quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

# The Port library news: the book "Quinta do Vallado. 300 years in the heart of the Douro"


    Quinta do Vallado: 1716 - 2016.

    Quinta do Vallado, founded in 1716, has just celebrated 300 years of history. It is not a unique case in the Douro valley, where time is measured in decades, in centuries. Within the scope of these celebrations it was published the book "Quinta do Vallado. 300 years in the heart of the Douro" (it was also bottled the extraordinary very old Port wine "Vallado ABF 1888", which honors the ancestor of the present owners of the Quinta do Vallado, António Bernardo Ferreira I), authored by the prestigious historian of the Douro and Port wine, Prof. Gaspar Martins Pereira and with a preface by António Barreto, also the author, among other works, of the book  "Douro, Rio, Gente e Vinho"  ("Douro, River, People and Wine), and the beautiful documentary "As Horas do Douro" ("The hours of the Douro).

     In a very careful and well designed edition, with curious details such as the cover and back cover presented with a tactile roughness that imitates the roughness of the Quinta walls, in its characteristic and traditional golden ocher, this edition whose production was designed by "Omdesign" agency (which had already been responsible for another work on the same subject, the book "250 years of histories", about the Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, which we will analyze in a future publication), a bilingual edition, written in portuguese and english and profusely illustrated (with today's photographs, some leaflets, and others from various sources, archives and collections, such as the documentation consulted), along its 224 pages (hardcover, 28,5 x 28cm format) we make a trip through the history of this iconic Douro Quinta, which in many aspects is also the history of other Douro Quintas, of the Douro wine region and of Port wine.

    This trip begins with a description of the location of Quinta do Vallado, on the slopes of the Corgo river valley, near Peso da Régua, in the heart of the Douro wine region, and also with the analysis of its long history, its medieval origins, of the "Comenda de Poiares" which belonged to the Order of Hospitallers and later with the first references that appear in documents of the XVII century. Then the foundation of Quinta do Vallado in 1716, the expansion of wine production and export growth to the british market, the initial and over the next centuries development of this family business. The XIX century and the «vineyard empire» of the Ferreira's and the refoundation phase of the Quinta that followed, with the land and vineyard expansion, the modernization of houses, wineries and "lagares" and the combination of the activity of wine commercialization with the wine production activity.

    The next phase, the years of the A.A. Ferreira, Sucessores/Companhia Agrícola e Comercial dos Vinhos do Porto, from the end of the XIX century to 1993 and to the present, the Quinta do Vallado, Sociedade Agrícola, and the investment in the future with the restructuring of the quintas, the definition of the best grape varieties, the necessity and the increase of wine production, the wine commercialization, the construction of a new and modern oak casks cellar and a vinification center with the most advanced winemaking technology, the restoration of the 17th century Quinta do Vallado main building and the interior of the 1733 chapel and the bet in the Quinta do Vallado Wine Hotel.

    This future prespective is also complemented by new projects, new vineyard plantations and the construction of the Casa do Rio, at Quinta do Orgal, on the Douro river slope, in the Upper Douro region, in the area of the Côa Valley Archaeologic Park.

   We are guided by the areas, the spaces and the numerous details of the Quinta and how the rhythm of the vineyard cycle marks the activity of man, vineyards and the various types of vineyard plantation that make up the landscape (about 90%), from the very old “pilheiros” to the various types of terraces, “socalcos”, “patamares” and “vinha ao alto” vineyards, the patrimony of the grape varieties identified in the old vineyards, the olive groves, the orange grove, the kitchen garden…

    This book also presents the Quinta do Vallado DOC Douro and Port wines varied portfolio of which we highlight two very old precious Port wines, the "Vallado Adelaide Tributa very old Port", dated 1866, commemorating the bi-centenary of D. Antónia birth and the most recently bottled "Quinta do Vallado ABF 1888", coming from pre-phylloxera vineyards. This last wine is the object of interesting and detailed tasting analyzes and notes, written by several personalities linked to the wine world, João Paulo Martins, João Pires and Justin Leone.

    From the preface, by António Barreto:

"The Quinta is undoubtedly the magical place of the Douro. Perhaps the essential reality of this marvellous region. The right place with spirit, where nature, history, work, men and wine meet together.”.


©HSM




# Notícias da biblioteca: o livro "Quinta do Vallado. 300 anos no coração do Douro"

    Quinta do Vallado: 1716 - 2016

    A Quinta do Vallado, fundada em 1716, acaba de celebrar 300 anos de história. Não é caso único no Douro, onde o tempo se mede em décadas, em séculos. No âmbito destas comemorações foi editado o livro “Quinta do Vallado. 300 anos no coração do Douro” (foi também engarrafado o extraordinário vinho do Porto muito velho “Vallado ABF 1888”, que homenageia o antepassado dos actuais donos da quinta, António Bernardo Ferreira I), da autoria do prestigiado historiador do Douro e do vinho do Porto, Prof. Gaspar Martins Pereira e com prefácio de António Barreto, também autor, entre outros, do livro "Douro, Rio, Gente e Vinho" e do belissímo documentário “As Horas do Douro”.

