. No entanto, em detalhe, um dos grandes grupos do sector, a Sogrape (que representa as marcas de vinho do Porto, Ferreira, Offley e Sandeman), não declarou Vintage clássico com as suas marcas principais, mas apresentou os seus Single Quinta Vintage Port com sucesso e especial destaque para o "Sandeman Quinta do Seixo Vintage" ao qual a influente revista norte americana "Wine Enthusiast" atribuiu a pontuação máxima, 100pts.
  • Com esta declaração e com a declaração de 2016, temos duas declarações clássicas consecutivas ou declaração "back-to-back", um acontecimento pouco comum na longa história dos vinhos do Porto Vintage clássicos. Ao longo dos registos históricos desde 1756, contamos 13 declarações clássicas consecutivas ou "back-to-back" e 4 registos de 3 declarações consecutivas (mais informação: tabela actualizada dos vintages clássicos) e como curiosidade, um dos grandes grupos do sector, a Symington Family Estates declarou dois Vintage clássicos consecutivos pela primeira vez na longa história particular desta casa.
  • Um ano com características climatéricas particulares e excepcionais, extremamente quente e seco, em que ocorreu uma situação de seca generalizada e em que a vindima foi muito antecipada, para datas em que não há memória na região do Douro (vêr o: Douro, o relatório da vindima 2017).
  • O rendimento e a produção foram muito baixos, em geral uma redução de 30% em relação à média.
  • "A tradição já não é o que era?", considerando o conjunto dos vintages dos anos 2015, 2016 e 2017, temos 3 anos consecutivos com características próprias e vinhos de uma qualidade extraordinária. 2015, que tinha todas as condições para ser declarado como ano clássico, acabou por não ser, num ano parecido em muitos aspectos com 2017 e que originou grandes Vintages (um ano a considerar para boas compras). Depois 2016, um ano cheio de dificuldades e muito exigente para os produtores e o ano menos óbvio para ser declarado e que acabou por ser um ano clássico. Em suma, 3 anos de Vintages de qualidade excepcional.  Foi sugerido que, com as actuais condições de viticultura e enologia, o refinamento de técnicas, e com a grande melhoria da aguardente viníca utilizada na fortificação dos vinhos do Porto, seria possível produzir vinhos com qualidade para Vintage clássico praticamente todos os anos, assim a tradição de declarar 3 a 4 vintages clássicos por década seria um conceito ultrapassado. No entanto, esta opinião esquece a enorme vantagem comercial em manter a imagem e valorização do Porto Vintage clássico como um produto raro e único, um conceito que seria posto em causa com uma produção anual regular quase previsível, assim como, na prática, a produção mais regular é sempre assegurada com o lançamento de Porto Vintage com as segundas marcas dos produtores ou os Single Quinta Vintage Ports.
  • Um novo perfil "moderno" de alguns Porto Vintages: uma tendência que começou a surgir com a declaração clássica de 2011 e que é cada vez mais evidente a par do Vintages de estilo tradicional, mais extraídos e concentrados, mais fechados, o surgimento progressivo de Vintages com um perfil mais "moderno", mais elegantes e com maior equilíbrio entre maturação e acidez, mais abordáveis quando novos, sem contudo comprometer a capacidade de envelhecimento. 
  • Algumas novidades: cinco primeiras edições a registar, desde logo o especial "Croft Quinta da Roêda Sérikos Vintage" com origem nas vinhas velhas desta quinta histórica do Douro, o "Quinta dos Avidagos Vintage", o "Sequeira Vintage", o "Soares Duarte Vintage" e o "Quinta do Cabril Porto Vintage". Uma nota acerca da Quinta do Passadouro, que depois da sua aquisição pela Quinta do Noval em Agosto de 2019, até à presente publicação não tinha apresentado o seu Vintage 2017, pelo que não está incluído na lista que é apresentada.
  • As principais características gerais dos Vintages de 2017: concentração, estrutura, densidade e, conta todas as expectativas, bastante equilibrados.
    Não estamos muito longe da realidade se dissermos que, actualmente assistimos aos melhores Porto Vintage da longa história deste extraordinário vinho.