    Numa edição muito cuidada e bem concebida, com pormenores curiosos como é o caso da capa e contracapa ser apresentada com uma rugosidade táctil que imita a rugosidade das paredes da quinta, no seu característico e tradicional ocre dourado, edição esta cuja produção e design é da responsabilidade da agência “Omdesign”, (que já tinha sido responsável por outra obra nesta temática, o livro ”250 anos de Histórias“, sobre a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, cuja análise ficará para outra publicação), numa edição bilingue, apresentada em português e inglês e profusamente ilustrada (com fotografias actuais, algumas desdobráveis, e outras provenientes de várias fontes, arquivos e colecções, assim como a documentação consultada), ao longo das suas 224 páginas (capa dura, no formato 28,5x28cm.) permite-nos uma viagem pela história desta icónica Quinta do Douro, que em muito aspectos é também comum a outras quintas históricas do Douro e também pela história do vinho do Porto.

    Esta viagem tem início na localização da Quinta do Vallado, nas encostas do vale do rio Corgo, a curta distância do Peso da Régua, no coração do Douro vinhateiro e com uma análise da sua longa história, com origens medievais, dos domínios da comenda de Poiares da Ordem do Hospital e mais tarde com as primeiras referências que surgem em documentos do séc. XVII. Depois, a fundação da Quinta do Vallado em 1716, a expansão vitícola e o crescimento das exportações para o mercado britânico, o desenvolvimento inicial e depois ao longo dos séculos seguintes, desta empresa familiar. O séc. XIX e o «império vinhateiro» dos Ferreiras e a fase de refundação da Quinta, com expansão de terras, a modernização de casas, adegas e lagares e a conjugação da actividade de comercialização de vinhos com a actividade produtiva.

    A fase seguinte, os anos da A.A. Ferreira, Sucessores/Companhia Agrícola e Comercial dos Vinhos do Porto, de finais do séc. XIX até 1993 e a fase actual, Quinta do Vallado, Sociedade Agrícola e um caminho do futuro, a reestruturação das quintas, a definição de castas, a necessidade e o aumento de produção, a comercialização dos vinhos, o investimento na construção de uma nova e moderna adega de barricas e um centro com a mais avançada tecnologia de vinificação, a recuperação do edifício setecentista da Quinta e do interior da capela de 1733 e a aposta no Hotel vínico da Quinta do Vallado.

    Esta prespectiva de futuro passa também ou é complementada por novos projectos, novas plantações de vinha e a construção da Casa do Rio, na Quinta do Orgal, na encosta do rio Douro, no Douro Superior, na área do Parque Arqueológico do Vale do Côa.

    Somos guiados e ficamos a conhecer as áreas, os espaços e inúmeros pormenores da Quinta do Vallado e como o ritmo do ciclo da vinha marca a actividade do homem, os vinhedos, os vários tipos de plantio da vinha que integram a paisagem (cerca de 90%), dos antigos pilheiros aos vários tipos de socalcos, patamares e vinhas ao alto, o património das castas identificadas nas vinhas velhas, os olivais, o laranjal, a horta...

    Este livro apresenta ainda o variado portfolio de vinhos DOC Douro e Porto da Quinta do Vallado, em que se destacam as preciosidades “Vallado Adelaide Tributa Porto muito velho”, datado de 1866, comemorativo do bi-centenário do nascimento de D. Antónia e o mais recentemente engarrafado “Quinta do Vallado ABF 1888”, provenientes de vinhas pré-filoxera. Este último é o objecto de interessantes e detalhadas análises de prova, da autoria de várias personalidades ligadas ao mundo do vinho, João Paulo Martins, João Pires e Justin Leone.

    Do prefácio, por António Barreto:

"A Quinta é certamente o local mágico do Douro. Talvez a realidade essêncial desta maravilhosa região. O lugar certo com espírito, onde se encontram a natureza, a história, o trabalho, os homens e o vinho.".



©HSM






terça-feira, 6 de dezembro de 2016

# Douro: The 2016 harvest report

(Quinta da Costa de Baixo, Cima Corgo Douro sub-region)


A difficult and very demanding year...

    This is how we can best define another cycle of the vineyard that has just ended, an atypical wine year that was difficult, demanding and that forced a lot of work in the vineyard. It was a challenging year which led producers to better understand each specific terroir, each part of the vineyard and each grape variety in order to make the most of production.

    It all started with a very rainy winter, with an average precipitation far above the usual registered in all the Douro sub regions. There was an increase of aproximatly 40% when comparing this data with past years average values.

    Usually, rain in winter in the Douro is always welcome, because it allows the restoration of the soil water reserves. However, what happened this year was an excess of rain and rain until very late. April and May were also also rainy months and with mild temperatures, below what would be normal.

    At the beggining of spring and in a sensitive and critical phase of the vine and the formation of the grape bunches, as we have seen, rain persisted and temperatures were lower than usual for this time of year, causing a delay of the vine vegetative cycle, and creating favourable climatic conditions for the appearance and development of diseases and fungi on the vineyards, especially mildew, but also powdery mildew, among others, with the consequent need of permanent monitoring and intense work for the necessary phytosanitary treatments.

    As a consequence, there was an increase in production costs and a more than predictable decrease of the vineyard quantitative potencial.

    In May the rain stopped, and the temperature began to rise and close to the usual values for the season. In the months that followed, June, July and August, there were high temperatures, a lot of heat and with little thermal amplitude.
    
    The summer was dry and thus remained until the first week of September.

    The summer heat caused irregular, unbalanced and some delay in maturation (from 1 to 2 weeks when compared with the previous year), as well as a water deficit in the vines that can cause the stop of maturation (in these cases the plant as a natural protection mechanism, according to which, in cases of ambient temperatures above 35ºC, the photosynthesis stops, thus delaying ripening), which at this stage, again implied daily monitoring of the grapes ripeness. And under these conditions, the youngest vineyards and those located at lower levels and the most exposed grapes, are the ones that have suffered most from the heat. 
    In any case, the cooler September nights and especially the rain of September 13, ended up favoring the rebalancing and recovery of the grapes, being very evident this year the heterogeneity of the different rhythms of each region and the differences of each grape variety to reach their ideal maturity stage.

    This was followed by the harvest phase, which in many situations required patience and wide decisions to pause or interrupt the harvest when possible, to start again later and wait for the ideal time to obtain the best possible ripeness in each vineyard plot and according to each grape variety.

    The harvesting at the end of September and beginning of October occured in very good weather conditions and eventually compensated those who waited, the grapes have reahed a better balance, better maturation and better quality.

    The expected quantitative decreases in production remained at between 19% to 27% (reaching in some cases 40%). It was a year in which the knowledge of the vineyard and the very specific conditions of each vineyard parcel proved to be decisive, and of course the strategy dfined according to this knowledge, as well as the monitoring and the rigut time treatments performed in the vineyards.
    Despite all this, it is expected that the quality of the wine from the 2016 harvest will be good, better than all the difficulties of the wine-growing year would suggest, since the results of the fermentations were surprising by the colour and the aromas showed.

    Keeping these informations in mind, which I'am sure will help us to better understand the characteristics of the 2016 Douro wines, we just have to patiently waint... and with some anxiety.


©HSM


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

# Douro: o relatório da vindima de 2016



    Um ano difícil e muito exigente...

    É assim que podemos caracterizar mais um ciclo da vinha que acaba de terminar, um ano vitícola atípico, difícil, exigente e com muito trabalho na vinha. Foi um ano desafiante que obrigou a perceber melhor cada terroir específico, cada parcela da vinha e cada casta para salvar e potenciar a produção.

   Tudo começou com um Inverno muito chuvoso, com uma média de precipitação muito acima do habitual em todas as sub-regiões do Douro. Registou-se um aumento aproximado de 40%, quando comparamos os dados da precipitação com os valores médios dos últimos anos.

    Normalmente, chuva no Inverno, no Douro é sempre muito benvinda, porque permite a reposição das reservas de água no solo. Todavia, o que aconteceu este ano foi um excesso de chuva e chuva até muito tarde. Abril e Maio foram também meses chuvosos e com temperaturas amenas, abaixo do que seria normal.

    No início da Primavera e numa fase sensível e crítica da videira e da formação dos cachos, como vimos, a chuva manteve-se e as temperaturas foram mais baixas, causando um atraso no ciclo vegetativo da vinha e criando as condições climatéricas favoráveis ao aparecimento e desenvolvimento de doenças e fungos na vinha, principalmente o míldio, mas também o oídio, entre outras, com a consequente necessidade de acompanhamento permanente e trabalho intenso para os necessários tratamentos fitossanitários.

    Como consequências, houve um aumento dos custos de produção e uma previsível diminuição do potencial quantitativo da vinha.

    Em Maio a chuva parou e a temperatura começou a subir e a aproximar-se dos valores habituais para a época. Nos meses que se seguiram, Junho, Julho e Agosto, registaram-se temperaturas altas, muito calor com pouca amplitude térmica.

    O Verão foi seco e assim se manteve até à primeira semana de Setembro. Este calor de Verão provocou, maturações irregulares e desequilibradas e também algum atraso na maturação (de 1 a 2 semanas relativamente a 2015), assim como, um défice hídrico nas videiras que pode originar a paragem das maturações (nestes casos, a planta tem um mecanismo de protecção natural, de acordo com o qual, em casos de temperaturas ambiente acima dos 35ºC, pára a fotossíntese, atrasando as maturações), o que, nesta fase, implicou o acompanhamento diário das maturações das uvas. E nestas condições, as vinhas mais jovens, as situadas a cotas mais baixas e as uvas mais expostas, são as mais atingidas.

    Em todo o caso, as noites mais frescas de Setembro e sobretudo a chuva de 13 de Setembro, acabou por favorecer o reequilíbrio e a recuperação das uvas, sendo muito evidente neste ano, a heterogeneidade dos comportamentos e ritmos diferentes de cada região e das diferentes castas para atingir o seu estado ideal de maturação.

    Seguiu-se a fase da vindima, que em muitas situações exigiu paciência, decisões sensatas de fazer pausas ou interrupções na vindima para recomeçar mais tarde e esperar pelo momento ideal para obter as melhores maturações possíveis, em cada parcela de vinha e com cada casta.