PtoPwine archive
PtoPwine archive

Os nossos agradecimentos a todos os produtores que colaboraram na presente publicação.

(Rev.03/2023)
 
©Hugo Sousa Machado

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Le vin à la bouche! Churchill's and Quinta da Gricha 2017 Vintage Port

EN/PT

    The year 2017will be recorded in the Douro and Port wine history for several exceptional events, as it was an absolutely atypical year with uncommon weather conditions, an extremely hot and dry year that has determined a very early harvest, and there is no memory of such anticipation in the Douro region harvest records (more information: the 2017 harvest report). For Churchill's, it was the earliest harvest ever at Quinta da Gricha.
    And then, two years after the harvest, in the 2019 spring we get the first news of several 2017 vintage Port declarations. This is a new chapter in the history of many Port wine producers, the very rare event of two consecutive classic vintage declarations (a classic vintage Port is declared in those years when there is a general consensus among most producers regarding the quality of a vintage Port, which will be bottled with the house main label), the 2016 classic vintage Port is now followed by the very recent 2017 vintage declaration.

    Certainly, up to now, a very rare event in te long Port wine history and unique to many producers.

    2017 was undoubtedly an exceptional year, in which very high quality wines were produced that ended up imposing the vintage Port declaration decision by the main producers and a vintage with the main producers brands.

    As in the previous year, the 2017 vintage Port production was smaller, however, there were healthy high quality grapes (due to the warmer climatic year there was a lower incidence of vine diseases), very good quality musts, with good colour, structure and concentration, fruit intensity and firm tannins, as was also the case at Churchill's. We could define concentration and structure as the main characteristics of this year's vintages.

    At Churchill's for the first time in its history, i.e., since 1981, two classic vintages have been declared in consecutive years, a unique event.
    The house vintage Ports follow the traditional vinification method, the grapes are exclusively foot trodden with prolonged macerations for 5 days in gratine "lagares" (the grapes are vinified with the grape bunch stems), obtaining a less agressive and a more uniform maceration, which preserves the natural characteristics of the grapes and enhances the best expression of the complexity and aromatic profile of the musts. The fermentation is natural without yeats addition and is longer, thus preserving more natural alcohol without the need to add as much grape spirit in the fortification process.

    The 2017 vintage Port tasting impressions (tasted in sample before bottling):

    Churchill's Vintage Port 2017

    A vintage Port produced from an old vineyards field-blend, located in the Upper Douro and Cima Corgo Douro sub-regions, that include Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Francisca and Tinto Cão grape varieties.

    It has a great colour depth, great intensity and aroma concentration, with black fruits, blackberries, blueberries and black plums. The high fruit concentration is a 2017 characteristic. In the mouth the obvious black fruits, complex with a very good structure, firm tannins, freshness and good acidity, in a half-dry style. With a long and persistent aftertaste. A complexity that will develop in the coming decades, a reward for patience.

    Churchill's Quinta da Gricha Vintage Port 2017

    Only a very small quantity of this vintage was produced and will be available. It is made from the Quinta da Gricha old vineyard grapes, a field-blend in which the Tinta Roriz, Touriga Francesa, Tinta Barroca and Tinta Francisca grape varieties predominate.

    It has a deep and dark ruby colour, more exuberant, with aroma intensity, floral and with fruit concentration, black fruit notes and spice suggestions. It has an intense flavour, complex and with a good structure, freshness and elegance. A drier style. With a long finish and a vigor that ensures many years of evolution.
   A single quinta vintage that expresses the "G" factor, i. e., the Quinta da Gricha old vineyards and terroir character.