    A vindima no final de Setembro e início de Outubro, ocorreu com condições climatéricas muito boas e acabou por compensar, atingindo as uvas um melhor equilíbrio, melhor maturação e melhor qualidade.

    As quebras quantitativas previstas na produção, mantiveram-se, atingindo valores entre os 19% e 27% (chegou a atingir em alguns casos valores de 40%). Foi um ano em que se revelou decisivo, o conhecimento da vinha e as condições específicas de cada terreno e a estratégia definida de acordo com este conhecimento, assim como o acompanhamento e os tratamentos realizados na vinha.

    No entanto, espera-se que a qualidade dos vinhos da colheita de 2016 seja boa, melhor do que todas as dificuldades do ano vitícola fariam supor, uma vez que os resultados das fermentações acabaram por surpreender, pela côr e pelos aromas.

    Com estas informações que espero nos ajudem a compreender melhor as características dos vinhos do Douro deste ano de 2016, só nos resta esperar com paciência… e alguma ansiedade.




©HSM

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

# The 2013 Vintage Port

(The Graham´s 1890 Lodge, Vila Nova de Gaia "Entreposto")

(Rev. 11/2016)

   As we have been publishing for previous vintages, we now register the list of the 2013 vintage Port wines and their producers. As in 2012 there were several producers to bottle vintage Port from the 2013 harvest which was also a non-classic vintage or SQVP (for definitions click:the Single Quinta Vintage Port), also a risky decision, after the 2011 mythical classic year and the 2012 vintage declarations.

   The 2013 and 2012 are both great quality vintage Port wine, but also Port wines that reflect the nature and the wine growing year conditions of the years they represent, which were in fact very diferent years. In very general terms, are seen as the main distinguishing characteristics of the 2013 vintage Port wines, when compared with the previous year, the following: they are lighter and fresher vintages, less bulky, with more acidity and more vegetable aromas and tannins which are the result of a year characterized by plenty of rain in winter and spring and less heat in spring and summer than usual.

The 2013 vintage Ports are the following:

  • Bulas Port Vintage 2013 (Bulas Family Estates)
  • Churchill's Quinta da Gricha Vintage Port 2013 (Churchill Graham)
  • Dow's Quinta Senhora da Ribeira 2013 Vintage Port (Symington Family Estates, Vinhos)
  • DR Port Vintage 2013 (Agri-Roncão, Vínicola)
  • Duorum Vinha de Castelo Melhor 2013 Vintage Port (Duorum Vinhos)
  • Fonseca Guimaraens Vintage Port 2013 (The Fladgate Partnership/Quinta and Vineyard Bottlers, Vinhos)
  • Niepoort Bioma Vinha Velha Vintage 2013 (Niepoort Vinhos)
  • Pacheca Vintage Port 2013 (Quinta da Pacheca, Sociedade Agrícola e Turística)
  • Poças Vintage Porto 2013 (Manuel D. Poças Júnior Vinhos)
  • Portal Quinta dos Muros Porto Vintage 2013 (Sociedade Quinta do Portal)
  • Quevedo Porto Vintage 2013 Quinta Vale D'Agodinho (Vinhos Óscar Quevedo)
  • Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo Vintage Porto 2013 (Quinta Nova)
  • Quinta da Costa das Aguaneiras Porto Vintage 2013 (Quinta da Costa das Aguaneiras, Casa de Mateus)
  • Quinta da Gaivosa Porto Vintage 2013 (Domingos Alves de Sousa)
  • Quinta do Javali Vintage Port 2013 (Sociedade Agrícola Quinta do Javali)
  • Quinta do Noval 2013 Vintage Port (Quinta do Noval, Vinhos)
  • Quinta do Pégo Vintage Porto 2013 (Quinta do Pégo)
  • Quinta do Seixo 2013 Vintage Porto (Sogrape Vinhos)
  • Quinta do Tedo Vintage Porto 2013 (Vincent Bouchard - Quinta do Tedo)
  • Quinta do Vale Meão Vintage Port 2013 (F. Olazabal & Filhos)
  • Quinta do Vesúvio 2013 Vintage Port (Symington Family Estates, Vinhos)
  • Quinta Seara D'Ordens Porto Vintage 2013 (Soc. Agrícola Quinta Seara D'Ordens)
  • Sandeman Quinta do Seixo 2013 Vintage Porto (Sogrape Vinhos)
  • Senhora do Convento Porto Vintage 2013 (Senhora do Convento)
  • S. J Vintage Port Single Quinta 2013 (Quinta de S. José, João Brito e Cunha Lda.)
  • Vasques de Carvalho 2013 Vintage Porto (Vasques de Carvalho, Soc. Agrícola e Comercial)
  • Vista Alegre Porto Vintage 2013 (Vallegre Vinhos do Porto).


   Tal como temos vindo a fazer para anos anteriores, publicamos agora a lista dos vinhos do Porto vintage de 2013. Tal como aconteceu em 2012, houve várias casas produtoras a engarrafar um vinho do Porto vintage da colheita de 2013, também ou vintage não clássico ou SQVP (vêr definições em: vintage-port-single-quinta-vintage), igualmente uma decisão arriscada, depois do mítico ano clássico de 2011 e também das varias declarações de 2012.

   Os Porto vintage de 2013 e 2012, são ambos vinhos do Porto de grande qualidade, mas são também vinhos que reflectem a natureza e as condições do ano vitícola em que nasceram, que foram, na realidade, anos muito distintos. Em traços muito gerais, são apontadas como principais características diferenciadoras dos vintages de 2013, quando comparados com o ano anterior, as seguintes: são vintages mais leves e frescos, menos volumosos, com uma acidez mais elevada e com aromas e taninos mais vegetais, que são o reflexo de um ano que se caracterizou por bastante chuva no Inverno e Primavera e também por menos calor do que o habitual na Primavera e Verão.





(agradeço, desde já, quaisquer informações complementares, para o email ptopwine@gmail.com)

(Please send further relevant information to the following email adress: ptopwine@gmail.com)

©HSM

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

# Niepoortland!: aka "Open Day Niepoort / Niepoort Portas Abertas"

   Last July was held the “Open Day Niepoort” 2nd edition, in the Niepoort cellars courtyard in Vila Nova de Gaia. An event not to be missed to meet all the Niepoort wines universe, and much, much more. Dirk Niepoort was the perfect host:
all categories of Niepoort Port wines, among others, with the latest Niepoort Crusted, bot. 2013 (bottled sample), “Niepoort 2013 Bioma Vinha Velha Vintage” and the rare and unique “Niepoort Garrafeira 1984” (a port style created by Niepoort in the 30’s and which this company is the only producer to date), virtually the entire range of table wines from Niepoort (Douro, Dão and Bairrada), Quinta de Soalheiro (the recent "Granit" and "Terramatter" and the interesting taste of “Soalheiro Primeiras Vinhas with ten years apart), Quinta das Bágeiras, the eccentric Buçaco wines, Ladredo (Ribeira Sacra), Navazos (Jerez de la Frontera), Burgundy, with the presence of the producer Philippe Pacalet, the Champagne Legras (refreshing and complex, accompanied by the Ria Formosa estuary oysters).

   Realizou-se a 2.ª edição “Niepoort Portas Abertas”, no passado mês de Julho, no pátio das caves Niepoort, em Vila Nova de Gaia. Sempre um acontecimento a não perder para conhecer todos os vinhos do universo “Niepoort” e não só. Dirk Niepoort foi o perfeito anfitrião: com todas as categorias de vinho do Porto Niepoort, entre outros, com os mais recentes “Niepoort Crusted, eng. 2013” (em amostra), “Niepoort 2013 Bioma Vinha Velha Vintage” e o raro e único “Niepoort Garrafeira 1984” (estilo criado em 1931 e do qual a Niepoort é a única casa produtora), praticamente toda a gama de vinhos de mesa da Niepoort (Douro, Dão e Bairrada), Quinta de Soalheiro (com os recentes “Granit” e “Terramatter” e a interessante prova de dois “Soalheiro Primeiras Vinhas, com dez anos de intervalo), Quinta das Bágeiras, os vinhos do Buçaco, Ladredo (Ribeira Sacra), Navazos (Jerez de la Frontera), a Borgonha, com a presença do produtor Philippe Pacalet, o Champagne Legras (refrescante e complexo, acompanhado de ostras da ria Formosa).

   Some photos of our portfolio:
   Algumas imagens do nosso portfolio:
   




   One of the XIX centrury "demijohns", used by Niepoort for the production of the “Garrafeira” style Port Wine. In this case the 1984 Garrafeira, that according to Nick Delaforce, we do not know yet whether it will be released in the market.

   Um dos "demijohns" do séc. XIX, utilizados pela Niepoort para a produção do vinho do Porto Garrafeira. Neste caso o Garrafeira de 1984 que, de acordo com Nichiolas Delaforce, enólogo da casa, não sabemos ainda se será lançado no mercado.



A complex Port decanting operation.




A Niepoort Batuta "melchior" bottle (18 liter bottle).




   

© HSM

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

# The XXXIII Rabelo Boats Regatta


The winner Rozès "Infanta Isabel"


  The city of wine summer calendar begins with the Rabelo Boats Regatta, every year, on June 24th, the day of the patron Saint of the city of Porto, St. John. On this day you can see these iconic vessels, with centuries of history that are inseparable symbols of the Douro and the memory of Port wine, known to carry the Port wine casks through the Douro river from the “Alto Douro” wine region to the cellars warehouse at Oporto and Vila Nova de Gaia. These boats linkened the wine producing region to the warehouses and cellars at Gaia, that was the storage, ageing and export point. In their glory days came to be close to 3,000 (in the eighteenth and nineteenth centuries). This fluvial activity ended in 1965, the year in which these boats made the last trip and the Rabelo definitely gave way (first to the railway) to the speed of transport by road.
  However, a number of Port wine producing firms are committed to maintain and preserve these unique vessels and this annual race is a perfect opportunity to witness it.