    (tasting with JG and RPN, 28May2019)

Le vin à la bouche!
Churchill's e Quinta da Gricha Vintage 2017
     O ano de 2017 vai ficar na história do Douro e do vinho do Porto por vários factos excepcionais, por ter sido um ano absolutamente atípico, com condições climatéricas invulgares, um ano extremamente quente e seco que determinou uma vindima muito precoce, que foi antecipada para datas de que não há memória no Douro (mais informação: Douro, o relatorio da vindima 2017). Para a Churchill's, foi a vindima mais precoce realizada na Quinta da Gricha. 
    Depois, dois anos após a vindima, com a primavera de 2019, surgem as primeiras notícias de várias declarações de Porto vintage. É um novo capítulo na história de muitos produtores com o acontecimento raro de 2 declarações de Porto vintage clássico consecutivas (existe declaração clássica quando há um consenso generalizado da grande maioria dos produtores relativamente à qualidade excepcional de um vintage, que é engarrafado com o rótulo ou marca principal da casa), à declaração de 2016 sudede-se agora o Porto vintage 2017.

    Um acontecimento raro na longa história do vinho do Porto para a maioria dos produtores e único para muitos.

    2017 foi sem dúvida mais um ano excepcional, com vinhos de grande qualidade, o que acabou por impôr a decisão de declaração vintage com a principal marca de cada produtor.

    Tal como já tinha sucedido em 2016, também a produção de 2017 foi mais reduzida, no entanto, com uvas sãs de grande qualidade (foi determinante a menor incidência de doenças na vinha, consequência do ano mais quente), com mostos de muito boa qualidade, boa côr, estrutura e muita concentração, intensidade de fruta e taninos, como também aconteceu na Churchill's. Concentração e estrutura são as principais características dos vintages deste ano.

    Na Churchill's, pela primeira vez na sua história, desde 1981, declararam-se dois vintages clássicos em anos consecutivos, um acontecimento único.
    Os vintages da casa seguem o método tradicional de vinificação, com pisa a pé e maceração prolongada durante 5 dias em lagares de granito (as uvas são vinificadas com engaço), com uma maceração menos agressiva e mais uniforme, que preserva as características naturais da uva e potencia a melhor expressão da qualidade, complexidade e perfil aromático dos mostos. A fermentação é natural sem adição de leveduras e é mais prolongada, preservando assim mais álcool natural e sem necessidade de adicionar tanta aguardente vínica no processo de fortificação.

    As impressões dos Vintages provados (provado em amostra antes do engarrafamento):

    Churchill's Vintage Port 2017

    Um Vintage que tem origem num field-blend de vinhas velhas localizadas no Douro Superior e no Cima Corgo que incluí as castas Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Francisca e Tinto Cão.

    Com grande profundidade de côr, grande intensidade e concentração de aromas de frutos negros, mirtilos, amoras e ameixas pretas. A concentração de fruta é uma característica do ano. O sabor também com frutos negros óbvios, é complexo e com boa estrutura, com taninos firmes, frescura e boa acidez, num estilo meio-seco. Com um final longo e persistente. Uma complexidade que se vai desenvolver nas próximas décadas, um prémio para a paciência.

    Churchill's Quinta da Gricha Vintage Port 2017

    Foi produzida e estará disponível uma pequena quantidade deste Vintage, com origem nas uvas da vinha velha da Quinta da Gricha, um field-blend em que predominam as castas Tinta Roriz, Touriga Francesa, Tinta Barroca e Tinta Francisca.

    A côr é de um rubi muito escuro, com muita intensidade de aromas, mais exuberante, com aromas florais, com concentração de fruta e aromas de frutos negros e sugestões de especiaria. Com sabor intenso, um conjunto complexo e com boa estrutura, frescura e elegância. Um estilo mais seco. Com um final prolongado. Com um vigor que assegura muitos anos de evolução. 
    Um Vintage de quinta que exprime o factor "G", i.e., o terroir e o carácter das vinhas velhas da Quinta da Gricha.

    (provado com JG e RPN em 28Maio2019).

©Hugo Sousa Machado