  
  This year was held the XXXIII annual edition of the race, organized by the Port Wine Brotherhood (Confraria do Vinho do Porto), whithin a distance of approximately 3.5 km., which ranges from Cabedelo, near the mouth of the Douro river to the finish line in front of the Sandeman House, close to Dom Luis I Bridge. This year participated 14 boats.
  As a curiosity, it should be noted that the race time is set according to the tides, to prevent take place during ebb tide in which these heavy boats without keel and difficult to maneuver would have to navigate against the current.

  Unlike usual, this year the race began in Afurada. It was an exciting and eventful race, the result of strong north wind and the unpredictability of the current, which made these boats even more difficult to master, from the start there was collision between vessels, torn sails, broken masts and boats thrown against the riverbanks.

  This year the winner was the boat of Rozès with the insignia "Infanta Isabel", immediately followed by the boat Sandeman with the “Vau" insignia.





 # A XXXIII Regata dos Barcos Rabelo

  O calendário de verão da cidade do vinho inicia-se com a regata de barcos rabelo, todos os anos, no dia 24 de junho, o dia do santo patrono da cidade do Porto, São João. Neste dia é possível ver estas embarcações icónicas, com séculos de história e símbolos indissociáveis do Douro e da memória do vinho do Porto, conhecidas por transportarem o vinho do Porto através do rio Douro, desde a região vinhateira do Alto Douro até às caves do entreposto de Vila Nova de Gaia, que o mesmo é dizer, faziam a ligação da região produtora com o entreposto de Gaia, ponto de armazenagem, envelhecimento e exportação e que nos seus tempos de glória, nos séculos XVIII e XIX chegaram a ser 3.000. Esta “faina fluvial” terminou em 1965, ano em que se terá realizado a última viagem e em que os Barcos Rabelos cederam definitivamente lugar (primeiro ao caminho de ferro) à rapidez do transporte por estrada.

  No entanto, um conjunto de casas produtoras de vinho do Porto têm estado empenhadas em manter e preservar estas embarcações peculiares e esta regata anual é uma oportunidade perfeita para o testemunharmos.

  Este ano, realizou-se a XXXIII edição anual da regata, organizada pela Confraria do Vinho do Porto, num percurso de aproximadamente 3,5km., que vai desde o Cabedelo, junto à foz do rio Douro até à linha de chegada em frente à Casa Sandeman, próximo da Ponte D. Luís I. Este ano participaram 14 embarcações.
   Como curiosidade, refira-se que a hora da regata é fixada de acordo com as marés, para evitar que se realize durante a vazante em que estes barcos pesados, sem quilha e difíceis de manobrar teriam de navegar conta a corrente.

   Ao contrário do que é habitual, este ano a regata teve início na Afurada. Foi uma regata animada e atribulada, como consequência do forte vento norte e da imprevisibilidade da corrente, que tornou estes barcos ainda mais difíceis de dominar, pelo que houve, logo na partida, choque entre embarcações, velas rasgadas e mastros partidos e barcos atirados contra as margens do rio.

  Este ano o vencedor foi o barco da Rozès com a insígnia “Infanta Isabel”, imediatamente seguido pelo barco da Sandeman com a insígnia “Vau”.

© HSM

domingo, 29 de maio de 2016

# A walk through the Douro spring gardens


 The PtoPw portfolio.

Quinta do Bom Retiro (Ramos Pinto), River Torto Valley, Valença do Douro

   It´s really a privilege to contemplate this unique scenary and all the elements that make up the harmony and balance of the Douro landscape.

   In one of the few sunny days in a more greyer and rainy spring than usual, the hills are alive... the vines are awakening and the cycle begins again with the vine sprouting, through to branching and flowering.

   With our senses awake, let us enrich our olfactory memory because here the spring smells are intense and even if we do not consider the aromatic mimicry thesis, it is impossible not to remember these aromas when we taste the wines produced here.

   We can rightly say that there is here "an intimate link between the product quality and the beauty of the landscape". 
(Cary, Francisco Caldeira).


River Torto Valley, Valença do Douro
Quinta da Roêda, Pinhão
River Torto Valley, Valença do Douro
Quinta do Bom Retiro (Ramos Pinto), Valença do Douro
Quinta da Roêda (The Fladgate Partnership), Pinhão
Terrace wall at Quinta Vale D. Maria, Sarzedinho, São João da Pesqueira


River Torto Valey, Quinta do Retiro Antigo (Warre's) and Quinta do Bom Retiro (Ramos Pinto), Valença do Douro



© HSM

quarta-feira, 30 de março de 2016

# The Port library news: the book "Quinta do Vale Meão"


An indispensable complement to all concerned in these matters and every serious wine and port wine library in particular, the book “Quinta do Vale Meão”, in bilingual edition, written in portuguese and english, tells us throughout its 157 pages, the long and dignified history of this iconic Upper Douro quinta.

By Francisco Javier Olazabal, a descendant of D. Antonia Adelaide Ferreira and the owner, this book tells us, along its chapters, the Ferreira family history and its deep connection to the Douro region, the genesis of the farm, its origin , history and development, strategy, vineyards and grape varieties, topography, geology, the dominant climate, fauna and flora and the wines and the quinta products.

It is well documented and the chapters are illustrated with numerous photographs, many of which are part of the family collection.

In the author's words:
“the main protagonist of this story is the Quinta do Vale Meão, because although not among the oldest in the Douro has a rich past, interesting and unique and a gift that's up to - I hope! - the ambitions of my great-grandmother Antonia Adelaide Ferreira. Among her many estates, was the one that she created from scratch on land hitherto uncultivated, with the declared intention of developing an exploration model.”

One last curiosity, it should be noted that this book was initially conceived as an institutional present but in good time the decision was made to make it accessible to the interested public (I bought my copy at “Livraria Esquina”, in Oporto).

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# Noticías da biblioteca: O livro "Quinta do Vale Meão"


Um indispensável complemento para todos os interessados nestes assuntos e a todas as bibliotecas sérias sobre o vinho e vinho do Porto em especial, este livro da Quinta do Vale Meão, em edição bilingue, escrito em português e inglês, relata-nos ao longo das suas 157 páginas, a digna e longa história desta emblemática quinta do Douro Superior.

Da autoria de Francisco Javier Olazabal, descendente de D. Antónia Adelaide Ferreira e o proprietário, este livro ao longo dos seus capítulos, relata-nos a história da família Ferreira e a sua profunda ligação ao Douro, a génese da quinta, a sua origem, história e desenvolvimento, a estratégia, as vinhas e as castas, a topografia, a geologia, o clima dominante, a fauna e a flora e os vinhos e produtos da quinta.

Está bem documentado e os capítulos são ilustrados com inúmeras fotografias, muitas das quais integram o acervo familiar do autor.

Nas palavras do autor:
“o protagonista principal dessa história é a Quinta do Vale Meão, pois embora não esteja entre as mais antigas do Douro, tem um passado rico, interessante e original e um presente que está à altura – espero eu! – das ambições da minha trisavó Antónia Adelaide Ferreira. Entre as suas muitas quintas, foi a única que ela criou de raiz em terras até então incultas, com a intenção declarada de desenvolver uma exploração modelo”.

Por último, como curiosidade, é de referir que este livro foi pensado como presente institucional, mas em boa hora foi tomada a decisão de o tornar acessível ao público interessado (comprei o meu exemplar na Livraria Esquina, no Porto).



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domingo, 22 de novembro de 2015

# Douro: the 2015 harvest report

(Quinta da Costa de Baixo, Upper Corgo sub-region    © HSM archives)
Completed the recent harvest, the annual cycle of the vineyard in the Douro region is over. Let us consider the main characteristics of the wine year and the influence of the vagaries of nature and climate throughout the year.
We can begin by stating that, in general, it was an atypical year, let's look at the following summary:

The winter was cold and dry.

The spring was warmer and drier than usual for this time of year in this region. The months of April, May and June were even unusually warm and together with the high temperatures registered there was also a lack of water and it was precisely in the spring that the effects of the lack of rain were felt.

Indeed, the first major feature of this wine year was the drought, the permanent and severe water shortage that was, of course, a constant concern.
The consequence of these natural factors in the vineyards was the anticipation of the vineyard cycle, which started earlier than usual, flowering occurred in May and the “painter” (“veraison” or coloring) arrived in July.

Some producers harvest reports enhance the schist soils formations and its water retention capacity of the few winter rains and also the adaptability of indigenous Douro grape varieties, which turned out to prevent dehydration and even, as we shall see, to determine the balanced ripening of the grapes.
In addition to the vineyard ability to stay hydrated in these difficult conditions, we also have to consider  the cooler weather and cooler temperatures during maturation, which prevented the water stress of the vines.

Then, in summer, remained the lack of water. During July and August, temperatures were less warm, and cooler than is the norm in this region at this time of year, with cooler nights, which contributed to the maturation balance and uniformity of maturation and to the natural acidity of the grapes.

There was a precocious maturation and in many cases the harvest was anticipated. At the beginning of the harvest the grapes had great looks and were in very good condition and a clear quality good balance between the level of sugar and acidity, with the ideal conditions at this late maturing cycle. All at this stage pointing to a good harvest.

Then in full harvest, there was the critical moment, with heavy rains on 15 and 16 September. After long and widespread drought, vines, thirsty, immediately absorbed rain water with consequent dilution of the grapes.

It was the time of big decisions and the harvest interruption for a few days was the right one and also the most risky considering the uncertainty of the weather and the return of rain. However, these standby days enabled the disappearance of the effects of the diluting of the grapes.

Resuming the harvest, it was found that the interruption offset the risk assumed, since the rain eventually help balance the ripening of the grapes which were in excellent health condition and the maturation was more regular, which also led to a general quality improvement.

We recall also that the previous two vintages, 2013 and 2014 that were very affected by the rain.

Entered in October, appeared the first autumn rains.

In conclusion, the analysis of the various registers of producers and harvest reports, despite the widespread drought, weather conditions, especially in the summer and until the beginning of the harvest, did not harm the vines and grapes that endured the heat, but had effects in the production levels, which were lower compared to the average of the Douro, that is already low (approximate and not definitive figures represented a reduction of 10%), which in some specific situations represented a reduction of over 40%.

It was also a year in which the conditions turned out to be favorable to a homogeneous vegetative growth of the grapes and a very high average quality balanced wines with lots of color and firm tannins.

Between producers the enthusiasm is great. Niepoort is convinced that 2015 will be a better year than 2011 for Port wines and the DOC Douro. Graham's refers to an "exceptional" year. Some critics follow, speaking of an excellent year.

If in 2014 we concluded the report mentioning that it was not a year for classic vintage statements, in 2015 we can say that will be a year of great wines and in all likelihood will be a year of classic vintages. For confirmation we can only wait by the spring of 2017.





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# Douro: o relatório da vindima de 2015


(Quinta da Costa de Baixo, Cima Corgo    © HSM archives)
Com a recente vindima terminou o ciclo anual da vinha na região do Douro. Vamos então considerar as principais características do ano vitivinícola e a influência dos caprichos da natureza e do clima ao longo do ano.

Podemos começar por afirmar que, em geral, se tratou de um ano atípico, vejamos um resumo:

O Inverno foi frio e seco.

A Primavera foi mais quente e seca do que o habitual para esta época do ano. Os meses de Abril, Maio e Junho foram mesmo anormalmente quentes e a par das temperaturas altas houve também falta de água e foi precisamente na Primavera que os efeitos da falta de chuva se fizeram sentir.
Com efeito, a primeira grande característica deste ano vinícola foi a seca, a permanente e severa falta de água que foi, desde logo, um factor de preocupação.

A consequência destes factores naturais para as vinhas foi a antecipação do ciclo da vinha, que se iniciou mais cedo do que o habitual, a floração ocorreu em Maio e o pintor (veraison) chegou em Julho.

Os relatórios de vindima de alguns produtores realçam a constituição dos solos xistosos e a sua capacidade de retenção da água das poucas chuvas do Inverno e também a capacidade de adaptação das castas autóctones da região do Douro, o que acabou por evitar a desidratação e até, como veremos, a determinar a maturação equilibrada das uvas.

Para além da capacidade da vinha se manter hidratada nestas condições difíceis, houve ainda a considerar o tempo mais fresco com temperaturas mais baixas durante a maturação, o que permitiu evitar o stress hídrico das vinhas.
Depois, no verão, a falta de água manteve-se. Nos meses de Julho e Agosto, as temperaturas foram menos quentes, mais amenas do que é a regra nesta região nesta época do ano, com noites mais frescas, o que contribuiu para o equilíbrio e a homogeneidade das maturações e para a acidez natural das uvas.

Houve uma maturação precoce e em muitos casos a vindima foi antecipada. No início da vindima as uvas tinham um excelente aspecto e estado e uma qualidade evidente, com bom equilíbrio entre o grau de açúcar e a acidez, com condições ideais neste ciclo final de maturação. Tudo nesta fase apontava para uma boa vindima.

Depois, em plena vindima, aconteceu o momento crítico, com as chuvas fortes nos dias 15 e 16 de Setembro. Após a longa e generalizada seca, as videiras, sedentas, absorveram de imediato a água da chuva com a consequente diluição dos bagos.

Foi o momento das grandes decisões e suspender a vindima por alguns dias foi a mais acertada e também a mais arriscada pela incerteza do clima e do regresso da chuva. Estes dias de espera permitiram o desaparecimento dos efeitos da diluição do açúcar das uvas.

Retomada a vindima, verificou-se que a interrupção compensou o risco assumido, uma vez que a chuva acabou por ajudar a equilibrar a maturação das uvas, que estavam num excelente estado sanitário e com as maturações foram mais regulares, o que também originou uma melhoria generalizada da qualidade.

Relembramos também que as duas vindimas anteriores, de 2013 e 2014, foram muito mascadas e afectadas pelas chuvas.

Entrados em Outubro, apareceram as primeiras chuvas de Outono.

Em conclusão, pela análise dos diversos registos dos produtores e dos relatórios de vindima, apesar da seca generalizada, as condições climatéricas, sobretudo no verão e até ao inicio da vindima, não prejudicaram as videiras e as uvas suportaram bem o calor, mas teve efeitos na produção, que foi menor quando comparada com a média do Douro, já de si baixa (em números aproximados e não definitivos representou uma redução de 10%), que em algumas situações especificas representou uma redução superior a 40%.

Foi também um ano em que as condições acabaram por ser favoráveis com um crescimento vegetativo homogéneo e com uma qualidade média muito elevada, com vinhos equilibrados, com muita côr e taninos firmes.

Entre os produtores o entusiasmo é grande. Niepoort está convencido que 2015 será um ano melhor que o de 2011 para os vinhos do Porto e para os DOC Douro. A Graham´s refere um ano “excepcional”. Alguns críticos acompanham, falando num ano excelente.


Se em 2014 concluímos que não seria um ano para declarações de vintage clássico, em 2015 podemos referir que será um ano de grandes vinhos e com toda a probabilidade será um ano de vintage clássico. Para a confirmação resta-nos esperar pela primavera de 2017.
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(Quinta da Costa de Baixo, Cima Corgo    © HSM archives)